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Eficácia no contexto de covid-19: quanto mais eficaz, melhor? | Colunistas

Eficácia no contexto de covid-19: quanto mais eficaz, melhor? | Colunistas

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Erick Broder

6 min há 78 dias

As vacinas são comprovadamente ferramentas essenciais para controlar e possivelmente erradicar doenças infecciosas que causam ameaça à vida humana. A vacina estimula a produção de anticorpos, que são componentes da defesa do nosso organismo, preparando o corpo para quando a infecção ocorrer verdadeiramente, fato esse identificado por ‘’memória imunológica’’. Dentro do contexto de pandemia pelo COVID-19, não há tema mais falado atualmente, principalmente no Brasil, do que a importância da vacinação em massa para reduzir os danos que o vírus vêm causando. Assim, por ser uma patologia transmitida por contato respiratório e de uma maneira extremamente fácil, é fundamental que o indíviduo se vacine, não apenas para proteger a si mesmo, como também para proteger aqueles a sua volta.

Sobre o processo para aprovação da vacina, temos que esta precisa de certa aprovação para poder entrar no mercado. Inicialmente existe uma primeira etapa, que precede testes em humanos, baseando-se basicamente em testes laboratoriais, com objetivo de verificar a dose adequada a ser administrada e a conhecer o mecanismo de ação do produto, conhecendo, fundamentalmente, sua segurança. Após essa primeira etapa, a pesqusia começa a envolver animais que reajam ao vírus de forma semelhante ao organismo humano, como camundongos e ratos (Etapa Pré-Clínica). A última etapa envolve mais três fases, clínicas, e não mais laboratoriais, para determinar eficácia da vacina na população humana.

A primeira fase da última etapa envolve poucos voluntários, cerca de 20 a 80 indivíduos saudáveis, levando em conta potenciais efeitos adversos e intensidade das dosagens para evitar quaisquer danos. Avalia a eficácia do sistema imune em gerar respostas.

Já a segunda fase envolve centenas de voluntários escolhidos de forma randomizada, podendo assim envolver grupos de risco. Já há um conhecimento prévio de dosagem e efeitos colaterais, buscando, nessa etapa, testar a eficácia da vacina. Pode ser utilizado grupo placebo para melhor análise da resposta imunológica.

A terceira e última fase envolve milhares de testes, e é esperado que os voluntários se exponham ao vírus para entender a eficácia do produto, sendo que essa exposição deve ser natural, podendo prolongar o tempo de duração do estudo. Uso do grupo placebo é essencial para melhor entendimento de diferentes respostas imunológicas. Essa etapa é imprescindível para produção em massa das vacinas.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, existem 287 vacinas sendo desenvolvidas pelo mundo, com 8 já aprovadas e sendo usadas mundialmente. Dentre elas, muito se questiona acerca da eficácia de cada uma e qual seria a melhor opção visando uma maior redução de danos.

A eficácia é uma medida de resultado, sendo obtida através de estudos clínicos randomizados. Diante do ambiente randomizado e controlado contra fatores de confusão e vieses, a conduta da vacinação tem benefício comprovado. A taxa de eficácia, basicamente, pode ser calculada pela fórmula {1- (Vacinados contaminados/Total de vacinados dividido por Contaminados não vacinados/total de não vacinados)}, sendo essa fórmula uma quantificação ‘’ideal’’, dada quando os voluntários em questão iniciaram o tratamento simultaneamente.

Essa razão compreende ao risco de contaminação que essa vacina aumenta ou diminui. Esse 1 na frente corresponde ao 100%, que, quando tirada essa razão, resulta na redução relativa do risco, ou seja, o quanto essa vacina reduziu o risco pré-existente.

Exemplificando, se uma vacina possui eficácia de 70%, isso quer dizer que uma pessoa vacinada tem 70% menos chances de se contaminar, quando é comparada com aquelas que não se vacinaram.

Nesse âmbito, temos as seguintes taxas de eficácia das vacinas:

  • CoronaVac: Vacina produzida pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac. De acordo com o Instituto Butantan, entre a primeira e a segunda dose, deve haver um intervalo entre 14 e 28 dias. Eficácia geral de 50,38%. Eficácia em casos leves é de 77,96%.
  • Oxford: Produzida no Brasil em parceria com a Fiocruz. A vacina mostrou eficácia de 82,4% com um intervalo de três meses entre as duas aplicações. Ela também reduz em 76% a transmissão do vírus após a administração da primeira dose (a partir do 22º dia).
  • Johnson & Johnson: Vantagem de ser dose única. Eficácia de 66% na prevenção de doenças moderadas e graves.
  • Pfizer: Mesmo com uma proteção parcial após cerca de 12 dias da primeira dose, as duas doses são fundamentais para que o potencial máximo de proteção seja atingido. Eficácia de 95% a partir de 7 dias da segunda dose.
  • Sputink V: Produzida pelo Instituto Gamaleya, possui eficácia geral de 91,6%.
  • Covaxin: Produzida pelo laboratório indiano Bharat Biotech, com eficácia geral de 81%.
  • Moderna: Produzida pela Moderna, empresa de biotecnologia com sede em Cambridge, Massachusetts. A eficácia geral de 94,1%, 14 dias após a segunda dose.
  • Novavax: Eficácia geral de 90,4%. Apesar de ter atingido eficácia de 100% contra casos graves da doença causados pela cepa original do novo coronavírus, o imunizante se mostrou pouco eficaz contra a variante sul-africana.

Antes de concluir esse texto, é importante destacarmos que existe a diferença entre eficácia e efetividade. Podemos separá-la inicialmente por uma abranger um mundo ‘’ideal’’, enquanto a outra envolve o mundo real. A eficácia é aquilo que é desejado, quando os produtos são analisados em ambientes controlados, ideais, sendo eficaz quando acontecem resultados esperados. Já a efetividade trata a realidade em si, sem ambientes controlados, e sim com condições adversas. Assim, eficácia define quando uma conduta pode ser benéfica, enquanto que efetividade refere se esta conduta será definitivamente benéfica.

Portanto, a taxa de eficácia, apesar de fundamental, não é o único ponto importante a se levar em consideração quando as vacinas são comparadas. A efetividade mede o impacto da vacinação, sendo assim essencial para entendermos cada vez melhor o seguimento global acerca da pandemia.

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto

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Referências:

https://edition.cnn.com/2021/06/14/health/novavax-covid-19-vaccine-us-phase-3-trial-study/index.html

https://g1.globo.com/bemestar/vacina/noticia/2021/05/01/vacina-astrazeneca-entenda-qual-a-protecao-da-1a-dose-e-qual-o-motivo-do-intervalo-de-tres-meses-para-a-2a.ghtml

https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2021/01/08/coronavac-o-que-se-sabe-sobre-a-vacina-contra-covid-19-produzida-pelo-butantan-e-o-plano-de-vacinacao.ghtml

https://www.cnnbrasil.com.br/saude/2021/01/29/vacina-da-johnson-johnson-apresenta-eficacia-global-de-66-de-protecao

https://www.pfizer.com.br/sua-saude/covid-19-coronavirus/covid-19-principais-perguntas-respostas-sobre-vacina-pfizer-e-biontech

https://exame.com/ciencia/vacina-contra-covid-19-tudo-sobre/

https://www.cnnbrasil.com.br/saude/2020/12/17/o-que-sabemos-sobre-a-vacina-da-moderna-e-como-ela-difere-da-vacina-da-pfizer

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7405756/pdf/12249_2020_Article_1744.pdf

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7472682/pdf/41577_2020_Article_434.pdf

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7837315/pdf/main.pdfhttps://www.ufsm.br/midias/arco/como-funcionam-pesquisas-criacao-vacina/

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