Anatomia de órgãos e sistemas

Entenda as doenças degenerativas na coluna vertebral e no disco intervertebral | Colunistas

Entenda as doenças degenerativas na coluna vertebral e no disco intervertebral | Colunistas

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As doenças degenerativas da coluna vertebral abrangem diversos processos de doenças que causam instabilidade da coluna vertebral com o processo de degeneração das vértebras. Um exemplo bem comum na prática clínica diária são os processos degenerativos do disco intervertebral, que geralmente afetam o núcleo pulposo e influenciam na biomecânica de toda a coluna. A incidência das doenças degenerativas na coluna vertebral aumenta de acordo com o envelhecimento da população, dessa forma, é importante que os médicos estejam atentos aos sinais e sintomas do paciente, saibam quais exames complementares solicitar e que também estejam atualizados sobre as melhores propostas terapêuticas para o paciente.

Epidemiologia

Sabe-se que a dor é um sintoma comum entre os pacientes com doença degenerativa da coluna vertebral. Entretanto, a lombalgia e a dor no pescoço são problemas comuns da população adulta e idosa, que causam grande incômodo social, psicológico e econômico. Estima-se que 50% a 80% dos adultos experimentam ao menos um episódio de dor nas costas durante a vida, sendo que a dor lombar atinge todas as idades e é uma das principais causas de incapacidade na população trabalhadora adulta. Os fatores de risco para o desenvolvimento de dor na coluna são muitos, por exemplo: atributos físicos, status socioeconômico, estado psicológico, fatores ambientais e ocupacionais.

Além disso, estima-se que houve um aumento na quantidade de procedimentos cirúrgicos na coluna entre os anos de 2002 a 2009, sendo que, neste período, contabilizou-se mais de um milhão de cirurgias na coluna cervical, com um aumento significativo na idade média dos pacientes submetidos à cirurgia.

Patogênese e fisiopatologia

A etiologia das doenças degenerativas da coluna vertebral é multifatorial, sendo que um preditor consistente e único ainda não foi encontrado. Elas podem ocorrer, por exemplo, devido a alterações genéticas, estresse mecânico, danos secundários a estresse mecânico (como fraturas e cirurgias na coluna vertebral), processos metabólicos significativos (como a osteocondrose), forças biomecânicas alteradas e doenças degenerativas do disco intervertebral. Todos os elementos anatômicos da coluna vertebral, incluindo os discos intervertebrais, articulações, ligamentos e estruturas ósseas, podem sofrer alterações morfológicas que podem ser classificadas como degenerativas.

As doenças degenerativas do disco intervertebral também podem ser causadas por diversos fatores, como: estresse mecânico, lesões traumáticas, mutações genéticas e deficiência nutricional. Esses processos degenerativos envolvem as mudanças na quantidade e na qualidade das células que compõem as estruturas do disco intervertebral e que afetam a sua integridade, sendo que essas doenças degenerativas levam a alterações funcionais com maior suscetibilidade a lesões.

As lesões degenerativas do disco intervertebral podem ser classificadas como aguda, subaguda ou crônica. Lesões agudas ocorrem no estágio inicial da doença degenerativa, quando aumentos agudos na pressão intradiscal causam a ruptura das fibras. Lesões subagudas estão associadas às dores nas costas, que geralmente são descritas com piora na posição em pé e melhora quando está deitado. A dor piora quando o material do disco migra perifericamente à medida que a pressão intradiscal aumenta (na posição em pé), mas melhora quando a pressão intradiscal cai (quando está deitado). Já as lesões crônicas persistem devido à alta pressão intradiscal que empurra o material do núcleo pulposo para fora do disco, entretanto, as fibras do anel fibroso sofrem alterações degenerativas avançadas e perdem a capacidade de recuo, por isso, não há alívio da dor quando o paciente deita.

Clínica

A clínica de um paciente com doença degenerativa da coluna vertebral pode variar de acordo com a extensão da degeneração e da localização da vértebra acometida, sendo que o sintoma comumente referido entre os pacientes com degeneração vertebral é a dor. Dessa forma, os sintomas que os pacientes frequentemente referem são: ciatalgia, claudicação neurogênica, alterações sensitivas e/ou motoras em membros inferiores (podendo ser bilateral ou unilateral), lombalgia, dor ciática crônica, fadiga, sensação de peso nas pernas, parestesias, câimbras e bexiga neurogênica.

O exame neurológico do paciente costuma ser normal, mas pode ter alterações se o paciente for solicitado para caminhar além do limite de conforto. Em alguns casos, pode-se encontrar um indício de fraqueza motora ou alteração sensitiva diminuída.

Exames de imagem

Alguns anos atrás, o raio-X era a única modalidade de exame de imagem da coluna vertebral na posição vertical. Atualmente, a ressonância magnética fornece a maior variedade de informações e o delineamento mais preciso das estruturas de tecido mole e óssea. Porém, os exames convencionais de ressonância magnética da coluna podem resultar em laudos negativos, pois estes exames tradicionais são realizados na posição supina e em repouso funcional, entretanto, a instabilidade da coluna vertebral geralmente é evidenciada pela postura ereta. Dessa forma, a RM cinética (kMRI) pode auxiliar na superação desta limitação dos exames tradicionais, uma vez que ela pode obter imagens de pacientes em uma posição de suporte de peso e em posições flexionadas e estendidas, revelando anormalidades que não são percebidas pelos outros exames de ressonância magnética.

Na degeneração dos discos intervertebrais, o processo degenerativo geralmente começa no núcleo pulposo. À medida que a degeneração progride, o núcleo pulposo torna-se dessecado e, por ter que suportar um peso maior, o anel fibroso sofre alterações morfológicas para refletir a crescente tensão que suporta. Na ressonância magnética, vê-se o sinal hiperintenso do núcleo em imagens ponderadas e o fenômeno do vácuo (que se manifesta como um vazio causado por acúmulo de nitrogênio), sendo que o acúmulo de fluido no disco está altamente associado à presença do fenômeno do vácuo. Em longo prazo, as alterações degenerativas podem levar à calcificação do disco intervertebral, refletindo em uma imagem mais densa na ressonância magnética, sendo este um exame eficaz para diferenciar discos saudáveis, envelhecidos e degenerados.

Diagnóstico

O diagnóstico é feito por um médico especialista a partir da associação entre a clínica do paciente e exames de imagem complementares. A solicitação de exames de imagem, como a ressonância magnética, é importante para a confirmação do diagnóstico e para descartar diagnósticos diferenciais, como as alterações vasculares; e, também, para definir com maior precisão a localização da lesão degenerativa. Além disso, os exames complementares associados a uma anamnese detalhada auxiliam na definição da possível etiologia da doença degenerativa da coluna vertebral. 

Tratamento

Uma alternativa para o tratamento da doença degenerativa da coluna é a cirurgia de fusão, indicada principalmente nos casos de degeneração da coluna lombar. Os avanços na técnica cirúrgica e na seleção dos pacientes continuam até os dias de hoje, sendo exemplos desses avanços: a instrumentação, as abordagens cirúrgicas, os produtos biológicos e, mais recentemente, o planejamento operatório. Além do tratamento conservador e cirúrgico padrão, as técnicas de terapia regenerativa estão se tornando muito promissoras, embora ainda estejam em fase experimental.

Conclusão

Torna-se evidente, portanto, que o tratamento das doenças degenerativas da coluna vertebral torna-se mais prevalente à medida que a população envelhece, sendo um problema para o sistema de saúde. Dessa forma, é importante que o diagnóstico seja feito precocemente e que campanhas de prevenção sejam realizadas, como: incentivo a ter a postura correta da coluna no dia a dia, prevenir acidentes que possam resultar em fraturas e cirurgias, evitar carregar peso, fazer atividade física, procurar atendimento médico – além disso, as empresas devem investir em equipamentos e mobiliários adequados para os funcionários. Essas medidas têm como objetivo reduzir as sequelas causadas pela degeneração vertebral, melhorar a qualidade de vida do paciente e minimizar as causas de incapacidade produtiva na população trabalhadora adulta.

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto

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Referências:

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