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Eritropoiese | Colunistas

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Gabriela Rosa S. Costa

8 min há 147 dias

Você já parou para pensar em como nossas hemácias se formam e o que faz essas células serem tão especiais para nosso corpo? A resposta dessa pergunta está contida em um processo chamado eritropoiese, o qual compreende a produção e maturação de hemácias, também chamadas de glóbulos vermelhos ou eritrócitos.

Esse processo dura entre 7 e 8 dias, ocorrendo em meio intrauterino a partir da segunda semana de fecundação, ainda no saco vitelínico. Conforme o desenvolvimento fetal, no segundo trimestre de gravidez, a produção passa a ser no fígado e, a partir do terceiro trimestre, até o fim da vida do indivíduo, ela ocorrerá na medula óssea. Em alguns casos, como anemias hemolíticas crônicas, essa passa a ocorrer no baço ou no fígado.

Fases da eritropoiese

Para facilitar o estudo da produção e maturação dos eritrócitos, sua gênese foi dividida em fases que levam em conta algumas características específicas. Confira:

Proeritroblasto

É a maior célula eritrocitária, com um núcleo que ocupa ⅘ de todo seu espaço e há também a presença de dois nucléolos. Rica em ribossomos, possui nenhuma ou pouca hemoglobina sintetizada. Sofre mitose e dá origem a dois eritroblastos basófilos.

Eritroblasto basófilo

Com a mitose do proeritroblasto, ocorre diminuição do tamanho celular. O tamanho ocupado pelo núcleo na célula também diminui e permite-se a observação de cromatina distribuída homogeneamente em seu núcleo. Há início da síntese de hemoglobina nessa fase.

Eritroblasto policromático e ortocromático

Nessa fase há um considerável aumento na produção de hemoglobina na célula, além de uma considerável diminuição do núcleo, que passa a compor ¼ de seu tamanho original quando passamos para a fase de eritroblasto ortocromático. Nesta, observa-se um deslocamento do núcleo celular até a periferia da membrana, onde ocorre a extrusão desse. Após essa ocorrência, a célula passa a ser um reticulócito.

Reticulócito

Anucleado, contém porções de complexo de Golgi, mitocôndrias e ribossomos, porém durante essa fase ocorre a perda desses. A célula dessa fase atua como uma resposta do sistema eritropoiético a um grave estresse, como anemia aguda ou injeções de vitamina B-12, ferro ou eritropoietina.

Eritrócito

Célula principal do transporte de gases no corpo humano, possui forma discoide e bicôncava, o que facilita a troca gasosa com ela. Desprovida de organelas e núcleo, tem como principal proteína citoplasmática a hemoglobina, a qual será citada mais a frente. Com um ciclo celular de, aproximadamente, 120 dias.

Destruição do eritrócito

Conforme o envelhecimento do eritrócito, ocorre uma desestruturação proteica que envia sinais para que macrófagos reconheçam eritrócitos velhos e promovam a fagocitose desses. Esse reconhecimento é possível pois há diminuição da atividade metabólica do glóbulo vermelho e oxidação da hemoglobina sintetizada nesse. Dessa forma, anticorpos IgG autólogos e complementares realizarão a fagocitose. As proteínas e os fosfolipídios da membrana serão digeridos, o grupo heme irá liberar seu ferro constituinte e esse irá compor a bilirrubina, e a globina será reutilizada para síntese de novos aminoácidos.

Tabela 1: Duração aproximada desses tipos celulares:

CélulasTempo médio (h)
Proeritroblasto20
Eritroblasto basófilo40
Eritroblasto policromático e ortocromático24
Reticulócito72
Eritrócito120 dias

Fatores importantes para a eritropoiese

Eritropoietina

É um hormônio glicoproteico produzido pelas células justaglomerulares renais. Possui sensibilidade ao nível de oxigenação no sangue, logo, quando há uma hipóxia renal ou uma anemia, por exemplo, observa-se aumento dos níveis de eritropoietina no sangue, em busca de melhora no transporte de oxigênio no sangue, pois esse hormônio atua estimulando a medula óssea a produzir mais hemácias, a partir do reticulócito.

Um fato curioso é o uso desse hormônio como doping em atletas de alta performance, pois, com o aumento da oxigenação, há melhora na produção de energia aeróbica e, consequentemente, melhora de desempenho.

Vitamina B12 e ácido fólico

São componentes essenciais na produção de DNA no corpo humano, logo, sem eles, a divisão celular fica prejudicada, visto que haverá pouca ou nenhuma maturação do núcleo. Além disso, o formato celular também sofre alteração, sendo encontrados eritrócitos macro-ovalócitos, com vida útil de apenas ⅓ quando comparada a de uma hemácia normal.

Ferro

Está intimamente ligado à síntese de hemoglobina nos eritroblastos. Um fato que comprova isso é que 60% a 70% do ferro presente no corpo de um indivíduo adulto está incorporado a essa proteína. Pode ser obtido por meio da dieta e da reciclagem de hemácias envelhecidas em processo de destruição. Quando ocorre uma deficiência de ferro, automaticamente também há problemas na síntese de hemoglobina, gerando problemas de oxigenação sanguínea.

A eritropoiese está intimamente ligada à homeostase do ferro, uma vez que constitui o principal destino do ferro no organismo.

Hemoglobina

É uma proteína globular com função principal de transporte de oxigênio, podendo transportar outros gases também. Possui a seguinte estrutura:

Casos em que há eritropoiese ineficaz

Eritropoiese ineficaz corresponde à parcela dos eritroblastos que não completam seu desenvolvimento. Várias condições estão relacionadas à ocorrência dessa. O tratamento varia com a causa, podendo envolver suplementação de ferro, uso de eritropoietina recombinante ou reposição de ácido fólico e vitamina B12.

Anemias microcíticas

Resultam de uma síntese defeituosa de grupo heme ou globina, por deficiência em alguma parte do mecanismo de ferro. Pacientes com anemias microcíticas quase sempre devem fazer exames de depósitos de ferro.

Anemias normocíticas

Causada normalmente por hipoproliferação de hemácias devido a alguma deficiência quantitativa ou falha na resposta à eritropoietina ou devido a anemia por doença crônica, além da presença de distúrbios na medula óssea, tais quais anemia aplásica, por exemplo.

Anemias macrocíticas

Causadas por deficiência na síntese de DNA, como na ausência de vitamina B12 ou ácido fólico, anteriormente citados, além também de excesso no consumo de álcool ou doença hepática. Levam a um quadro de megaloblastose.

Conclusão

Conclui-se que a eritropoiese é um processo contínuo que se adequa às necessidades de cada indivíduo, mas é inegável sua importância para a manutenção da vida. Dessa forma, estudar essa área e suas implicações é de extrema importância para construção de um conhecimento plural a respeito do funcionamento do corpo humano.

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto

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