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Escala de coma de Glasgow | Colunistas

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Julya Pavão

6 min17 days ago

A Escala de Coma de Glasgow (ECG) foi publicada pela primeira vez na revista Lancet, em 1974, por Graham Teasdale e Bryan J. Jennett, ambos do Instituto de Ciências Neurológicas de Glasgow, na Escócia. O objetivo era fornecer uma metodologia de atendimento que apontasse tanto a profundidade do dano neurológico quanto a duração clínica de inconsciência e coma. A ECG tem como estratégia combinar os principais indicadores-chave de gravidade no traumatismo cranioencefálico (TCE) em uma escala simples.

Mais de quarenta anos depois, o neurocirurgião Sir Graham Teasdale conduziu um projeto que procurou entender o atual uso da escala e que foi incorporado nas novas diretrizes. As mudanças não pararam e nesse ano o neurocirurgião e sua equipe publicaram um estudo no Journal of Neurosurgery (publicação oficial da Associação Americana de Cirurgiões Neurológicos), acrescentando outro importante fator para ser medido na escala: a reatividade pupilar.

A modificação mais recente foi uma tentativa de obter melhores informações sobre o prognóstico no traumatismo cranioencefálico, incluindo a probabilidade de morte, já que o estudo realizado pelos pesquisadores revelou maior precisão na análise do estado de saúde do paciente. Nasceu, então, a versão mais recente da escala, denominada escala de coma de Glasgow com resposta pupilar (ECG-P)

Os resultados usando a escala orientam a tomada de decisão inicial e monitoram as tendências na capacidade de resposta, que são importantes para sinalizar a necessidade de novas ações.

Os valores devem ser registrados ao longo do atendimento, para que possam indicar a progressão do paciente. Em todos os segmentos observados pelo profissional de saúde, a primeira opção é uma resposta normal do paciente (nota máxima na escala) e a última uma reação inexistente ou “Ausente” (nota 1). É preciso marcar “NT” na pontuação caso não seja possível obter resposta do paciente por conta de alguma limitação.

Avaliação Ocular (AO):

4 – Espontânea: abre os olhos sem a necessidade de estímulo externo;

3 – Ao som: abre os olhos quando é chamado;

2 – À pressão: paciente abre os olhos após pressão na extremidade dos dedos (aumentando progressivamente a intensidade por 10 segundos);

1 – Ausente: não abre os olhos, apesar de ser fisicamente capaz de abri-los;

NT – Não testável: Olhos fechados devido ao fator local impossibilitar a AO.

Avaliação Verbal (AV):

5 – Orientada: consegue responder adequadamente o nome, local e data;

4 – Confusa: consegue conversar em frases, mas não responde corretamente as perguntas de nome, local e data;

3 – Palavras: não consegue falar em frases, mas interage através de palavras isoladas;

2 – Sons: somente produz gemidos;

1 – Ausente: não produz sons, apesar de ser fisicamente capaz de realizá-los;

NT – Não testável: não emite sons devido a algum fator que impossibilita a comunicação.

Avaliação Motora:

6 – À ordem: cumpre ordens de atividade motora (duas ações), como apertar a mão do profissional e colocar a língua para fora;

5 – Localizadora: eleva a mão acima do nível da clavícula em uma tentativa de interromper o estímulo (durante o pinçamento do trapézio ou incisura supraorbitária);

4 – Flexão normal: a mão não alcança a fonte do estímulo, mas há uma flexão rápida do braço ao nível do cotovelo e na direção externa ao corpo;

3 – Flexão anormal: a mão não alcança a fonte do estímulomas há uma flexão lenta do braço na direção interna do corpo;

2 – Extensão: há uma extensão do braço ao nível do cotovelo;

1 – Ausente: não há resposta motora dos membros superiores e inferiores, apesar de o paciente ser fisicamente capaz de realizá-la;

NT – Não testável: não movimenta membros superiores e/ou inferiores devido a algum fator que impossibilita a movimentação.

Avaliação Pupilar (atualização de 2018):

2 – Ambas as pupilas não reagem ao estímulo de luz;

1 – Uma pupila não reage ao estímulo de luz;

0 – Nenhuma pupila fica sem reação ao estímulo de luz.

Deve-se identificar fatores que podem interferir na capacidade de resposta do paciente. É importante considerar na sua avaliação se ele possui alguma limitação anterior ou devido ao ocorrido que o impede de reagir adequadamente naquele tópico (ex.: não esperar que um paciente surdo responda ao estímulo verbal).

Observe o paciente e fique atento a qualquer comportamento espontâneo dentro dos três componentes da escala. Caso o paciente não aja espontaneamente nos tópicos da escala, é preciso estimular uma resposta. Esse estímulo é feito da seguinte forma:

  • Peça (em tom de voz normal ou em voz alta) para que o paciente realize a ação desejada;
  • Aplique pressão na extremidade dos dedos, trapézio ou incisura supraorbitária.

Os estímulos que obtiveram a melhor resposta do paciente devem ser marcados em cada um dos três tópicos da escala. Se algum fator impede a vítima de realizar a tarefa, é marcado NT (não testável).  As respostas correspondem a uma pontuação que irá indicar, de forma simples e prática, a situação do paciente (Ex: E4, V2, M1 e P1 significando respectivamente a nota para ocular, verbal, motora e pupilar, com resultado final 6, ou seja, E4V2M1 – P1 = 6).

  • Suspenda cuidadosamente as pálpebras do paciente e direcione um foco de luz para os seus olhos. Registre a nota correspondente à reação ao estímulo. Esse valor será subtraído da nota obtida anteriormente, gerando um resultando final mais preciso.

Por fim, essas reações devem ser anotadas periodicamente para possibilitar uma visão geral do progresso ou deterioração do estado neurológico do paciente.

 Fonte: portalenf.com

Autora: Julya Pavão

Instagram: @julyapavao

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