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Escala de Glasgow | Colunistas

Escala de Glasgow | Colunistas

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Giovanna Fontes

6 minhá 190 dias

Definição

A escala de Glasgow é uma escala neurológica que foi criada com o intuito de avaliar o nível de consciência do paciente. Ela foi publicada na revista Lancet em 1974 por Graham Teasdale e Bryan J. Jannet, professores de neurologia da Univeristy of Glasgow. O objetivo era fornecer um método de atendimento que apontasse a profundidade do dano neurológico e duração clínica de inconsciência e coma. [2]

Nível de Consciência

O nível de consciência representa o grau de vigília do paciente, podendo estar preservada ou rebaixada. A vigília preservada inclui o paciente lúcido, vigil e consciente; já a rebaixada inclui o sonolento, obnubilado e torporoso. Para haver alteração no nível de consciência, é preciso acometer o sistema reticular (SARA) ou áreas extensas dos hemisférios cerebrais.

O rebaixamento de consciência em grau leve pode incluir: hipoprosexia (fala monótona), desorientação no tempo e espaço, pensamento empobrecido, dificuldade de compreensão e raciocínio, apatia e inibição psicomotora. Esse rebaixamento pode ser ocasionado por causas metabólicas ou estruturais. O paciente sonolento responde a estímulos verbais ou ao toque; já o obnubilado só responde a estímulos mais vigorosos; o torporoso, somente a estímulos dolorosos; e, por fim, o comatoso que não responde a nenhum tipo de estímulo.

Atualização da Escala

A escala de Glasgow, classicamente, é dividida em três parâmetros: abertura ocular, resposta verbal e resposta motora. Cada um desses critérios tem uma pontuação máxima de 4, 5 e 6, respectivamente. A partir disso, podemos identificar a situação do paciente, sendo 15 a pontuação máxima e 3 a mínima, representando o coma profundo com 85% de probabilidade de morte e em estado vegetativo.

Recentemente, em abril de 2018, a ECG teve seus parâmetros atualizados, havendo a inclusão da reatividade pupilar. Com isso, a escala passa a ter a pontuação mínima de 01 ao invés de 03, pois ao final do score a reatividade pupilar será subtraída:

  • Escore final = Abertura ocular [1 a 4] + Resposta verbal [1 a 5] + Resposta motora [1 a 6] – Reatividade Pupilar [0 a 2]. [3]

Diferentemente das outras pontuações, a reatividade pupilar possui o pior resultado com a maior pontuação e o melhor com a menor, sendo essa representada da seguinte forma:

  • 2 pontos – nenhuma reatividade em ambas as pupilas;
  • 1 ponto – sem reação em apenas uma das pupilas;
  • 0 pontos – caso as duas pupilas estejam funcionando normalmente.

É importante ressaltar que essa atualização ainda não está totalmente disseminada, muitos profissionais continuam utilizando a escala antiga, ou seja, sem a reatividade pupilar. Confira as atualizações aqui.

Pontuação

Imagem 01: http://instrumentadorasdeplantao.com.br/escala-de-glasgow/

 Abertura ocular

Abertura ocular espontânea significa que o paciente já tem os olhos abertos antes de realizar o exame; na abertura ocular a estímulos verbais, o paciente abre os olhos após ouvir um som ou ser chamado; já na abertura ocular a estímulos dolorosos o paciente só abre os olhos após sentir uma pressão no corpo; na ausente, o paciente continua de olhos fechados e não responde a nenhum estímulo.

“Não testável” significa que o paciente está, de alguma maneira, impossibilitado de realizar aquele exame.

Resposta verbal

“Orientado” é aquele paciente que responde adequadamente às perguntas do profissional de saúde, como nome, local e data; “confuso” é aquele que responde às perguntas de maneira incorreta, por exemplo, é perguntado ao paciente qual a data de hoje e ele responde o nome de uma comida; “palavras inapropriadas” diz respeito ao paciente que solta palavras desconexas formando frases sem sentido; “sons ininteligíveis” é aquele que não consegue falar, emite apenas gemidos; “ausente” não emite sons. “Não testável” já foi explicado anteriormente.

Resposta motora

“Obedece a comandos verbais” é o paciente que cumpre ordens relacionadas à atividade motora, como “bata palmas”, “aperte o meu dedo”; “localiza estímulos” é aquele que consegue perceber o local estimulado; na “retirada inespecífica” o paciente não localiza o estímulo, mas consegue fazer o reflexo para cessá-lo.

A rigidez de decorticação corresponde ao padrão flexor; o paciente realiza a flexão das mãos e antebraço, plantar, adução do braço e rotação interna da coxa. A rigidez de descerebração, por sua vez, é o padrão extensor, no qual ocorre uma adução do braço, extensão do cotovelo, pronação do antebraço, flexão da mão e flexão plantar.

Imagem 02: http://fisioterapiahumberto.blogspot.com/2017/11/posturas-de-decorticacao-e-descerebracao.html

Interpretação dos pontos

A lesão do paciente é considerada leve caso a pontuação seja entre 13-15, moderada entre 9-12 e grave de 3-8. A partir de 8 pontos, a intubação orotraqueal é obrigatória, a fim de proteger as vias áreas do paciente.

Uma pontuação abaixo de 3 representa o paciente comatoso, ou seja, não responde a nenhum estímulo e não faz contato com o ambiente. Já uma pontuação igual ou > 9 não exige intubação orotraqueal, porém é necessário o acompanhamento para verificar a evolução do paciente.

É importante lembrar que nem todos os pacientes com as mesmas pontuações terão os mesmos sintomas, pois o resultado pode vir de diferentes indicadores.

Conclusão

Um estudo internacional sobre a escala de Glasgow concluiu que é preciso intervenções e elaboração de manuais para manutenção e aprimoramento da avaliação da consciência por meio da ECG. Esse estudo foi feito com a aplicação de 12 questões para testar o conhecimento de 127 enfermeiros sobre o score.

Com isso, é possível perceber que a capacitação dos profissionais de saúde para aplicação dessa escala faz-se mais que necessária, visto que ela é essencial para o acompanhamento do paciente.

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