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Especialistas discutem COVID-19 – Remdesivir, Vacinas e Mais

Especialistas discutem COVID-19 – Remdesivir, Vacinas e Mais

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Sanar Medicina

6 min há 290 dias

Neste post pretendemos trazer a opinião de diversos especialistas do mundo em assuntos centras na pandemia da COVID-19, envolvendo cuidado clínico, saúde pública e vigilância sanitária. Os assuntos foram discutidos em entrevista ao vivo feita pelo editor chefe do jornal JAMA Network, e nos ajuda a entender como os médicos estão aplicando o conhecimento científico que tem sido descoberto ao longo da pandemia. Os tópicos estarão divididos de acordo com o tema das perguntas feitas aos entrevistados, e logo abaixo estará resumo da opinião fornecida pelo especialista.

Sobre aerossol versus gotículas e transmissão da COVID-19

Rochelle Walensky, chefe da divisão de doenças infecciosas do Massachusetts General Hospital, acredita que o SARS-CoV-2 é transmitido por gotículas. No entanto, houve vários estudos e casos que demonstram possibilidade de transmissão também por aerossol.

Quando se pensa em aerossol versus gotículas, está se pensando em máscara cirúrgica versus N95. Mas Rochelle quis deixar claro que não precisamos todos andar com uma máscara N95. Ela ressalta que até mesmo a OMS não exigiu isto, mas sim mais ventilação, filtração do ar e menos aglomeração.

Sobre o antiviral Remdesivir

Ainda de acordo com Rochelle, ela acredita que atualmente o Remdesivir é a melhor opção disponível para aqueles que não estão tão doentes para merecer dexametasona. Quando alguém se dirige ao hospital porque precisa de oxigênio, esta é a hora de usá-lo.

Uma vez que a doença progrida para um estágio mais grave, quando a resposta imune inflamatória leva o paciente para a unidade intensiva, aí entraria a dexametasona, que de fato demonstrou redução de mortalidade que não foi vista com o Remdesivir.

Além disso, uma coisa importante ressaltada foi o preço da droga. Enquanto a dexametasona é uma droga muito barata e acessível, o mesmo não pode ser dito do Remdesivir.

Sobre uma vacina para COVID-19

Michael Osterholm, diretor do centro de vigilância e pesquisa de doenças infecciosas da Universidade de Minnesota, declarou que a vacina é apenas uma vacina, e não significa nada até a vacinação.

Ele expressou sua preocupação no modo como o processo de vacinação ocorrerá, como será entregue, e de como será suprida a demanda. Bilhões de doses serão requeridas num dado momento, mas as companhias serão capazes de fornecer a quantidade requerida?

Já sobre a entrega das vacinas, tem se falado sobre ser realizada por serviço militar, o que, na opinião de Michael e de diversos colegas seus, não parece ser uma boa ideia.

Sobre o uso de máscaras

Robert Redfield, diretor do CDC, acredita que os dados são muito claros apontando o uso da máscara como efetivo, seja o escudo facial, uma simples máscara cirúrgica ou máscara usada em ambientes clínicos.

Para ele, caso seja usada de forma apropriada e rigorosa, o uso da máscara por todos americanos poderia trazer a epidemia sob controle dentro de 4 a 8 semanas.

Sobre prioridades conflitantes na COVID-19

Flavia Machado, chefe do setor de cuidados intensivos da Universidade Federal de São Paulo, opinou sobre a necessidade de nos preparamos para a realidade, que já está acontecendo. Segundo ela, no hospital onde trabalha, caso o paciente tenha COVID-19, você conseguirá leito de UTI. Mas se o paciente não tem COVID-19, é muito mais difícil conseguir o leito.

Portanto, nos hospitais onde atende-se pacientes com e sem COVID-19, segundo ela, as coisas estão ficando piores para aqueles que não são COVID-19.

As cirurgias eletivas estão voltando a acontecer, e estamos começando a se mover novamente, e precisamos estar preparados para isso, não por apenas 2, 3 ou 4 meses, mas até que uma vacina esteja amplamente disponível.

Então, segundo Flavia, pelos próximos 1 ou 2 anos, precisamos aprender a ter rotas de COVID-19 e não COVID-19. E os desafios de manter as duas rotas funcionando permanecerá por longo período.

O que é único na pandemia da COVID-19

Kalpalatha Guntupalli, chefe no Ben Taub Hospital do Baylor College of Medicine, acredita que uma das coisas peculiares da pandemia da COVID-19 é o fato de uma mesma doença estar enchendo hospitais inteiros.

Ela lembra-se de quando havia 36 pacientes com H1N1 para 16 leitos. Mas agora há o hospital inteiro para COVID-19. Cem pacientes com a mesma doença.

Ela também citou a crise médica enfrentada, onde profissionais desejavam se voluntariar, mas não podiam porque eram necessários também no próprio hospital em que trabalhavam. Além disso, se pergunta quando foi que vimos estádio de esportes, ou até mesmo o Central Park, se tornarem hospitais?

Para ela, esta epidemia é ocorrência única no século. Ressalta que os desafios vão além dos pacientes, que há muita coisa acontecendo em várias frontes, como por exemplo os próprios residentes, que estão sendo desafiados e respondendo com bastante profissionalismo, o que a deixa orgulhoso.

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