Medicina da Família e Comunidade

Esqueleto axial: ossos da cabeça e da coluna vertebral | Colunistas

Esqueleto axial: ossos da cabeça e da coluna vertebral | Colunistas

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Imagem de perfil de Sofia Cisneiros

Confira neste texto o que você precisa saber sobre esqueleto axial!

Crânio

Uma série de ossos forma suas duas partes: neurocrânio e viscerocrânio.  O neurocrânio em adultos é formado por uma série de oito ossos: quatro ossos ímpares centralizados na linha mediana (frontal, etmoide, esfenoide e occipital) e dois pares de ossos bilaterais (temporal e parietal). Ele tem um teto em forma de cúpula, a calvária, e um assoalho ou base do crânio.  

O etmóide é um osso irregular que forma uma parte mediana pequena do neurocrânio, mas faz parte principalmente do viscerocrânio.   A maioria dos ossos da calvária é unida por suturas entrelaçadas  fibrosas; entretanto, durante a infância, alguns ossos (esfenóide e occipital) são unidos por cartilagem hialina (sincondroses).

O viscerocrânio (esqueleto facial) compreende os ossos da face que formam a parte anterior do crânio e consiste nos ossos que circundam a boca (maxila e mandíbula), nariz, e a maior parte das órbitas.

Viscerocrânio

O viscerocrânio é formado por 15 ossos irregulares: 

  • Três ossos ímpares centralizados ou situados na linha mediana (mandíbula, etmoide e vômer); 
  • Seis ossos pares bilaterais (maxilas; conchas nasais inferiores; e zigomáticos, palatinos, ossos nasais e lacrimais).

Vários ossos do crânio (frontal, esfenóide e etmóide) são  ossos pneumáticos,  contendo espaços aéreos. 

Vista anterior do crânio 

A  vista frontal (facial) ou anterior do crânio  é formada pelos ossos frontal e zigomático, órbitas, região nasal, maxila e mandíbula.  O frontal,  especificamente  sua  escama  (parte plana), forma o esqueleto da fronte, articulando-se na porção inferior com o osso nasal e o zigomático.  A interseção dos ossos frontal e nasal é o násio que, na maioria das pessoas, está relacionada a uma área visivelmente deprimida. 

O osso frontal também se articula com o lacrimal, etmoide e esfenoide; uma parte horizontal do osso (parte orbital) forma o teto da órbita e uma porção do assoalho da parte anterior da cavidade do crânio.  A incisura supraorbital, o forame infraorbital e o forame mentual, que dão passagem aos principais nervos sensitivos da face, formam uma linha quase vertical. 

Os zigomáticos que  formam  as proeminências das bochechas, situam-se nas paredes inferior e lateral das órbitas, apoiados sobre as maxilas. Um pequeno forame zigomaticofacial perfura a face lateral de cada osso. Os zigomáticos articulam-se com o frontal, o esfenóide, o temporal e a maxila.

Inferiormente aos ossos nasais está a abertura piriforme, a abertura nasal anterior no crânio. O septo nasal ósseo pode ser observado através dessa abertura, dividindo a cavidade nasal em partes direita e esquerda. Na parede lateral de cada cavidade nasal há lâminas ósseas curvas, as conchas nasais.

Vista lateral do crânio 

Os principais constituintes são a fossa temporal, o poro acústico externo do meato acústico externo, o processo mastóide do temporal, a fossa infratemporal, o arco zigomático e as faces laterais da maxila e mandíbula. O arco zigomático é formado pela união do processo temporal do zigomático com o processo zigomático do temporal.  

O poro acústico externo é a entrada do meato acústico externo, que leva à membrana timpânica (tímpano). O processo mastóide do temporal situa-se posteroinferiormente ao poro acústico externo do meato. Anteromedialmente ao processo mastoide há o processo estilóide do temporal, uma projeção fina, pontiaguda, semelhante a uma agulha. 

Vista posterior do crânio 

A vista occipital ou posterior do crânio é formada pelo osso occipital, partes dos parietais e partes mastóideas dos temporais. No centro do osso occipital, o lambda indica a junção das suturas sagital e lambdóidea. Às vezes o lambda é palpado como uma depressão. Pode haver um ou mais ossos suturais (ossos acessórios) no lambda ou perto do processo mastoide.

Vista superior do crânio 

A sutura coronal separa o frontal e os parietais, a sutura sagital separa os  parietais e a  sutura  lambdóidea  separa os parietais e temporais do occipital. O  bregma  é o ponto de referência craniométrico formado pela interseção das suturas sagital e coronal.

O vértice, o ponto mais alto da calvária, está perto do ponto  médio  da  sutura  sagital.  O forame parietal  é  uma abertura pequena e inconstante localizada na região posterior do parietal, perto  da  sutura  sagital;  pode  haver dois forames parietais. 

Vista inferior da base do crânio 

É constituída pelo  arco alveolar da maxila  (a margem livre dos processos alveolares que circundam e sustentam os dentes maxilares); pelos processos  palatinos  das  maxilas;  e pelo palatino, esfenóide, vômer, temporal e occipital. Encaixado entre o frontal, o temporal e o occipital está o  esfenóide,  um osso ímpar irregular formado por um corpo e três pares de processos: asas maiores, asas menores e processos pterigoides. 

As quatro partes do occipital  são dispostas ao redor do forame magno, o elemento mais visível da base do crânio Nas partes laterais do occipital há duas grandes protuberâncias, os  côndilos occipitais,  por  intermédio  dos  quais o crânio articula-se com a coluna vertebral. 

Imagem 01: Ossos do crânio e da face. Fonte: https://bit.ly/2GxMTlu

Coluna Vertebral

A coluna vertebral, também chamada de espinha ou coluna espinal é composta por uma série de ossos chamados vértebras. A coluna vertebral é composta de osso e tecido conjuntivo, a medula espinal que ela encerra e protege consiste em tecido nervoso e conjuntivo. 

A coluna vertebral atua como uma forte haste flexível com elementos que podem promover movimentos em direção anterior, posterior, lateral e ainda de rotação. Além de encerrar e proteger a medula espinal, a coluna vertebral sustenta a cabeça e serve de ponto de fixação para as costelas, o cíngulo dos membros inferiores e músculos do dorso e membros superiores.

A coluna vertebral de um adulto apresenta 26 vértebras. O número total de vértebras durante o desenvolvimento inicial é de 33. Conforme a criança vai crescendo, várias vértebras nas regiões sacral e coccígea se fundem. 

Distribuídas da seguinte maneira:

  • 7 vértebras cervicais na região do pescoço;
  • 12 vértebras torácicas posteriores à cavidade torácica;
  • 5 vértebras lombares que sustentam a parte inferior da coluna;
  • 1 sacro que consiste em 5 vértebras sacrais fundidas;
  • 1 cóccix que, em geral, é composto por 4 vértebras coccígeas fundidas;

Quando observada em vista anterior, a coluna vertebral adulta normal parece reta. No entanto, quando analisada em perfil, ela revela quatro curvaturas chamadas de curvaturas normais. Em relação à parte ventral do corpo, as curvaturas cervical e lombar são convexas; as curvaturas torácica e sacral são côncavas. 

As curvaturas da coluna vertebral aumentam sua resistência, auxiliam a manutenção do equilíbrio na posição ereta, absorvem choques durante a caminhada e ajudam a proteger as vértebras de fratura.

Três curvaturas anormais – cifose, lordose e escoliose;

Discos intervertebrais

Os discos intervertebrais são encontrados entre os corpos de vértebras adjacentes, desde a segunda vértebra cervical até o sacro e constituem cerca de 25% da altura da coluna vertebral.  Cada disco apresenta um anel fibroso externo composto de fibrocartilagem chamado de anel fibroso e uma substância interna macia e altamente elástica chamada de núcleo pulposo. 

As faces superior e inferior do disco são cobertas por uma fina lâmina de cartilagem hialina. Os discos formam articulações fortes, possibilitam vários movimentos da coluna vertebral e absorvem impactos verticais. Sob compressão, se achatam e se alargam.

Partes de uma vértebra

Corpo vertebral

O corpo vertebral, a espessa porção anterior em forma de disco, é a parte que sustenta o peso da vértebra. Suas faces superior e inferior são rugosas para a fixação dos discos intervertebrais cartilaginosos. As faces anterior e lateral contêm os forames nutrícios, aberturas para os vasos sanguíneos que fornecem nutrientes e oxigênio e removem dióxido de carbono do tecido ósseo.

Arco vertebral

Dois processos curtos e espessos, os pedículos, se projetam posteriormente a partir do corpo vertebral e, em seguida, se unem às lâminas planas para formar o arco vertebral. O arco vertebral se estende para trás a partir do corpo da vértebra;

Juntos, o corpo vertebral e o arco vertebral circundam a medula espinal, formando o forame vertebral. O forame vertebral contém a medula espinal, tecido adiposo, tecido conjuntivo areolar e vasos sanguíneos. 

Coletivamente, os forames vertebrais de todas as vértebras formam o canal vertebral. Os pedículos exibem entalhes superiores e inferiores chamados incisuras vertebrais. Quando as incisuras vertebrais estão empilhadas, formam uma abertura entre as vértebras nos dois lados da coluna. Cada abertura, chamada forame intervertebral, permite a passagem de um único nervo espinal que leva e traz informações da medula espinal.

Processos

Sete processos têm origem no arco vertebral. No local onde a lâmina e o pedículo se unem, um processo transverso se estende lateralmente a cada lado. Um único processo espinhoso se projeta para trás a partir da junção das lâminas. Esses três processos servem de pontos de inserção muscular. 

Os quatro processos restantes formam articulações com outras vértebras superiores ou inferiores. Os dois processos articulares superiores de uma vértebra se articulam com os dois processos articulares inferiores da vértebra imediatamente superior a ela. Por sua vez, os dois processos articulares inferiores da vértebra se articulam com os dois processos articulares superiores da vértebra logo abaixo dela e assim por diante. 

As superfícies articulares dos processos articulares, chamadas de faces articulares, são cobertas por cartilagem hialina. As articulações formadas entre os corpos vertebrais e entre as faces articulares de vértebras sucessivas são chamadas de articulações intervertebrais.

Regiões da coluna vertebral

As regiões são: cervical, torácica, lombar, sacral e coccígea. 

Cervical

As sete vértebras cervicais caracterizam-se por seu pequeno tamanho e pela presença de um forame em cada processo transverso. Uma vértebra cervical típica tem as seguintes características:

  • O corpo vertebral é curto em altura e tem forma quadrada quando visto de cima, com superfície superior côncava e superfície inferior convexa;
  • Cada processo transverso tem forma de calha e é perfurado por um forame transversário redondo;
  • O processo espinhoso é curto e bífido;
  • O forame vertebral tem forma triangular;

Atlas e áxis

A vértebra Cl (o atlas) articula-se com a cabeça. Sua principal característica distintiva é que não possui corpo vertebral. Cada massa lateral articula-se acima com um côndilo occipital do crânio e, abaixo, com o processo articular superior da vértebra CII (o áxis). A articulação atlantoccipital permite que se eleve e se abaixe a cabeça.

A superfície posterior do arco anterior tem uma fóvea articular para o dente do áxis.O dente do áxis é mantido na posição por um forte Iigamento transverso do atlas, posterior a ele. A superfície anterior do dente tem uma face oval para articulação com o arco anterior do atlas. 

As duas superfícies súpero-laterais do dente possuem impressões circulares que servem como pontos de fixação para os fortes ligamentos alares, um a cada lado, que ligam o dente às superfícies mediais dos côndilos occipitais. 

Vértebras torácicas

As 12 vértebras torácicas são todas caracterizadas por sua articulação com as costelas. Uma vértebra torácica típica tem duas fóveas parciais (fóveas costais superior e inferior) a cada lado do corpo vertebral para articulação com a cabeça de sua própria costela e com a cabeça da costela abaixo.

Cada processo transverso também tem uma fóvea (fóvea costal do processo transverso) para articulação com o tubérculo de sua própria costela.

Vértebras lombares

As cinco vértebras lombares distinguem-se das vértebras em outras regiões devido ao seu tamanho grande. Também não possuem fóveas para articulação com as costelas.

Os processos transversos, em geral, são finos e longos, com exceção daqueles na vértebra LV, que são maciços e mais ou menos em forma de cone para fixação dos ligamentos iliolombares na conexão com os processos transversos e os ossos do quadril.

Sacro

O sacro é um osso único que representa as cinco vértebras sacrais fundidas. Tem a forma triangular, com o ápice apontado inferiormente e curva-se de modo a apresentar a face anterior còncava e a face posterior convexa.

Articula-se superiormente com a vértebra LV e inferiormente com o cóccix. Tem duas grandes faces (auriculares) em forma de L, uma em cada superfície lateral, para articulação com os ossos do quadril. A face posterior do sacro tem quatro pares de forames sacrais posteriores, e a face anterior, quatro pares de forames sacrais anteriores para a passagem dos ramos posteriores e anteriores, respectivamente, dos nervos espinais SI a S4.

Cóccix

O cóccix é um pequeno osso triangular que se articula com a extremidade inferior do sacro e representa vértebras coccígeas fundidas em número de um a quatro. Caracteriza – se por seu tamanho pequeno e pela ausência de arcos vertebrais e, portanto, de um canal vertebral.

Autor(a): Sofia Cisneiros Alves de Oliveira – @sofiacisneiros

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Referências:

MOORE, K L.; DALLEY, A F.; AGUR, A M. R. Anatomia Orientada para a Clínica. 7 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014.

TORTORA, G J.; NIELSEN, M T. Princípios de Anatomia Humana. 12 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2013.