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Estamos no começo do fim da pandemia? | Colunistas

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Larissa Araújo Teixeira

6 min há 24 dias

Quando a pandemia vai acabar? É visível o avanço da vacinação no nosso país, mas será possível datar um fim? O que a Organização Mundial da Saúde (OMS) diz sobre o assunto? Hodiernamente, essas perguntas e muitas outras se fazem presentes na cabeça de milhões de brasileiros, que almejam o tão esperado fim da pandemia. Por isso, iremos esclarecer para você se há possibilidade de estarmos no começo do fim da pandemia.

OMS “tá on”

Em março de 2020, a Organização Mundial de Saúde decretou a pandemia da COVID-19¹. A partir disso, o mundo procura realizar as devidas medidas para o enfrentamento da mesma, desde o isolamento social até a vacinação. Com o avanço desta, há questionamentos sobre o sonhado dia em que voltaremos à vida pré-pandemia. Entretanto, a vice-diretora geral da OMS, Mariângela Simão, afirmou que o vírus ainda circula na população e é comprobatório que não seja decretado o fim no ano de 2021, uma vez que ainda não temos toda a situação sob controle².

Apesar do inacabado descontrole, a OMS acredita que, paulatinamente, a reabertura de determinados locais e a volta das atividades sociais com restrições pode ser feita. Um exemplo é a reocupação das escolas pela garantia ao acesso de uma educação efetiva nos países e a retomada de viagens internacionais, sendo ambas as atividades realizadas com as devidas medidas preventivas³.

“Tá passada?”

Uma das medidas preventivas mais faladas nos últimos tempos é, indubitavelmente, a vacinação. Segundo o Our World In Data, o Brasil tem mais de 170 milhões de vacinas aplicadas e 55 milhões de pessoas imunizadas completamente. Não obstante, esse número representa 26,2% da população totalmente vacinada4, porcentagem que deixa o Brasil em uma posição de 68º lugar no ranking mundial5.

Figura 1. Vacinação contra a COVID-19.
Fonte: http://biblioteca.cofen.gov.br

Por conseguinte, é extremamente importante que esses números cresçam, visto que, a partir da vacinação, a população desenvolverá a intitulada imunidade coletiva ou imunidade de rebanho. Isso significa que mesmo as pessoas que não foram infectadas ou pessoas nas quais uma infecção não desencadeou uma resposta imune, elas estão protegidas indiretamente porque as pessoas ao seu redor que são imunes podem atuar como amortecedores entre elas e uma pessoa infectada. Não obstante, essa proteção contra a COVID-19 necessita de um limiar para ser estabelecida, o qual ainda não está claro na situação atual³. Porém, quanto mais pessoas vacinadas, maior a proximidade da imunização coletiva e, partindo desse pressuposto, o fim estará cada vez mais próximo!

“Saudades de sair né, minha filha?”

Há sinais de que as pessoas não vacinadas tendem a se envolver em comportamentos que têm maior probabilidade de espalhar o coronavírus, enquanto as pessoas vacinadas realizam com mais frequência ações que reduzem o risco de transmissão. A exemplo disso, a cidade de Los Angeles, no Sul da Califórnia, descobriu que pessoas não vacinadas foram responsáveis ​​por cinco vezes mais infecções e 29 vezes mais hospitalizações do que os indivíduos totalmente vacinados7.

Além disso, um estudo conduzido pela Universidade do Sul da Califórnia juntamente com o Departamento de Saúde Pública do Condado de Los Angeles mostrou que em uma coorte de 1.200 adultos, as pessoas não vacinadas tinham maior probabilidade de ir a bares e clubes, visitar amigos e familiares em casa e comparecer a reuniões, enquanto que as pessoas vacinadas eram mais propensas do que as não vacinadas a usar máscaras e evitar grandes reuniões ou apertos de mão7.

Inimigos do fim

Posto que é necessário a adesão da população com a vacinação, não é apenas isso que irá ajudar a chegar ao fim da pandemia. Ainda é preciso continuar seguindo as medidas de saúde pública, dentre elas a higienização das mãos, o distanciamento físico e o uso de máscaras devem permanecer por tempo indeterminado. A Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e a OMS recomendam que as referidas precauções contra a transmissão da COVID-19 sejam mantidas mesmo por quem já estiver vacinado, até que as pesquisas que resultem na redução dos números estatísticos de novos casos e óbitos e, por conseguinte, redução das taxas de contágio entre os indivíduos sejam conclusivas³.

Todavia, é concebível que o uso de máscaras será abolido quando houver uma porcentagem de, aproximadamente, 80% da população acima dos 18 anos imunizadas de maneira completa, considerando a taxa de eficácia das vacinas atuais. Logo, para que seja possível começar a pensar em um Brasil livre da obrigatoriedade do uso da máscara, é necessário que haja uma barreira imunológica, quando grande parte da conjuntura social já estiver desenvolvido anticorpos contra o novo coronavírus6.

“O fim está próximo!”

Contudo, ratifica-se a importância da continuidade das campanhas de vacinação para que a população adquira uma imunização completa e alcance a defesa contra a infecção da COVID-19, baseada em uma proteção coletiva. Apesar disso, ainda se faz indispensável a assiduidade com relação às medidas de prevenção do vírus, visto que são uma medida fundamental para suprimir a transmissão da COVID-19.

Sendo assim, a conscientização juntamente com a adesão da conjuntura social hodierna com relação as devidas medidas de saúde pública são imprescindíveis. Infelizmente, ainda não podemos datar um fim, porém, conclui-se que, somos nós os indivíduos responsáveis por, finalmente, tornar realidade o começo do fim da pandemia.

Autora: Larissa Araújo Teixeira

Instagram: @lariarauj_

Referências:

  1. World Health Organization (WHO). Coronavirus disease 2019 (COVID-19). Situation Report. 88 Genebra: WHO; 2020. https://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/331851/nCoVsitrep17Apr2020-eng.pdf?sequence=1&isAllowed=y
  2. Jornal da CBN. Vice-diretora geral da OMS diz que ainda não é possível falar sobre fim da pandemia. Brasil, 2021. https://cbn.globoradio.globo.com/media/audio/350203/vice-diretora-geral-da-oms-diz-que-ainda-nao-e-pos.htm
  3. Organização Mundial da Saúde (OMS), Organização Pan-americana da Saúde (OPAS). Folha informativa – COVID-19 (doença causada pelo novo coronavírus) 2020 abr [acessado 2020 Abr 17]. [cerca de 10 p.]. Disponível em: https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=6101:covid 19&Itemid=875
  4. Statistics and Research of Coronavirus (COVID-19) Vaccinations. Our World In Data.
    https://ourworldindata.org/covid-vaccinations?country=OWID_WRL
  5. Painel da Vacina: Brasil é o 68º país no ranking global e 4º no total de doses. CNN Brasil.
    https://www.cnnbrasil.com.br/saude/painel-da-vacina-brasil-68-pais-no-ranking-global-e-4-no-total-de-doses/
  6. Até quando será preciso usar a máscara contra a COVID-19?
    https://saude.ig.com.br/2020-08-01/ate-quando-pessoas-vao-usar-mascara-pandemia-novo-coronavirus-brasil.html

7.  Unvaccinated people, riskier behavior: What is fueling L.A.’s coronavirus surge. Los Angeles Times Journal.
https://www.latimes.com/california/story/2021-08-25/whats-fueling-la-covid-surge-how-can-vaccines-help

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