Alergologia e imunologia

Estudante e profissional da área de saúde: qual foi a última vez que você se vacinou? | Colunistas

Estudante e profissional da área de saúde: qual foi a última vez que você se vacinou? | Colunistas

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Gleiciane Miranda

5 min8 days ago

A vacinação é um mecanismo extremamente importante para a prevenção de doenças (individualmente) e para diminuir a propagação de agentes patogênicos entre os indivíduos de uma sociedade. A atual pandemia tem evidenciado ainda mais a importância desses conceitos. Uma população imunizada diminui os gastos com saúde, tanto em estabelecimentos públicos quanto em estabelecimentos privados de saúde, diminuindo a sobrecarga da rede de suporte e assistência aos enfermos. Ademais, previne a ocorrência de agravantes da saúde ao longo de toda a vida.

É, portanto, um valioso instrumento de promoção de saúde para todas as pessoas, incluindo o estudante e profissional da área de saúde, e deve ser utilizado sempre que possível.

Ao longo do tempo, a atuação do Programa Nacional de Imunizações alcançou consideráveis avanços ao consolidar a estratégia de vacinação nacional. O objetivo principal do PNI é de oferecer todas as vacinas com qualidade a todas as crianças que nascem anualmente no Brasil, tentando alcançar coberturas vacinais de 100% de forma homogênea em todos os municípios e em todos os bairros.

O Estatuto da Criança e do Adolescente reafirma o dever de a família buscar assegurar o direito à saúde dos menores, incluso o de receber as vacinações disponíveis no Sistema Único de Saúde para cada faixa etária. Cabe ao profissional de saúde questionar diretamente sobre a imunização dos seus pacientes, pedir a caderneta e verificar a efetivação disso sempre que fizer o atendimento de uma criança ou adolescente.

Saber a respeito do histórico vacinal deve fazer parte das anamneses em pediatria.

A imunização prévia pode ser relevante ainda durante a realização de atendimentos de adultos e idosos. E também diante de algumas situações especiais, como os acidentes envolvendo materiais biológicos ocorridos com estudantes e profissionais de saúde durante a atuação.

Questionar ativamente sobre o histórico vacinal pode assegurar a melhoria das condutas instituídas na prática clínica, independentemente da idade do paciente em questão. Qual a última vez que você, caro(a) colega, perguntou ao seu paciente se ele está com a caderneta de vacinação devidamente atualizada?

Não saber do potencial de gravidade das doenças preveníveis por meio das vacinas e não ter o domínio sobre aquelas que estão disponíveis sem custo para a população podem determinar despreocupação com o risco potencial dessas doenças e com a importância individual e coletiva das vacinas entre profissionais de saúde.

É extremamente necessário atualizar-se frequentemente sobre o PNI e também sobre as recomendações dadas pelas diferentes sociedades acerca das vacinas direcionadas para cada faixa etária (crianças, adolescentes, adultos, idosos) e para as diferentes condições dos indivíduos (gestantes, imunossuprimidos, pessoas com doenças crônicas). Os povos indígenas também devem receber um olhar diferenciado.

O conhecimento do estudante e do profissional de saúde com competência e segurança para esclarecer sobre o assunto é capaz de minimizar esse risco. A vacinação é um excelente mecanismo de promoção de saúde para todas as pessoas e devemos ter sempre isso em evidência.

Em decorrência do seu ofício, o profissional de saúde é exposto a agentes infecciosos que podem levá-lo ao risco de desenvolver (ele mesmo ou seus contatos — pacientes e familiares) doenças infecciosas. Estamos constantemente em contato com os mais variados micro-organismos patológicos. Portanto, vacinem-se! Isso é de inegável importância desde o período de formação acadêmica na área da saúde devido às vivências ocorridas já durante a profissionalização dos indivíduos. A imunização do trabalhador é tão essencial que está contemplada pela legislação específica. Além disso, de acordo com o PNI, as vacinas recomendadas para os profissionais da área da saúde são: contra a hepatite B, o sarampo, a caxumba, a rubéola, a varicela, a influenza, o tétano e a febre amarela.

Existem ainda particularidades para a caderneta de vacinação do profissional de saúde, a depender do seu local de atuação. Aqueles que trabalham em Unidades Especiais, como a pediatria, devem tomar a vacina que tenha o componente Pertusis na sua composição. Em unidades de assistência a pacientes imunocomprometidos, todos os estudantes e profissionais que circulam por ali devem tomar todas as outras vacinas, incluindo a varicela.

Por tudo isso, precisamos manter a atualização a respeito dessa temática em foco. Será algo de imensa valia tanto para nós, que frequentamos constantemente os serviços de saúde, quanto para as pessoas de nossos convívios e os pacientes aos quais damos assistência cotidianamente. Qual a última vez que você, caro (a) colega, foi em busca da própria imunização?

Vacinas salvam vidas. Doenças que causavam milhares de vítimas anteriormente, como varíola e poliomielite, foram erradicadas. Outras doenças transmissíveis também deixaram de ser problema de saúde pública porque foram eliminadas no Brasil e nas Américas, como o sarampo, rubéola e rubéola congênita. Permitir que essas patologias voltem a causar impactos negativos na sociedade, existindo atualmente meios eficientes e eficazes para evitar isso, seria um grande retrocesso para todos. Por isso, os estudantes e profissionais de saúde possuem um papel fundamental na conscientização da população, estimulando os seus pacientes a manterem suas cadernetas de vacinação em dia e estando, eles próprios, com a imunização atualizada.

Autora: Gleiciane Miranda, Estudante de Medicina.

Instagram: @com.partilhandosaude

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