Coronavírus

Estudo avalia pacientes co-infectados com HIV e COVID-19

Estudo avalia pacientes co-infectados com HIV e COVID-19

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Sanar Medicina

4 minhá 27 dias

O objetivo deste post é falar brevemente sobre um estudo realizado na China, com pacientes portadores do vírus HIV e coinfectados com a COVID-19.

O HIV e a COVID-19

Sabemos que os pacientes portadores do vírus HIV são considerados como pertencentes ao grupo de risco, já que esta condição está associada à imunossupressão e inflamação.

No entanto, a hipótese de que o uso da terapia antirretroviral (TARV) poderia conferir algum grau de proteção a essa população foi levantada pela ação in vitro destas medicações.

Há poucos dados na literatura atualmente tratando da COVID-19 entre pacientes infectados com o vírus HIV. Mesmo nos poucos estudos, o foco se deu em comparar desfechos entre pacientes com HIV e a população geral.

No geral, os estudos não mostraram diferenças nos desfechos. Um estudo recente, porém, buscou avaliar a diferença apenas entre pacientes com HIV, comparando aqueles que apresentaram doença leve versus aqueles que apresentaram doença grave.

Traremos os principais achados e pontos de discussão do artigo. Confira:

Local e metodologia do estudo

O estudo foi realizado no mês de Abril, em Wuhan. Os pacientes foram identificados a partir do Sistema Nacional de Notificação de Doenças Infecciosas, ao cruzar dados de pacientes infectados tanto pelo vírus HIV como pelo SARS-CoV-2.

Dados foram coletados a partir de questionários e amostras de sangue, e foram utilizados para caracterizar os pacientes antes da COVID-19 e após a recuperação.

Resultados: aumento da carga viral do HIV-1

Dentre os 35 pacientes, 20 foram identificados como tendo COVID-19 assintomática/leve/moderada, compondo dessa forma o grupo não grave. Os restantes 15 pacientes foram classificados como tendo COVID-19 grave/crítica, compondo o grupo grave.

Os grupos de pacientes graves e não graves não tiveram diferença em fatores demográficos, estado HIV de base, intervalo entre os testes de follow-up de contagem de células CD4+ e carga viral do HIV-1 (todos P>0.05).

Quando a carga viral do HIV-1 foi medida após a recuperação, houve aumento significativo de pacientes co-infectados com carga viral ≥20 cópias/mL (P=0.008).

No grupo de pacientes graves, a mediana da carga viral aumentou, de forma significativa, após recuperação (P=0.034).

Já no grupo de pacientes não graves, não houve aumento significativo desta variável. Além disso, foi encontrada alteração limitada na contagem de células CD4+ (todos P>0.05).

Conclusão

A principal conclusão do assunto se dá em apontar possível maior risco de pacientes, co-infectados com o vírus HIV-1 e a COVID-19, apresentarem rebote do aumento de carga viral do HIV-1, especialmente nos pacientes com manifestação grave da infecção pelo SARS-CoV-2.

Porém, no estudo, a co-infecção não pareceu afetar a contagem de células CD4+. Mais pesquisas sobre o tema serão necessárias, especialmente com seguimento para determinar se terapia antirretroviral continuada terá efeito na contagem de células CD4+ nos pacientes co-infectados pelo vírus HIV e pelo SARS-CoV-2.

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