Coronavírus

Estudo brasileiro avaliou Azitromicina no tratamento da COVID-19

Estudo brasileiro avaliou Azitromicina no tratamento da COVID-19

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Sanar Medicina

4 minhá 217 dias

Estudo brasileiro, denominado COALITION II, buscou avaliar a eficácia e segurança da adição da Azitromicina ao regime de tratamento padrão da COVID-19. Dados sobre o tema são escassos e de baixa qualidade. Portanto, os pesquisadores realizaram ensaio clínico randomizado buscando respostas para a seguinte pergunta: a adição da Azitromicina à Hidroxicloroquina é superior ao tratamento padrão com apenas a Hidroxicloroquina? Confira neste post os resultados encontrados.

Como o estudo foi realizado

Participaram do estudo 57 centros brasileiros. Para serem inscritos no estudo, os pacientes deveriam ter COVID-19, suspeita ou confirmada, e pelo menos um dos seguintes critérios de gravidade: uso de O2 suplementar > 4L/min; uso de cânula nasal em alto fluxo; uso de ventilação mecânica, invasiva ou não invasiva.

Os participantes foram alocados (1:1) de forma randomizada a participarem do grupo que recebeu Azitromicina 500mg/dia durante 10 dias, ou tratamento padrão sem macrolídeos. Todos os pacientes receberam Hidroxicloroquina 400mg/2x dia, pois este era o tratamento padrão adotado no Brasil para pacientes com COVID-19 grave.

O primeiro desfecho analisado foi estado clínico após 15 dias da randomização, que por sua vez foi realizada por comitê cego à alocação do grupo do paciente. O desfecho foi analisado por meio de escala pontual, variando de 1 a 6 pontos, onde maior pontuação indicava pior condição clínica.

O desfecho primário foi analisado apenas nos pacientes com teste positivo para SARS-CoV-2. Segurança foi analisada em todos os pacientes, independente do grupo de alocação.

Resultados

Dos 447 pacientes que participaram do estudo, 397 possuíam confirmação de COVID-19, dos quais, 214 foram inscritos no grupo Azitromicina e 183 no grupo controle.

O desfecho primário não foi significativamente diferente entre o grupo Azitromicina e o grupo controle (OR 1,36 [95% IC 0,94 – 1,97], p=0·11).

As taxas de efeitos adversos, incluindo arritmia ventricular clinicamente significante, PCR com reanimação, injúria renal aguda, e prolongação do intervalo QT corrigido também não diferiram significativamente entre os grupos.

Discussão: Azitromicina não conferiu melhora clínica  

No presente estudo brasileiro, a adição do macrolídeo Azitromicina ao tratamento padrão com Hidroxicloroquina não resultou em melhora do estado clínico do paciente com COVID-19.

De acordo com pesquisa feita com mais de 6.000 médicos em 30 países, a Azitromicina foi o segundo medicamento mais prescrito para tratamento da COVID-19.

O uso combinado da azitromicina com a hidroxicloroquina tem sido reportado em diversos estudos não-randomizados, a maioria dos quais não sugeriram efeito benéfico da adição da mesma em termos de mortalidade e clearence viral.

Na Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS), outra doença causada por um similar coronavírus, um relato retrospectivo observacional não encontrou associação entre uso de macrolídeos e melhora no desfecho clínico ou diminuição da carga viral.

De forma alternada, outro relato de estudo retrospectivo observacional encontrou melhora na sobrevivência em 90 dias, bem como menor tempo de descontinuação da ventilação mecânica, em pacientes com síndrome respiratória aguda de diversas causas.

Até recentemente, nenhum estudo clínico randomizado havia avaliado Azitromicina na COVID-19, ou outras doenças causadas pelo tipo de coronavírus semelhante ao SARS-CoV-2.

Os resultados encontrados no estudo brasileiro COALITION II apoiam que há ausência de benefícios no uso rotineiro de Macrolídeos, exceto quando há evidência de pneumonia bacteriana concomitante.

Naqueles casos em que achados laboratoriais e radiográficos indicam pneumonia viral isolada, Azitromicina em combinação com Hidroxicloroquina não mostrou ter efeito benéfico para melhorar o estado clínico dos pacientes.

Confira o vídeo:

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