Coronavírus

Estudo identifica coinfecção por duas linhagens diferentes do coronavírus

Estudo identifica coinfecção por duas linhagens diferentes do coronavírus

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Sanar

3 min há 262 dias

A Universidade Feevale, em Novo Hamburgo (RS), divulgou dados preocupantes de um estudo científico sobre as variantes do novo coronavírus. As análises de amostras coletadas na região sul do Brasil apontaram cinco linhagens diferentes e dois casos de coinfecção, ou seja, infecção simultânea de dois genomas distintos em um mesmo indivíduo.

O anúncio vem dias depois de a Organização Mundial da Saúde (OMS) e especialistas ao redor do mundo salientarem a necessidade de investigações meticulosas sobre os impactos das mutações no agravamento da pandemia da COVID-19.

Para o estudo, foram selecionadas 92 amostras de pacientes com idades entre 14 e 80 anos. Com sequenciamento genético e análises de bioinformática, os pesquisadores conseguiram caracterizar cinco linhagens diferentes circulando no Rio Grande do Sul, uma delas (denominada VUI-NP13L) nunca mapeada.

Os pesquisadores agora estão conduzindo experimentos in vitro com a nova linhagem, incluindo isolamento viral e investigação sobre neutralização ou não por anticorpos presentes no soro de pacientes infectados e recuperados.

Maior chance de dispersão do vírus

A maior preocupação apontada pelos cientistas é a possibilidade de dispersão do vírus para outras regiões do Brasil, além de países vizinhos do Rio Grande do Sul. A região metropolitana de Porto Alegre concentra o maior número de casos, por isso, a análise do genoma ajuda a entender melhor a dinâmica, a estrutura populacional e as cadeias de transmissão do vírus.

O estudo também confirmou a disseminação generalizada da variante E484k, a mesma mutação do coronavírus identificada no Rio de Janeiro em dezembro de 2020. “Isso é preocupante, pois sabe-se que essa mutação pode estar associada a um escape de anticorpos formados contra outras linhagens do vírus. É mais uma evidência que essas novas linhagens podem causar problemas mesmo em pessoas que já tenham uma imunidade prévia contra o Sars-Cov-2”, afirmou o coordenador do estudo Fernando Spilki, ao site de notícias da Universidade Feevale.

A identificação de dois casos de coinfecção, em casos clínicos ocorridos no final de novembro, é outro ponto de atenção destacado pelos cientistas. Isso porque a chamada recombinação, quando genomas de diferentes vírus infectam o mesmo indivíduo, está na base da evolução do coronavírus.

Porém, os dois pacientes tiveram quadro leve e moderado de COVID-19 e se recuperaram sem a necessidade de hospitalização.

Um trabalho contínuo e intensivo

Os cientistas enfatizaram a importância de continuar com medidas de distanciamento social para conter a propagação de novas variantes, potencialmente mais transmissíveis.

Segundo Ana Tereza Vasconcelos, coordenadora do Laboratório de Bioinformática, responsável pelo sequenciamento genético, os dados visam alertar as autoridades sanitárias do mundo todo que estudos sobre a dispersão do Sars-Cov-2 são extremamente importantes para a segurança de todos. Para isso, reitera a importância da constituição de redes de sequenciamento e análises genéticas colaborativas para a realização de vigilância genômica.

Diante de tudo (ou do pouco) que sabemos sobre o coronavírus, uma coisa é certa: medidas de prevenção continuam efetivas e altamente recomendadas, como uso constante de máscaras, distanciamento social e higienização das mãos.

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