Coronavírus

Imunidade de rebanho para covid-19: Estudo indica ineficácia

Imunidade de rebanho para covid-19: Estudo indica ineficácia

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Sanar Saúde

5 minhá 276 dias

Ao contrário do considerado logo no início da pandemia do novo coronavírus, a imunidade de rebanho pode não ser tão eficaz para frear a circulação do Sars-CoV-2. A conclusão é de estudo espanhol publicado na revista The Lancet em julho.

O estudo indica que apenas 5% da população espanhola desenvolveu anticorpos contra a Covid-19. A principal descoberta é que a maioria das pessoas parece ter permanecido sem exposição ao vírus.

“Alguns especialistas calcularam que cerca de 60% de soroprevalência pode significar imunidade de rebanho. Mas estamos muito longe de atingir esse número”, disse à CNN a principal autora do estudo, Marina Pollán, também diretora do Centro Nacional de Epidemiologia.

Apesar dos resultados, há outra incógnita com relação ao novo coronavírus. Isso porque não se sabe se a presença de anticorpos significa que o indivíduo não pode ser infectado novamente, nem quanto tempo ou em que nível os anticorpos o protegem.

Metodologia do estudo

Foram realizados dois testes sorológicos: um teste rápido no ponto de atendimento, feito por picada no dedo, e um imunoensaio quimioluminescente de micropartículas, que requer punção venosa para posterior análise em laboratório. A pesquisa foi realizada entre 27 de abril e 11 de maio deste ano, com 61.075 participantes.

Para chegar aos resultados, foram seguidas algumas etapas. Primeiramente, os indivíduos responderam a um questionário com histórico de sintomas compatíveis com Covid-19 e fatores de risco. Além disso, eles também receberam um teste rápido de anticorpos. Em seguida, quando concordaram, doaram uma amostra de sangue para o imunoensaio quimioluminescente.

As prevalências de anticorpos IgG foram ajustadas com pesos amostrais e pós-estratificação. Isso permite diferenças nas taxas de não-resposta, com base na faixa etária, sexo e renda. A partir dos resultados, foi calculada a faixa de soroprevalência maximizando a especificidade (positiva para ambos os testes) ou a sensibilidade (positiva para um ou outro).

Resultados alcançados

O estudo chegou à conclusão que a soroprevalência foi de 5% pelo teste rápido e 4,6% no imunoensaio. A faixa de especificidade-sensibilidade variou de 3,7% a 6,2%, sem diferenças por sexo e com menor soroprevalência em crianças menores de 10 anos. Sendo assim, a maioria da população espanhola é soronegativa à infecção pelo novo coronavírus.

Por outro lado, a maioria dos casos confirmados por PCR tem anticorpos detectáveis. Entre 195 participantes com PCR positiva mais de 14 dias antes da visita do estudo, a detecção de soroprevalência variou de 87,6% a 91,8%.

Além disso, o estudo identificou que proporção maior de pessoas com sintomas compatíveis à Covid-19 não fez um teste de PCR. E pelo menos um terço das infecções determinadas por sorologia eram assintomáticas.

Os pesquisadores concluíram que os resultados enfatizam a necessidade de manter medidas de saúde pública para evitar uma nova onda.

Outro estudo diz o contrário

Por outro lado, pesquisa realizada na Suécia apontou que o número de pessoas com alguma imunidade para o novo coronavírus é maior do que indicam os testes já realizados. O referido estudo foi conduzido, pelo Instituto Karolinska, com 200 pessoas – como, por exemplo, doadores de sangue e pessoas que fazem parte do primeiro grupo de infectados pelo coronavírus no país.

Os pesquisadores observaram que, para cada exame com resultado positivo para anticorpos contra o vírus, dois tinham células T. Ou seja, presentes no sistema imunológico, tais células têm capacidade para identificar e destruir células infectadas. As mesmas células de defesa foram encontradas em casos leves e em pacientes assintomáticos.

Apesar dos achados, essa pesquisa ainda não foi publicada, nem revisada pelos pares.

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