Coronavírus

Em estudo inédito, cientistas comprovam infecção simultânea por duas variantes do coronavírus

Em estudo inédito, cientistas comprovam infecção simultânea por duas variantes do coronavírus

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Sanar

5 min há 106 dias

Com queda de adesão às medidas de prevenção, entraves e problemas de logísticas vindos do próprio Ministério da Saúde e lentidão na execução do programa nacional de vacinação contra a COVID-19, o SARS-CoV-2 está circulando de forma descontrolada no Brasil. E quanto mais o vírus circula, maior a chance de coinfecção e do surgimento de novas cepas. Pela primeira vez no mundo, cientistas brasileiros comprovaram, em dois pacientes de COVID-19, infecção simultânea por duas variantes do coronavírus.

Como relata o Uol, o grande risco da coinfecção é a recombinação dos genomas das linhagens presentes no organismo, processo que poderia gerar novas variantes potencialmente mais agressivas ou transmissíveis.

Neste post, divulgamos os resultados prévios do estudo.

Pioneiro no mundo

O estudo foi realizado por pesquisadores do Laboratório de Microbiologia Molecular da Universidade Feevale, em Novo Hamburgo (RS) e por especialistas em biotecnologia do Laboratório Nacional de Computação Científica, em Petrópolis (RJ).  A iniciativa faz parte da Rede Vírus, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI),

Para chegar ao resultado,  publicado recentemente na revista Virus Research, os pesquisadores fizeram o sequenciamento genético dos vírus presentes em 92 pacientes de COVID-19.

Duas mulheres na faixa dos 30 anos acusaram infecção por duas linhagens diferentes, de forma simultânea no organismo. Em um dos casos, havia duas variantes que circulam no Brasil desde o começo da pandemia (chamada de linhagem B).

Já no segundo caso, havia, além da forma mais antiga do vírus, também a P2, que circula no país desde outubro de 2020 e é considerada potencialmente mais transmissível.

“Um achado robusto como o nosso é inédito no mundo, mas já havia a desconfiança de que isso já teria ocorrido”, explicou o virologista Fernando Spilki, da Feevale, um dos autores do trabalho. “Até porque esse tipo de fenômeno é esperado no caso dos coronavírus, está na base da criação de novas variantes na natureza (além de mutações).”

Segunda onda aumentou variantes do coronavírus

O virologista destaca que foi provavelmente uma coinfecção e uma recombinação de genomas em algum animal que tenha originado o SARS-CoV-2. O mesmo procedimento pode ter acontecido durante a pandemia e se agravado na chamada segunda onda de infecção.

“Na primeira onda da pandemia, a gente vinha vendo uma continuidade na evolução do genoma do vírus em um determinado ritmo”, explicou Spilki ao Uol. “Na segunda onda, até mesmo devido a um controle muito flácido, houve expansão muito grande na diversidade do vírus. As mutações se dão ao acaso, mas quanto maior o número de hospedeiros, maior o número de mutações que acabam se estabelecendo ao longo do tempo na forma de variantes e, posteriormente, linhagens”.

Consequências da recombinação de genomas

Apesar de os dois casos de coinfecção identificados terem episódios leves de COVID-19, sem a necessidade de internação, os cientistas destacam que o maior risco não é o agravamento do quadro infeccioso, mas a recombinação do genoma das diferentes linhagens.

“Temos duas variantes de alta transmissibilidade circulando, a P2 e a britânica. Temos também, ao que tudo indica, a variante P1 que provocaria casos mais agressivos”, explica Spilki. “Vamos imaginar que, com a circulação desenfreada do vírus, essas duas variantes se encontrem no mesmo indivíduo. A recombinação do genoma pode dar origem a uma variante com as duas características: mais transmissível e mais agressiva, características que tornariam o controle ainda mais difícil.”

Atualização das vacinas

Outra preocupação dos cientistas autores do estudo é a capacidade de novas variantes para driblar as vacinas até agora existentes contra a COVID-19.

Um grupo de pesquisadores da Universidade de Oxford e do Instituto Butantan que estuda a resposta das vacinas CovonaVac e Oxford/AstraZeneca às novas variantes do coronavírus já disseram que o processo de adaptação dos imunizantes para as novas cepas pode levar cerca de dois meses.

Outro estudo preliminar, ainda sem revisão por pares, feito por cientistas da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) sugere que a variante brasileira P.1, originada em Manaus, pode driblar os anticorpos produzidos em indivíduos vacinados com a CoronaVac.

Apesar disso, Spilki enfatiza que isso não é razão para que as vacinas não sejam consideradas confiáveis e muito menos para que as pessoas deixem de se imunizar. “Muito pelo contrário: a vacinação em massa é fundamental, e quanto mais rapidamente acontecer, menor a chance do surgimento dessas novas variantes”, completou o cientista.

*Com informações do site da Universidade Feevale

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