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Existe relação entre microbiota intestinal, sistema imune e a COVID-19? | Colunistas

Existe relação entre microbiota intestinal, sistema imune e a COVID-19? | Colunistas

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Kelly Moura Barboza

5 minhá 11 dias
Covid-19 é a principal pandemia que o mundo enfrenta hoje, causada pelo SARS-CoV-2, e embora o vírus cause principalmente infecção pulmonar por meio da ligação em receptores da enzima conversora de angiotensina 2 (ACE2), presentes nas células epiteliais alveolares, recentemente foi descoberta a presença do RNA do SARS-CoV-2 nas fezes de pacientes infectados. Os enterócitos, que são células epiteliais do intestino delgado, também expressam os receptores ACE2. 
O papel do sistema imunológico é o de proteger o hospedeiro de organismos patogênicos (bactérias, vírus, fungos, parasitas), e, para lidar com essas constantes ameaças, a microbiota intestinal desempenha um papel na educação e regulação do sistema imunológico. A disbiose que é o desequilíbrio da microbiota intestinal é uma característica de muitas doenças infecciosas e foi descrita na COVID-19, logo, a infecção por vírus respiratório causa perturbações no microambiente intestinal. 

Microbioma fecal e SARS-CoV-2

A síndrome respiratória aguda grave coronavírus 2 (SARS-CoV-2) infecta os tecidos gastrointestinais, mas pouco se sabe sobre o papel dos microrganismos comensais intestinais na suscetibilidade e gravidade da infecção. Um estudo recente em Hong Kong demonstrou alterações no microbioma fecal de pacientes com infecção por SARS-CoV-2 durante a hospitalização e também associações com a gravidade e a eliminação fecal do vírus. Os pesquisadores observaram que pacientes com COVID-19 tiveram alterações significativas nos microbiomas fecais em comparação com os controles, caracterizadas pelo enriquecimento de patógenos oportunistas e redução de comensais benéficos, em todos os momentos durante a hospitalização. Simbiontes empobrecidos e disbiose intestinal persistiram mesmo após a eliminação do SARS-CoV-2 e resolução dos sintomas respiratórios.
Ao longo da hospitalização, algumas bactérias que regulam negativamente a ACE2 no intestino correlacionou-se inversamente com a carga de SARS-CoV-2 em amostras fecais de pacientes.

Papel dos probióticos na Covid-19

Os probióticos são definidos como microrganismos vivos que, quando administrados em quantidades adequadas, conferem um benefício à saúde do hospedeiro.
A compreensão dos mecanismos da nova infecção e progressão da SARS-CoV2 pode fornecer novos alvos potenciais para prevenção e / ou tratamento. Isso pode ser alcançado por meio da inibição da entrada e / ou replicação viral, ou pela supressão da resposta imunológica que é provocada pela infecção (conhecida como tempestade de citocinas). Porém existem poucas evidências sobre a relação entre COVID-19 e a microbiota intestinal. O papel dos probióticos na COVID-19 ainda não foi estabelecido. A modulação da microbiota intestinal representa uma abordagem promissora contra infecções virais do trato respiratório (RTIs) por meio da regulação da imunidade inata e adaptativa do hospedeiro. Pesquisas adicionais devem se concentrar em probióticos de próxima geração específicos para tipos virais na prevenção e tratamento de RTIs virais emergentes.

Estratégias atuais na COVID-19

O ano de 2020, sem dúvida, ficará marcado por uma pandemia global de COVID-19 nunca antes vista, pelo menos por nossa geração. A solução para esse grave problema sanitário está voltada para a busca por vacinas eficazes ou terapias medicamentosas e tendo o conhecimento melhor sobre a patogênese, que envolve resposta do sistema imune, as estratégias nutricionais entram como discussão no seu papel de promover a imunidade contra a SARS-CoV-2. Alguns alimentos fermentados e probióticos podem fornecer microrganismos viáveis ​​com potencial para promover a saúde intestinal e, consequentemente, melhora a imunidade. Os prebióticos, por sua vez, podem aumentar a imunidade intestinal ao estimular seletivamente certos micróbios residentes no intestino. Diferentes níveis de evidência apoiam o uso de alimentos fermentados, probióticos e prebióticos para promover imunidade intestinal e pulmonar. Sem ser uma promessa de eficácia contra COVID-19, incorporá-los à dieta pode ajudar a diminuir a inflamação intestinal e aumentar a imunidade da mucosa, para, possivelmente, poder enfrentar melhor a infecção, contribuindo para diminuir a gravidade ou a duração dos episódios de infecção.

Autora: Kelly Ribeiro Moura Barboza

Instagram: @drakelly_barboza

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto

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Referências:

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