Coronavírus

Fake news: 4 mensagens falsas sobre ivermectina para COVID-19 que estão circulando nas redes sociais

Fake news: 4 mensagens falsas sobre ivermectina para COVID-19 que estão circulando nas redes sociais

Compartilhar

Circulam pelas redes sociais uma série de publicações que alegam que a ivermectina traz resultados positivos contra a COVID-19 e atribuem as descobertas à conceituadas entidades científicas, como Oxford e a revista Nature.

Outra mensagem alega ainda que a Índia está processando a Organização Mundial da Saúde (OMS) por esconder a eficácia do medicamento. As mensagens são falsas e foram desmentidas por agências de checagem do Brasil e de outros países.

Sobre COVID-19, leia também:

O medicamento não só é ineficaz contra a COVID-19 como pode causar sérios danos em pessoas que utilizam a droga sem recomendação médica e para finalidades que não estão previstas em bula.

A ivermectina é um dos remédios que compõe o chamado ‘Kit Covid’, que foi indicado pelo Ministério da Saúde e pelo presidente Jair Bolsonaro como tratamento precoce para COVID-19. O assunto é central para uma das linhas da investigação da CPI da COVID, que apura ações e omissões do governo federal durante a pandemia.

A seguir, separamos 4 fake news recentes que circulam nas redes sociais sobre ivermectina e levantamos os principais pontos que indicam que os conteúdos são falsos. Acompanha abaixo:

1. Universidade de Oxford não confirmou eficácia da ivermectina

Desde o início de junho, publicações compartilhadas mais de 5 mil vezes nas redes sociais afirmam que um estudo feito pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, mostrou que o uso precoce da ivermectina pode diminuir a carga viral do novo coronavírus.

“Negacionismo da ivermectina promovido pela esquerda pode ter matado milhares de brasileiros” e “Ivermectina reduz replicação do vírus da Covid, afirma Universidade de Oxford”, são alguns das legendas que acompanham as publicações viralizadas no Facebook (123), no Instagram (123) e em sites (12).

Porém, como revelou a checagem da AFP Brasil, estudo em questão está ainda em fase inicial, como mostra o site da instituição. Segundo a universidade, o antiparasitário começou a ser investigado em 23 de junho na Plataforma de Ensaio Randomizado de Tratamento na Comunidade para Doenças Epidêmicas e Pandêmicas (PRINCIPLE, na sigla em inglês).

Sob a liderança da universidade, esse estudo terá a participação de mais de 5 mil voluntários no Reino Unido e busca analisar tratamentos para pessoas com maior risco de formas graves da COVID-19.

No site do PRINCIPLE é explicado que a ivermectina demonstrou reduzir a replicação do SARS-CoV-2 em laboratório, mas faz a ressalva de que, apesar de pequenos estudos-piloto terem sugerido que o uso antecipado da ivermectina pode diminuir a carga viral e a duração dos sintomas em pacientes com formas leves, “há poucas evidências de ensaios clínicos randomizados em grande escala para demonstrar que ela pode acelerar a recuperação da doença ou reduzir a internação hospitalar”.

2. Estudo da Nature não prova que ivermectina cura COVID-19

Outra fantasia que circula nas redes sociais é a de que um artigo publicado na conceituada revista Nature seria a prova de que a ivermectina pode curar a infecção causada pelo novo coronavírus, o que seria a prova de que a população não precisa de vacinas contra COVID-19.

FINALMENTE! […] A maior autoridade em ciência do mundo, a “Nature”, publicou no dia de hoje (15/06/2021) um estudo completo e detalhado sobre a eficácia da Ivermectina frente a COVID-19. […] Trata-se de um artigo de revisão clínica baseado em evidências que nos apresenta todos os pontos de atuação do medicamento. A Ivermectina tem ação anti-inflamatória e anticoagulante, além de outras mais complexas”, diz um trecho da postagem.

[…] podemos entender que temos uma poderosa e eficaz proteção contra este tão poderoso inimigo. Por está razão, acredito que não existe mais a necessidade do desespero pelas duvidosas vacinas, desde que a pessoa compreenda a grandeza do assunto postado aqui e agora”, afirma tá mensagem.

Quem apontou a incoerência foi o Boatos.org, que já desmentiu tantas informações sobre ivermectina que criou até um especial sobre o assunto. Dessa vez, o trabalho de checagem revelou que o estudo citado não foi publicado na Nature, mas em um jornal científico do Japão The Journal of Antibiotics, que é publicado pelo mesmo grupo editorial da Nature.

Apesar de serem publicações do mesmo grupo, são completamente distintas, inclusive em relação à confiabilidade das informações apresentadas. O periódico The Journal of Antibiotics possuí fator de impacto um pouco mais do que 2, enquanto a revista Nature possui mais do que 42.

Além disso, o artigo em questão já foi questionado por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que apontaram que o trabalho não apresenta justificativa e que os resultados apresentados não se relacionam com o título da publicação. Leia aqui a conclusão dos cientistas brasileiros.

Pelo Twitter, o epidemiologista e divulgador científico australiano Gideon Meyerowitz-Katz também elencou inconsistências no estudo, como a falta de ética dos pesquisadores (que são associados a grupos pró-ivermectina) e a falta de relação entre a proposta e os resultados apresentados.

Outras críticas foram feitas e, por isso, os editores da publicação acrescentaram a seguinte nota ao estudo: “Os leitores são alertados de que as conclusões deste artigo estão sujeitas a críticas que estão sendo consideradas pelos editores e pela editora. Uma resposta editorial adicional seguirá a resolução dessas questões”.

3- Índia não processou OMS por esconder eficácia da ivermectina

Outra mensagem falsa desmentida pelo Boatos.org afirma que a Índia está processando cientista-chefe da Organização Mundial da Saúde por “suprimir dados da eficácia da ivermectina para tratar COVID-19” e acusa a entidade internacional de “interferência na área da saúde”. “A soberania de um país está acima de qualquer órgão internacional ao qual está ASSOCIADO”, descreve a mensagem viral.

A ivermectina era realmente recomendada pelo governo indiano para casos assintomáticos e médios da COVID-19 desde 28 de abril , constando no protocolo de manejo clínico indiano.

Ao contrário do que sugere o conteúdo, o medicamento continuou sendo utilizada pela Índia para “tratamento da COVID-19” mesmo no pior momento da pandemia no país até ser, recentemente, retirado dos protocolos de tratamento contra a doença.

Além disso, não há processo aberto pelo governo indiano contra a OMS. O que existe é um anúncio de intenção de processo por parte de uma associação de advogados no país contra a cientista-chefe da OMS Soumya Swaminathan.

O Boatos.org lembra que a mesma associação, que é privada, também já ameaçou processar a China por “criar o coronavírus”, outra mentira que já foi amplamente checada pelas agências de notícia.

4- Joe Biden não defende ivermectina como “tratamento precoce” contra COVID-19

E agora, José? Mr. Biden defendendo Ivermectina, defendendo tratamento precoce […] Será que combinou com Bolsonaro? E agora esquerdosos?, diz uma publicação que está viralizando no Facebook.

O trabalho de checagem da Agência Lupa indicou que não há qualquer registro na imprensa de que o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, tenha defendido publicamente o uso de ivermectina para tratar a COVID-19.

A informação também não consta em pronunciamentos oficiais ou realizados pelas redes sociais de Biden (TwitterFacebook e Instagram).

No plano de combate à pandemia elaborado pela administração de Biden e disponível no site da Casa Branca, não há menções a tratamento com medicamentos como ivermectina ou hidroxicloroquina, por exemplo, como estratégia de mitigação da crise sanitária.

documento enumera algumas prioridades e, entre elas, destaca o uso de máscaras e a testagem em massa. O texto também evidencia que todas as decisões serão pautadas na ciência e que as orientações à população devem ser baseadas em evidências científicas. 

Para saber mais sobre as notícias falsas que estão circulando pelas redes sociais, não deixe de acompanhar nosso observatório de fake news sobre COVID-19.

Compartilhe com seus amigos: