Coronavírus

Fake news: Anvisa não liberou Ivermectina nem ampliou dosagem para tratamento de COVID-19

Fake news: Anvisa não liberou Ivermectina nem ampliou dosagem para tratamento de COVID-19

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Sanar

7 min há 46 dias

Circula pelas redes sociais um vídeo de uma suposta médica dizendo que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não só liberou como também dobrou a dose recomendada do antiparasitário ivermectina para tratamento de COVID-19.

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A informação, no entanto, é falsa, como demonstrou o trabalho de apuração do G1. A Anvisa não liberou o medicamento para uso em casos de COVID-19, como disse a médica no vídeo.

O que a agência fez foi dispensar a retenção de receita para as compras da ivermectina e nitazoxanida, fato que aconteceu em setembro de 2020.  Segundo a Anvisa, a alteração foi adotada para “garantir o acesso da população ao tratamento de verminoses e parasitoses bastante conhecidas e bem significativas”.

Ivermectina não é indicada para tratamento de COVID-19

A decisão para reter as receitas dos dois medicamentos havia sido tomada pela agência regulatória em julho de 2020. Isso aconteceu porque a procura pela Ivermectina foi tanta que esgotou os estoques das farmácias.

Um levantamento do G1 mostrou que o antiparasitário foi um dos medicamentos que teve maior aumento de vendas desde o início da pandemia: 557% vendas a mais do que em 2019.

Isso porque o medicamento integra o chamado ‘kit covid’, ao lado de Hidroxicloroquina, Cloroquina, Azitromicina. Mesmo sem evidências científicas que comprovem a eficácia para tratar ou prevenir a COVID-19, o combo é até hoje defendido por alguns grupos.

É, portanto, protagonista de diversas fake news que indicam um tratamento precoce contra a doença. A droga já foi, inclusive, divulgada como cura para o novo coronavírus, o que foi motivado por uma interpretação errônea de um estudo científico australiano.

Outras notícias falsas que circularam nos últimos meses sobre a ivermectina indicavam que o medicamento havia sido responsável por zerar internações por COVID-19 em diversas cidades brasileiras.

Veja o vídeo abaixo com mais informações sobre ivermectina para tratamento de COVID-19:

Uso de ivermectina deve seguir indicações da bula

A ivermectina é uma medicação autorizada pela FDA (Food and Drug Administration, agência dos EUA responsável por liberar medicamentos) para utilização como antiparasitário de amplo espectro.

Nos últimos anos, mostrou ter atividade antiviral in vitro contra diversos tipos diferentes de vírus. Por isso, o medicamento foi testado contra o SARS-CoV-2.

Os resultados dos diversos testes clínicos realizados ao redor do mundo não trouxeram evidências científicas de que a droga funcione contra a COVID-19. Em fevereiro deste ano, a fabricante Merck veio a público para dizer que a ivermectina não funciona contra a infecção.

Procurada pelo G1, a Anvisa reforçou que a Ivermectina é indicada apenas para as finalidades que constam em sua bula, e o tratamento de COVID-19 não está entre elas.

“A Anvisa avalia e aprova a indicação que consta na bula dos medicamentos. O único medicamento com indicação em bula aprovada pela Anvisa para tratamento de COVID é o Remdesivir. Isso significa que este é o único medicamento para o qual o fabricante apresentou estudos conclusivos que demonstraram a eficácia contra COVID-19”, disse a agência.

Ainda assim, o antiviral Remdesivir pode ser usado somente em pacientes internados com pneumonia e em suporte de oxigênio, sem ventilação mecânica, e não é vendido em farmácias.

De acordo com a bula, a ivermectina é indicada para o tratamento de várias condições causadas por vermes ou parasitas, como:

  • Estrongiloidíase intestinal: causada por um parasita denominado Strongyloides stercoralis.
  • Oncocercose: causada por um parasita denominado Onchocerca volvulus.
  • Filariose (elefantíase): causada pelo parasita Wuchereria bancrofti.
  • Ascaridíase (lombriga): causada pelo parasita Ascaris lumbricoides.
  • Escabiose (sarna): causada pelo ácaro Sarcoptes scabiei.
  • Pediculose (piolho): causada pelo ácaro Pediculus humanus capitis

OMS descarta o uso em protocolo oficial contra COVID-19

Em março, a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou que o antiparasitário não funciona contra a COVID-19 e nem deve ser usada em pessoas infectadas pelo novo coronavírus.

A recomendação integra as diretrizes da OMS sobre tratamentos para a COVID-19 e se aplica para pacientes infectados em qualquer grau de severidade da doença.

“Nossa recomendação é não usar ivermectina para pacientes com COVID-19, independentemente do nível de gravidade ou duração dos sintomas”, disse na ocasião Janet Díaz, chefe da equipe de resposta clínica à COVID-19 da agência da OMS, em uma entrevista coletiva.

Não existe tratamento precoce contra COVID-19

Nós sempre falamos disso por aqui, mas não custa repetir: não existe qualquer tratamento precoce contra o SARS-CoV-2 e nem medicamento capaz de prevenir a contaminação.

Mesmo com mais de um ano de pandemia, o distanciamento social, o uso de máscaras, a higienização das mãos e a aplicação das vacinas continuam como os únicos métodos disponíveis para se proteger do novo coronavírus.

“As melhores evidências científicas demonstram que nenhuma medicação tem eficácia na prevenção ou no ‘tratamento precoce’ para a COVID-19 até o presente momento. Pesquisas clínicas com medicações antigas indicadas para outras doenças e novos medicamentos estão em pesquisa. Atualmente, as principais sociedades médicas e organismos internacionais de saúde pública não recomendam o tratamento preventivo ou precoce com medicamentos, incluindo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), entidade reguladora vinculada ao Ministério da Saúde do Brasil”, informa a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBI).

Especialistas do mundo todo também alertam para consequências futuras provocadas pelo o uso de medicamentos sem eficácia comprovada. Entre elas estão reações adversas graves, resistência bacteriana e o consequente surgimento de “superdoenças”.

Segundo médicos do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP) e do hospital da Universidade de Campinas (Unicamp), o uso indiscriminado de medicamentos do chamado “kit Covid”, como a ivermectina, levou ao menos quatro pacientes a desenvolverem graves de lesões no fígado, que demandam até necessidade de transplante.

Além disso, três pacientes morreram depois de receberam nebulização com hidroxicloroquina no Rio Grande do Sul, o que fez com que a Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT) divulgasse nota desaconselhando a medida.

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