Coronavírus

Fake News: CDC não descartou o uso de máscaras para barrar contágio pela COVID-19

Fake News: CDC não descartou o uso de máscaras para barrar contágio pela COVID-19

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Imagem de perfil de Sanar

Circula pelo Facebook e outras redes sociais uma postagem que diz que o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês), afirmou que as máscaras faciais não previnem o contágio pela COVID-19 e que, portanto, teriam impacto insignificante nos números de casos de COVID-19.

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Trata-se, é claro, de mais um boato. As evidências disponíveis embasam consenso entre infectologistas de todo o mundo, organizações de saúde como OMS e Anvisa, e agências governamentais de saúde, como é o caso do CDC nos Estados Unidos.

Na última terça-feira (16/03), o Brasil registrou 282.400 vidas perdidas desde o início da pandemia, com a média móvel de 1.976 mortes nos últimos sete dias. A tendência é de alta em praticamente todas as unidades da Federação e especialistas classificam a situação como o “maior colapso sanitário e hospitalar da história”, com ocupação de leitos de UTI acima de 80% no Distrito Federal e em 24 estados.

Diante desse cenário, é potencialmente mortal a circulação de notícias falsas nas redes sociais que visam desestimular os cuidados individuais tão preconizados pela ciência para evitar a transmissão e o contágio pelo novo coronavírus. As fake news atingem até um dos mais básico dos cuidados: o uso de máscaras.

O uso de máscaras em ambientes públicos, em associação com outras medidas públicas de saúde, é bem-sucedida na redução da transmissão do novo coronavírus (e também de outros vírus).

O vídeo abaixo traz uma série de dados e orientações sobre uso de máscaras em tempos da pandemia:

Estudos do CDC mostram que máscaras protegem de contágio pela COVID-19

A checagem da fake news feita pela Lupa e pelo Aos Fatos mostrou que os estudos mais recentes realizados pelo CDC são todos a favor da máscara, que previne o contágio pela COVID-19.

No dia 5 de março, o órgão publicou um estudo no Morbidity and Mortality Weekly Report (Relatório Semanal de Morbidade e Mortalidade) que conclui que o uso do acessório e a restrição de refeições em bares e restaurantes auxiliaram a diminuir a transmissão do vírus, reduzindo as taxas de crescimento de casos e de mortes.

“Políticas que exigem o uso universal de máscaras e restringem o consumo local em bares e restaurantes são componentes importantes de uma estratégia abrangente para reduzir a exposição e a transmissão do SARS-CoV-2″, escreveram os autores do estudo.

Em uma reunião da equipe de resposta à COVID-19 da Casa Branca, a diretora do CDC, Rochelle Walensky, disse que o relatório é um lembrete crítico de que, com os níveis atuais de casos nos EUA e disseminação contínua de variantes mais transmissíveis do vírus, seguir estritamente as medidas de prevenção continua sendo essencial no combate à pandemia.

“Também serve como um alerta sobre a suspensão prematura dessas medidas de prevenção”, disse ela.

Em fevereiro, a entidade também divulgou um estudo afirmando que usar duas máscaras sobrepostas – uma de pano e outra cirúrgica – bloqueia em até 95% pequenas partículas respiratórias que podem conter o vírus. O método foi adotado pelo atual presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e sua vice, Kamala Harris. Isso também mostra que máscaras previnem o contágio pela COVID-19.

Informações estão disponíveis no site oficial

Como apontou a Lupa, o CDC mantém desde o início da pandemia uma aba especial em seu site oficial com recomendações sobre máscaras, com dicas de uso do acessório. No dia 9 de março, porém, o órgão alterou algumas dessas recomendações para pessoas já vacinadas contra a COVID-19.

Segundo a nova diretriz, pessoas totalmente vacinadas podem se encontrar dentro de casa com outras pessoas vacinadas sem usar máscara. Contudo, o uso de máscara ainda é essencial em locais públicos. 

“Pensamento neandertal”

Também no início de março, Joe Biden criticou a decisão de alguns estados norte-americanos, como o Mississippi, de suspender o uso obrigatório do acessório. “Eu espero que todos tenham percebido, a essa altura, [que] essas máscaras fazem uma diferença”, disse o presidente dos Estados Unidos.

“A última coisa que precisamos é desse pensamento neandertal que ‘por enquanto está tudo bem, tirem as máscaras, esqueçam’”, seguiu ele, enfatizando que as recomendações de uso do acessório e o distanciamento social são vitais para frear a disseminação do vírus.

Enquanto isso no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro foi um dos que que compartilhou fake news desencorajando o uso de máscaras. Durante uma transmissão ao vivo realizada em 25 de fevereiro, ele citou um estudo alemão que provaria que máscaras provocariam irritabilidade, dor de cabeça e dificuldade de concentração em crianças.

Como mostramos aqui, os dados do estudo, que realmente existe, eram preliminares. Além disso, os próprios pesquisadores indicaram que não é possível fazer relações causais entre os sintomas relatados na pesquisa e o uso de máscaras.

CDC, alvo constante de notícias falsas

Esta não é a primeira vez que o departamento de saúde dos Estados Unidos é alvo de fake news relacionada ao uso de máscaras. O CDC é, aliás, protagonista em várias peças de notícias falsas que circulam pela internet.

Alguns dos boatos que já desmentimos por aqui acusaram o órgão de inflar em 1.600% o número de mortes por COVID-19 e de ter um banco de dados que atesta mortes por vacinas já aplicadas na população dos Estados Unidos.

Ainda sobre as vacinas, o CDC teve alguns dados publicados distorcidos e descontextualizados. Outra mensagem falsa espalhada nas redes sociais afirmava que o órgão atestava que a vacina da Pfizer/BioNTech causou efeitos colaterais em 5% dos vacinados nos Estados Unidos e reações graves em 1%.

De forma similar, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) também é alvo constante das fake news que circulam pelas redes sociais brasileiras.

Se preferir preparamos um grande resumo sobre 1 ano da pandemia de coronavírus para médicos e profissionais da saúde!