Coronavírus

Fake News: CDC não descartou o uso de máscaras para barrar contágio pela COVID-19

Fake News: CDC não descartou o uso de máscaras para barrar contágio pela COVID-19

Compartilhar

Sanar

7 minhá 27 dias

Circula pelo Facebook e outras redes sociais uma postagem que diz que o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês), afirmou que as máscaras faciais não previnem o contágio pela COVID-19 e que, portanto, teriam impacto insignificante nos números de casos de COVID-19.

Sobre COVID-19, leia também:

Trata-se, é claro, de mais um boato. As evidências disponíveis embasam consenso entre infectologistas de todo o mundo, organizações de saúde como OMS e Anvisa, e agências governamentais de saúde, como é o caso do CDC nos Estados Unidos.

Na última terça-feira (16/03), o Brasil registrou 282.400 vidas perdidas desde o início da pandemia, com a média móvel de 1.976 mortes nos últimos sete dias. A tendência é de alta em praticamente todas as unidades da Federação e especialistas classificam a situação como o “maior colapso sanitário e hospitalar da história”, com ocupação de leitos de UTI acima de 80% no Distrito Federal e em 24 estados.

Diante desse cenário, é potencialmente mortal a circulação de notícias falsas nas redes sociais que visam desestimular os cuidados individuais tão preconizados pela ciência para evitar a transmissão e o contágio pelo novo coronavírus. As fake news atingem até um dos mais básico dos cuidados: o uso de máscaras.

O uso de máscaras em ambientes públicos, em associação com outras medidas públicas de saúde, é bem-sucedida na redução da transmissão do novo coronavírus (e também de outros vírus).

O vídeo abaixo traz uma série de dados e orientações sobre uso de máscaras em tempos da pandemia:

Estudos do CDC mostram que máscaras protegem de contágio pela COVID-19

A checagem da fake news feita pela Lupa e pelo Aos Fatos mostrou que os estudos mais recentes realizados pelo CDC são todos a favor da máscara, que previne o contágio pela COVID-19.

No dia 5 de março, o órgão publicou um estudo no Morbidity and Mortality Weekly Report (Relatório Semanal de Morbidade e Mortalidade) que conclui que o uso do acessório e a restrição de refeições em bares e restaurantes auxiliaram a diminuir a transmissão do vírus, reduzindo as taxas de crescimento de casos e de mortes.

“Políticas que exigem o uso universal de máscaras e restringem o consumo local em bares e restaurantes são componentes importantes de uma estratégia abrangente para reduzir a exposição e a transmissão do SARS-CoV-2″, escreveram os autores do estudo.

Em uma reunião da equipe de resposta à COVID-19 da Casa Branca, a diretora do CDC, Rochelle Walensky, disse que o relatório é um lembrete crítico de que, com os níveis atuais de casos nos EUA e disseminação contínua de variantes mais transmissíveis do vírus, seguir estritamente as medidas de prevenção continua sendo essencial no combate à pandemia.

“Também serve como um alerta sobre a suspensão prematura dessas medidas de prevenção”, disse ela.

Em fevereiro, a entidade também divulgou um estudo afirmando que usar duas máscaras sobrepostas – uma de pano e outra cirúrgica – bloqueia em até 95% pequenas partículas respiratórias que podem conter o vírus. O método foi adotado pelo atual presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e sua vice, Kamala Harris. Isso também mostra que máscaras previnem o contágio pela COVID-19.

Informações estão disponíveis no site oficial

Como apontou a Lupa, o CDC mantém desde o início da pandemia uma aba especial em seu site oficial com recomendações sobre máscaras, com dicas de uso do acessório. No dia 9 de março, porém, o órgão alterou algumas dessas recomendações para pessoas já vacinadas contra a COVID-19.

Segundo a nova diretriz, pessoas totalmente vacinadas podem se encontrar dentro de casa com outras pessoas vacinadas sem usar máscara. Contudo, o uso de máscara ainda é essencial em locais públicos. 

“Pensamento neandertal”

Também no início de março, Joe Biden criticou a decisão de alguns estados norte-americanos, como o Mississippi, de suspender o uso obrigatório do acessório. “Eu espero que todos tenham percebido, a essa altura, [que] essas máscaras fazem uma diferença”, disse o presidente dos Estados Unidos.

“A última coisa que precisamos é desse pensamento neandertal que ‘por enquanto está tudo bem, tirem as máscaras, esqueçam’”, seguiu ele, enfatizando que as recomendações de uso do acessório e o distanciamento social são vitais para frear a disseminação do vírus.

Enquanto isso no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro foi um dos que que compartilhou fake news desencorajando o uso de máscaras. Durante uma transmissão ao vivo realizada em 25 de fevereiro, ele citou um estudo alemão que provaria que máscaras provocariam irritabilidade, dor de cabeça e dificuldade de concentração em crianças.

Como mostramos aqui, os dados do estudo, que realmente existe, eram preliminares. Além disso, os próprios pesquisadores indicaram que não é possível fazer relações causais entre os sintomas relatados na pesquisa e o uso de máscaras.

CDC, alvo constante de notícias falsas

Esta não é a primeira vez que o departamento de saúde dos Estados Unidos é alvo de fake news relacionada ao uso de máscaras. O CDC é, aliás, protagonista em várias peças de notícias falsas que circulam pela internet.

Alguns dos boatos que já desmentimos por aqui acusaram o órgão de inflar em 1.600% o número de mortes por COVID-19 e de ter um banco de dados que atesta mortes por vacinas já aplicadas na população dos Estados Unidos.

Ainda sobre as vacinas, o CDC teve alguns dados publicados distorcidos e descontextualizados. Outra mensagem falsa espalhada nas redes sociais afirmava que o órgão atestava que a vacina da Pfizer/BioNTech causou efeitos colaterais em 5% dos vacinados nos Estados Unidos e reações graves em 1%.

De forma similar, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) também é alvo constante das fake news que circulam pelas redes sociais brasileiras.

Quer as principais notícias da Sanar no seu celular todos os dias? Então faça parte do canal Sanar News no Telegram agora mesmo!

Se preferir preparamos um grande resumo sobre 1 ano da pandemia de coronavírus para médicos e profissionais da saúde!

Compartilhe com seus amigos:
Política de Privacidade. © Copyright, Todos os direitos reservados.