Fake News: Sucesso de Cuba na Covid-19 é a cloroquina!

Fake News: Sucesso de Cuba na Covid-19 é a cloroquina!

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Sanar Medicina

6 min27 days ago

A fake news do momento é que Cuba tem se destacado no combate a Covid-19 por conta do uso da cloroquina. O sucesso de Cuba se deve a testagem dos contatos de infectados e as medidas de isolamento social.

Na realidade, até o momento, não há evidência científica aceita pela comunidade médica internacional que atribua os resultados ao uso do medicamento nos pacientes.

A primeira coisa que a gente precisa deixar claro é que sim, os números de infectados e mortos no país da América Central são muitos baixos. São apenas 2.445 pacientes confirmados e a última notificação ocorreu no dia 17 de julho. Já os óbitos registrados foram apenas 87, sendo que o último caso foi no dia 12 de julho.

Apesar dos números positivos, no mesmo período que a Organização Mundial da Saúde apontou a América Latina como novo centro da pandemia no mundo, é preciso entender que isso não se deve ao uso da cloroquina e hidroxicloroquina nos pacientes. Cuba adotou um protocolo médico rígido para controlar a doença.

O que deu certo em Cuba no combate à Covid-19

Cuba, que conta hoje com mais de 11,3 milhões de habitantes, teve o primeiro registro do novo Coronavírus no dia 10 de março, depois que um turista italiano que visitou a cidade de Trinidad, na localidade de Sancti Spíritus, testou positivo para a doença.

Desde então, mapear e isolar os pacientes que não apresentam sintomas e buscar possíveis doentes de casa em casa são algumas medidas adotadas pelo governo cubano. 

Segundo o diretor de Epidemiologia do Ministério da Saúde de Cuba (Minsap), Francisco Durán, “se eu detecto um paciente confirmado para a Covid-19, busco a última pessoa que possa ter tido contato com ele nos últimos 14 dias e que possa ter se infectado”.

Com ou sem sintomas, Cuba seguiu testando todos os contatos de um caso confirmado. De acordo com informações do Minsap, veiculadas no portal Cuba.cu, desde o dia 6 de abril, mais de 1.000 amostras foram estudadas em 24 horas, chegando até a atingir a marca de 2.000 testes analisados em um único dia. 

Mesmo quando o resultado do teste é negativo, pacientes são mantidos sob vigilância para acompanhamento de algum possível sintoma futuro, destaca Francisco Durán.

“Sabemos cientificamente que a rápida identificação de casos, rastreamento de contatos e quarentena são as únicas maneiras de conter o vírus na ausência de uma vacina”, revelou William Leogrande, professor de governo da Universidade Americana de Washington DC, em entrevista ao The Guardian. 

Para o pesquisador, o sistema de saúde cubano é perfeitamente adequado para executar essa estratégia de contenção. 

Governo fala em casos sob controle no país

Durante coletiva de imprensa no início de mês de julho, o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, disse que o vírus está sob controle e que o governo iria anunciar, em breve, medidas para reabrir gradualmente a ilha.

Vale destacar que além de mapear e isolar os pacientes e suspeitos, a ilha ainda fechou fronteiras, escolas e também paralisou o transporte público. E ainda estimulou o distanciamento social e uso de máscaras em locais públicos.

Em nível de comparação com países vizinhos, os cubanos têm cerca de 27 vezes menos chances de pegar o novo Coronavírus do que os mexicanos e 70 vezes menos de serem infectados do que os brasileiros. 

Cuba usa cloroquina com restrições

A versão mais recente do protocolo cubano, divulgado no último dia 18 de julho, consta que pacientes sem sintomas são tratados através de monoterapia, usando interferon-alfa 2b e Heberferon, juntamente com rigorosa vigilância clínica. 

Já os pacientes sintomáticos possuem um pacote de tratamento, ajustado às demandas específicas de cada paciente. 

González Rubio, especialista em Medicina Interna do Instituto de Medicina Tropical Pedro Kourí (IPK), explicou que são usados interferões, bem como cloroquina e Lopinavir/ritonavir. Ele afirmou, com base em estudos realizados em pacientes graves, que “aqueles que receberam essas combinações tiveram uma evolução favorável”. 

González Rubio ainda destacou que os resultados que Cuba apresentou no atendimento ao paciente infectado pelo novo Coronavírus não são fruto de um único medicamento, mas a aplicação de toda a embalagem, que inclui a sensibilidade dos médicos.

Também foram incorporados nos tratamentos antibióticos de diferentes tipos, esteroides, heparina, eritropoietina, surfactante, peptídeo CIGB-2588, transfusão de plasma sérico, entre outros.

Cloroquina e hidroxicloroquina descartadas por organizações internacionais 

Desde o último dia 04 de julho, a OMS anunciou a interrupção dos estudos para uso da cloroquina no tratamento de pacientes internados com o novo coronavírus.

Como já informamos anteriormente, a medida se deu por conta da pouca ou nenhuma redução na mortalidade em pacientes quando comparados ao atendimento médico padrão. 

Vale lembrar ainda que no mês de junho, a agência técnica dos Estados Unidos (FDA) já havia revogado a autorização de cloroquina e hidroxicloroquina em caráter emergencial para pacientes com Covid-19, pois com base em evidências científicas não foi possível verificar que os medicamentos possam ser efetivos para o tratamento ou a prevenção do novo Coronavírus. 

É Fake News! Cuba não venceu o novo Coronavírus por conta da cloroquina

Ao contrário das informações que estão sendo veiculadas nas redes sociais, não é verdade atribuir o sucesso de Cuba no tratamento da Covid-19 ao uso da cloroquina e cloroquina.

Cuba vem obtendo sucesso no combate à covid-19 por conta das rápidas e rígidas medidas de controle estabelecidas pelo sistema de saúde estatal.

Mesmo doses baixas de hidroxicloroquina no tratamento da Covid-19 ainda no estágio inicial não são recomendadas pelas autoridades de saúde, médicos, pesquisadores e cientistas de comunidades internacionais.

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