Coronavírus

Fake news: é falso que bebê de 2 anos morreu após receber vacina da Pfizer

Fake news: é falso que bebê de 2 anos morreu após receber vacina da Pfizer

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Sanar

7 min há 10 dias

Circula pelas redes sociais uma mensagem que diz que um bebê de 2 anos morreu durante os experimentos da vacina contra a COVID-19 da Pfizer/BioNTech em crianças. Segundo a postagem, a criança recebeu a vacina em 25 de fevereiro e teria morrido pouco tempo depois, em 3 de março.

Porém, as informações são falsas. Como apontou o trabalho de checagem de notícias Fato ou Fake, do G1, a farmacêutica estadunidense só começou a realizar os testes de seu imunizante em crianças no dia 24 de março, como foi amplamente divulgado na imprensa. Além disso, os grupos testados na ocasião não envolveram crianças de 2 anos.

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Ao responsabilizar a vacina pela morte da criança, a postagem entra para a longa lista de fake news que visam desmobilizar a campanha de vacinação contra a COVID-19, uma das únicas e mais eficazes medidas de conter a pandemia.

Testes da Pfizer/BioNTech em crianças

Desde o fim de março, a Pfizer e a empresa alemã de biotecnologia BioNTech estão realizando testes de sua vacina contra a COVID-19 em crianças menores de 12 anos na esperança de ampliar a vacinação para esta faixa etária até o início de 2022.

Até então, o imunizante foi autorizado por agências reguladores dos Estados Unidos e de outros países, incluindo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), para pessoas a partir de 16 anos de idade.

As empresas pretendem averiguar a segurança da vacina Pfizer/BioNTech para crianças em três dosagens diferentes – 10, 20 e 30 microgramas. Os testes de estágio inicial e intermediário estão sendo conduzidos com 144 participantes.

A fake news também distorce esse dado, já que afirma que os testes em andamento estão sendo conduzidos com mais de 10 mil crianças.  

Mais tarde, elas pretendem passar para um teste de estágio avançado no qual avaliarão a segurança, a tolerância e a reação imunológica gerada pela vacina, medindo os níveis de anticorpos das crianças participantes.

Idades testadas com a Pfizer/BioNTech

Os estudos pediátricos da vacina contra a COVID-19 começaram com crianças de 5 a 11 anos e posteriormente envolveu o grupo entre 6 meses e 5 anos. Na última terça-feira (08/06), a Pfizer anunciou que o primeiro grupo avançou da fase um para a dois.

Em nota oficial, a Pfizer desmentiu as mensagens que acusam a morte da criança e enfatizou que os estudos pediátricos da vacina realizados com crianças entre 6 meses e 11 anos estão em andamento e não registraram nenhum evento adverso grave.

“Sobre a suposta morte de uma criança de dois anos com teste da vacina ComiRNAty da Pfizer/BioNTech, esclarecemos: os estudos pediátricos da vacina que estão sendo realizados com crianças entre 6 meses e 11 anos estão em andamento e não registraram nenhum evento adverso grave; a empresa não comenta outros estudos que não sejam próprios”, disse a farmacêutica.

A farmacêutica esclareceu também que o estudo envolverá um total de 4.500 crianças de seis meses a 11 anos nos Estados Unidos, Finlândia, Polônia e Espanha. Posteriormente, considera avaliar a vacina também em crianças com menos de 6 meses.

O planejamento do estudo divide as crianças em três grupos: de 5 a 11 anos, de 2 a 5 anos e de 6 meses a 2 anos. O intervalo utilizado entre as duas doses necessárias para que a imunização contra a COVID-19 se complete será de 21 dias.

A origem da fake news

Segundo o G1, a mensagem falsa tem origem em um site que ficou conhecido após ter sua página no Facebook banida pela rede social por violar os termos da plataforma.

O boato cita fontes que, por sua vez, dizem se basear em dados extraídos do Sistema de Notificação de Eventos Adversos de Vacinas (VAERS) do Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC). Mas esses não são dados finais, tampouco confirmados pelas autoridades de saúde.

O próprio Vaers deixa claro, em seu site, que é um sistema de relatório passivo, o que significa que depende de indivíduos que podem enviar relatórios de suas experiências ao CDC e à FDA (Food And Drug Administration), equivalente à Anvisa brasileira.

“Qualquer pessoa pode relatar um evento adverso ao VAERS. O VAERS não foi projetado para determinar se uma vacina causou um problema de saúde, mas é especialmente útil para detectar padrões incomuns ou inesperados de notificação de eventos adversos que podem indicar um possível problema de segurança com uma vacina. O VAERS pode fornecer ao CDC e à FDA informações valiosas de que trabalho e avaliação adicionais são necessários para avaliar uma possível preocupação de segurança.”

Nós já desmentimos algumas fake news que utilizaram dados do VAERS para questionar a segurança das vacinas contra a COVID-19. Veja aqui e aqui.

Vacinas contra a COVID-19 em crianças e adolescentes avançam

Em abril, a agência regulatória dos Estados Unidos FDA (Food and Drug Administration) autorizou o uso emergencial da vacina Pfizer/BioNTech para crianças e adolescentes de 12 a 15 anos.

Como descreveu reportagem do Uol, para liberar a vacina, o FDA levou em consideração um estudo realizado nos Estados Unidos com quase 2.300 adolescentes nessa faixa-etária, metade deles recebeu as duas doses.

Os pesquisadores coletaram amostras de sangue e mediram os níveis de anticorpos desencadeados pelas injeções e encontraram respostas imunológicas mais fortes nos adolescentes do que nos jovens adultos. Do total de participantes, 16 se infectaram. No entanto, todos haviam recebido placebo.

No início de junho, o Reino Unido seguiu os passos dos Estados Unidos e também aprovou o uso do imunizante para adolescentes entre 12 e 15 anos.

“Revisamos cuidadosamente os dados de testes clínicos e concluímos que a vacina contra a COVID-19 da Pfizer/BioNTech é segura e eficaz para essa faixa-etária, com benefícios que superam qualquer risco”, declarou a diretora da agência, June Raine, em comunidade oficial.

Vacinação contra COVID-19 e retorno às aulas

Com a liberação, especialistas acreditam que podem acelerar o retorno das aulas presenciais, ainda que com medidas de prevenção ao contágio.  

“Os adolescentes, especialmente, têm sofrido tremendamente com a pandemia. Embora sejam menos propensos do que os adultos a serem hospitalizados ou sofrerem de doenças graves, suas vidas realmente foram restringidas em muitas partes do país. Uma vacina dá a eles uma camada extra de proteção e permite que eles voltem a ser crianças”, disse o professor assistente de saúde internacional da Johns Hopkins, Kawsar Talaat.

Para mais informações sobre a segurança e a eficácia das vacinas contra a COVID-19, leia este post e assista o vídeo abaixo:

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