Coronavírus

Fake news: é falso que senadores dos EUA descobriram “a origem da COVID-19”

Fake news: é falso que senadores dos EUA descobriram “a origem da COVID-19”

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Um pronunciamento de cinco senadores dos Estados Unidos, do Partido Republicano, está viralizando nas redes sociais para legitimar a teoria de que o SARS-CoV-2, vírus causador da COVID-19, teria escapado de um laboratório. 

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No dia 14 de junho, o site Terra Brasil Notícias publicou um texto que alega que senadores republicanos “já descobriram a real origem da COVID-19”, que teria surgido em um laboratório da China. O texto é acompanhado de dois vídeos de um pronunciamento dos senadores. 

Porém, como revelou o trabalho de checagem de notícias do Projeto Comprova, o pronunciamento dos senadores contém críticas sobre o que chamaram de “censura das companhias de tecnologia sobre as origens do coronavírus”. 

Em nenhum momento, eles afirmam que descobriram a origem da doença, logo, as postagens que viralizam nas redes sociais e em grupos de WhatsApp sobre o assunto são peças de fake news

Confira a seguir as informações que contrariam as informações falsas disseminadas na internet: 

Dados de pronunciamento estão distorcidos

O Comprova buscou o vídeo original das postagens que circulam nas redes sociais e encontrou uma notícia do programa 10 News, da emissora ABC que informava que o pronunciamento dos senadores republicanos ocorreu em 10 de junho. 

A íntegra do vídeo foi publicada na conta do Twitter da senadora Marsha Blackburn, que comandou as declarações dos senadores. Diferentemente do que foi informado pelo site Terra Brasil Notícias, a senadora e seus colegas de partido não estavam anunciando que descobriram a origem do novo coronavírus. 

O que eles fazem no vídeo é, na verdade, criticar as empresas donas de redes sociais, que, segundo eles, teriam atuado para limitar o debate sobre a teoria de que o SARS-CoV-2 poderia ter vazado de um laboratório em Wuhan, na China. 

“Vou dizer o seguinte: as companhias de tecnologia passaram dos limites nisso. Todos nós temos sugestões de como nós, enquanto senadores, podemos avançar nessa questão e devemos garantir que isso nunca mais aconteça ao povo americano”, disse Blackburn, citando conteúdos relacionados a esse tema que, segundo ela, teriam sido retirados do ar pelas empresas que controlam redes sociais como Facebook, Twitter e YouTube.

E-mails citados não atestam origem do vírus 

No vídeo, o senador republicano Roger Marshall menciona que leu e-mails do infectologista Anthony Fauci sobre a origem do novo coronavírus.

Fauci é diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID) dos Estados Unidos e um dos principais conselheiros da Casa Branca no combate à pandemia de COVID-19. 

A imprensa americana publicou, entre maio e junho deste ano, alguns e-mails de Fauci que datam de fevereiro de 2020.

Nas mensagens, Fauci e o pesquisador Kristian Andersen, do laboratório Scripps Research, da Califórnia, discutiram pesquisas sobre análises da sequência genética do Sars-CoV-2 em busca da origem do vírus. 

Andersen afirmava na época que ainda tentava entender algumas das estruturas únicas do coronavírus e que elas pareciam (potencialmente) “manipuladas”. 

Na conversa, o cientista também observou que ainda haviam outras análises sendo realizadas e que suas opiniões poderiam mudar.

Os e-mails não continham provas de que o vírus havia sido manipulado ou criado em laboratório, mas sim mostravam uma hipótese levantada pelo pesquisador. 

Estudos descartaram origem em laboratório

Pouco mais de um mês após a conversa, no dia 17 de março, Andersen e outros cientistas do Reino Unido e da Austrália publicaram um artigo dizendo que a análise deles mostrava que o Sars-CoV-2 “não é um produto de laboratório ou um vírus manipulado propositalmente”.

A conclusão foi publicada na Nature. Outras pesquisas publicadas em revistas científicas de renome, como Cell e Nature Microbiology também chegaram à mesma conclusão. 

No primeiro estudo, os pesquisadores discutiram a possibilidade de o vírus ter escapado de um laboratório e, apesar de mencionarem que naquele ponto era impossível provar ou refutar essa teoria, disseram acreditar que tal tese não era plausível.

Estados Unidos estão investigando a questão

A teoria de um possível vazamento passou a ser amplamente discutida no fim de maio, quando o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, pediu que agentes da inteligência do país investiguem a origem do SARS-CoV-2 e entreguem um relatório com as conclusões em até 90 dias.

Os agentes estadunidenses trabalham com duas hipóteses:
1) O vírus escapou do Instituto de Virologia de Wuhan, na cidade que foi o epicentro da pandemia da COVID-19

2) O vírus teria infectado humanos por meio do contato com animais selvagens.

Até o momento, as evidências mais robustas que existem são estudos científicos que mostram ser mais provável a teoria de que o Sars-CoV-2 evoluiu naturalmente em morcegos e contaminou os seres humanos, provavelmente tendo infectado um terceiro animal no percurso.

Esse assunto já foi tema de checagens anteriores, como a que relatamos nesse post. Para ficar bem informado e não cair nas pegadinhas que circulam pelas redes sociais, não deixe de acompanhar o nosso observatório de fake news sobre COVID-19.

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