Coronavírus

Fake news: é falso que vencedor do Prêmio Nobel disse que vacinados contra COVID-19 ‘morrerão em dois anos’

Fake news: é falso que vencedor do Prêmio Nobel disse que vacinados contra COVID-19 ‘morrerão em dois anos’

Compartilhar

Sanar

6 min há 50 dias

Circula pelas redes sociais que o virologista francês Luc Montagnier, vencedor do Prêmio Nobel de Medicina de 2008, teria dito que todas as pessoas vacinadas contra a COVID-19 morrerão em dois anos.

O virologista realmente concedeu, em 19 de maio, entrevista polêmica com premissas falsas de que a vacinação em passa cria variantes e agrava a pandemia. Porém, como apontou as verificações de notícias da Agência Lupa e do Fato ou Fake, do G1, ele não afirmou que todos os imunizados morrerão nos próximos anos.

Sobre COVID-19, leia também:

O próprio site para o qual Montagnier deu entrevista, Rair Foudation USA, veio a público desmentir as informações falsas que estão sendo espalhadas em sites de vários países.

Além disso, as vacinas não são responsáveis pela formação de novas cepas do SARS-CoV-2. Veja a seguir os principais pontos que indicam a fake news:

Virologista não disse que vacinados contra COVID-19 morrerão

O texto alarmista que viraliza em diversas redes sociais é acompanhado por uma foto do francês Luc Montagnier, que é creditado como “maior virologista do mundo” e que teria afirmado que “não há esperança e nenhum tratamento possível para aqueles que já foram vacinados”.

“Devemos estar preparados para cremar os corpos. O gênio científico apoiou as afirmações de outros virologistas eminentes após estudar os ingredientes da vacina. Todos eles morrerão devido a intensificação dependente de anticorpos”, diz a legenda das postagens falsas.

As afirmações, porém, não fazem sentido e nem foram ditas por Montagnier. Quem primeiro desmentiu o conteúdo foi o próprio site que publicou a entrevista original do cientista, Rair Foundation USA, fundação estadunidense de extrema-direita.

“Ativistas de mídia social estão espalhando um boato cruel de que o Prêmio Nobel afirmou que aqueles que tomam a vacina contra o coronavírus estarão mortos em dois anos. A deturpação total da declaração do prof. Montagnier veio depois que ele revelou que a vacina contra o coronavírus está ‘criando variantes’”, escreveu a publicação.

“Não está claro se o boato foi iniciado como uma tentativa cínica de desacreditar o prof. Montagnier ou se foi feito para enfatizar o perigo da vacina. De qualquer forma, o Prêmio Nobel não disse tal coisa”, enfatizou a publicação.

Vacinas contra COVID-19 e novas variantes

Apesar de não ter dito que vacinação causará mortes, o virologista Luc Montagnier faz, durante a entrevista, a afirmação falsa de que os imunizantes contra a COVID-19 estariam acarretando o surgimento de variantes do coronavírus, o que não é verdade.

A infectologista da Unicamp, Raquel Stucchi, esclareceu à Agência Lupa que as vacinas não teriam como promover o surgimento de novas variantes, já que essas aparecem à medida em que o vírus se multiplica. E quanto mais ele se multiplica, maiores são as chances de novas cepas.

O pesquisador da Fiocruz, Felipe Naveca, também falou sobre o assunto em entrevista publicada no portal da instituição. Ele citou os exemplos de Reino Unido e Brasil para sinalizar que não há relação entre vacinação e novas cepas.

No Reino Unido, a variante B.1.1.7 começou a circular após as férias de verão e o consequente relaxamento das medidas de isolamento social. O mesmo ocorreu no Brasil, já que a variante P1, localizada primeiro em Manaus (AM), começou a circular logo após as festas de fim de ano, antes do início da vacinação contra a COVID-19 por aqui.

Prêmio Nobel também fala fake news

O cientista francês ficou conhecido em todo o mundo em 2008, quando ganhou o Prêmio Nobel de Medicina pela codescoberta do vírus da Aids, em 1983. Nos últimos anos, ele foi diversas vezes criticado pela comunidade científica por, entre outras coisas, defender que vacinas causam autismo, tese que tem como base um estudo desmentido ainda em 2004.

Ao longo da pandemia da COVID-19, ele voltou aos holofotes com afirmações falsas e desmentidas por agências de checagem de notícias do mundo todo, como é possível verificar com uma busca simples no Google.

Ao site de notícias da Bélgica RTBF, o imunologista Eric Muraille, pesquisador do Fundo de Pesquisas Científicas da Faculdade de Medicina da Universidade Livre de Bruxelas, explicou que o fato de o virologista ser premiado tem sido usado para reforçar argumentos de grupos antivacinas, mesmo sem que as ideias defendidas pelo francês tenha embasamento científico.

“O público deve entender que um Prêmio Novel é apenas um prêmio de prestígio concebido a um trabalho excepcional. Não é de forma alguma uma garantia de que o vencedor é uma fonte de verdade absoluta. Na ciência, nunca é a autoridade ou o maior número que determina o que é verdadeiro. É a racionalidade, a coerência da teoria com o que já se sabe e, especialmente, as provas empíricas, as observações verificáveis que sustentam a teoria”, pontua o médico.

“De acordo com as evidências empíricas atuais, a vacinação contra a COVID-19 é, portanto, uma boa forma de combater o aparecimento de novas variantes do vírus”, conclui Muraille.

Veja alguns impactos sociais do movimento antivacina e descubra por que é urgente deter esse movimento.

Para mais informações sobre segurança e eficácia das vacinas contra a COVID-19, acesse aqui e não deixe de acompanhar nosso observatório de fake news sobre coronavírus.

Compartilhe com seus amigos:
Política de Privacidade. © Copyright, Todos os direitos reservados.