Coronavírus

Fake news: enfermeira que recebeu a primeira dose da CoronaVac não estava vacinada antes

Fake news: enfermeira que recebeu a primeira dose da CoronaVac não estava vacinada antes

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Sanar

7 minhá 25 dias

Circula nas redes sociais que Mônica Calazans, a enfermeira que recebeu a primeira dose da CoronaVac logo após a aprovação pela Anvisa, tinha participado dos estudos clínicos do imunizante e, portanto, já estava vacinada.

Os sites de checagem de notícias Agência Lupa, Projeto Comprova e G1 Fato ou Fake checaram as informações e comprovaram que apesar de Mônica ter realmente participado como voluntária dos ensaios clínicos da CoronaVac, ela integrou o grupo que tomou placebo. Trata-se, portanto, de mais uma fake news relacionada à COVID-19.  

Em janeiro, ela, que é enfermeira na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Instituto de Infectologia Emílio Ribas (SP), foi escolhida para ser a primeira brasileira oficialmente imunizada com a CoronaVac, já que, além de fazer parte da linha de frente do combate ao coronavírus, ela também integra o grupo de risco por ser obesas, hipertensa e diabética.

A origem da fake news sobre primeira dose da CoronaVac

As postagens que questionam a vacinação da enfermeira foram feitas pelo deputado paulista Gil Diniz (sem partido) no Facebook e no Twitter e viralizou também em grupos de WhatsApp.

“Por quê Mônica Calazans tomou a ‘primeira vacina’ se teoricamente ela já estava imunizada por ter participado dos estudos da vacina experimental do Butantan?”, questiona o deputado no post, que também conta com uma montagem de duas imagens.

A primeira é a reprodução de uma notícia veiculada no dia 8 de janeiro de 2021 no site do Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP). A matéria, intitulada “Covid-19: profissionais de enfermagem contam experiência como voluntários nos testes da vacina”, traz o relato de três profissionais da área da saúde, incluindo a enfermeira Mônica Calazans.

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Eles contam como foi o processo de vacinação e de monitoramento após receberem as doses. A reportagem informa que que os voluntários não sabem se receberam vacina ou um placebo.

A segunda imagem publicada pelo deputado, a reprodução de um post feito por Mônica em seu perfil de Facebook, mostra a enfermeira na praia ao lado de duas mulheres, com a legenda “Oiii, vcs [vocês] que lutem”, em registro de 19 de dezembro de 2020.

Ao Projeto Comprova, Mônica disse que a foto é de um dia de folga com outras duas amigas também profissionais da saúde na Praia Grande (SP). “Eu tenho um apartamento na praia, por isso eu fui. Acho que um banho de mar tinha o direito de tomar e foi o que eu fiz”.

Ela também reforça que optou por um horário com pouco movimento, pois não participa de aglomerações e disse acreditar que o maior risco são as baladas, encontros com muitas pessoas e festas clandestinas que desrespeitam as normas de distanciamento social.

O perfil no Facebook divulgado no tuíte do deputado é a conta pessoal da enfermeira. Desde a postagem, a enfermeira relata que foram criadas diversas contas e postagens falsas em redes sociais com o nome dela.

Voluntária nos estudos clínicos tomou primeira dose da CoronaVac

Mônica participou como voluntária dos estudos clínicos feitos no Brasil da CoronaVac, desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com o laboratório chinês Sinovac. Ela recebeu duas aplicações dos testes entre julho e agosto de 2020.

Como é de praxe em qualquer estudo duplo-cego randomizado, um grupo de pacientes recebe o medicamento que está sendo testado e outro, chamado de grupo de controle, recebe um placebo. Nem os médicos, nem os pacientes sabem quem está em qual grupo até o fim da pesquisa. 

Com a conclusão dos testes, os pesquisadores souberam que Mônica havia recebido placebo, e ela, portanto, pôde ser a primeira pessoa imunizada contra a COVID-19 no Brasil, o que ocorreu em 17 de janeiro.

A informação de que Mônica recebeu placebo durante sua participação como voluntária nos testes clínicos foi confirmada, ao G1, pelo próprio Instituto Butantan.

“Isso foi comprovado porque, antes de ser vacinada, fez teste sorológico para COVID-19, que não detectou presença de anticorpos do vírus. Portanto são falsas as mensagens que acusam suposta encenação”, disse o Butantan.

Veja também informações sobre a CoronaVac:

Quem é Mônica Calazans?

Mônica Calazans tem 54 anos e é enfermeira da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Emílio Ribas, em São Paulo. Além de integrar a linha de frente, faz parte do grupo de risco para o coronavírus – é obesa, hipertensa e diabética. Mônica foi auxiliar de enfermagem por 25 anos e se graduou em Enfermagem aos 47 anos.

Segundo reportagem da CNN Brasil, Mônica foi aprovada em concurso público para a área da saúde em fevereiro de 2015 e foi chamada em regime de emergência no início da pandemia pelo governo de São Paulo.

A enfermeira também ficou conhecida depois que foi personagem de reportagens na imprensa e venceu o prêmio Notáveis CNN, premiação do canal de notícias que contemplou pessoas que lutam contra o novo coronavírus. Ela foi a vencedora na categoria Heroína do Ano e representou os profissionais da saúde que atuam durante a pandemia.

“É toda uma história de vida. Diante dos prêmios e toda minha trajetória profissional e principalmente na pandemia, eu fui a escolhida. Havia outros 100 profissionais lá”, afirma.

Sobre o como foi o procedimento para receber o imunizante, Mônica conta que as pessoas que fazem parte do grupo que participou da pesquisa recebem um telefonema semanalmente para saber o estado de saúde de cada um.

“Eu tive todo um aparato dos profissionais para qualquer problema que eu tivesse poderia fazer contato, eu tive um respaldo e isso sempre me deixou muito tranquila”, disse ela ao Projeto Comprova.

Deputado é conhecido por disseminar notícias falsas

Gildevanio Ilso dos Santos Diniz, conhecido também como Gil Diniz, é deputado estadual de São Paulo (sem partido). Foi filiado ao Partido Social Cristão (PSC) de 2015 a 2018.

Após sua saída do PSC, foi filiado ao Partido Social Liberal (PSL),até ser expulso em 2020 por disseminação de notícias falsas e ataques a instituições democráticas, como o Supremo Tribunal Federal (STF).

Gil Diniz tem ligação com Eduardo e Carlos Bolsonaro desde 2014. No período em que esteve filiado ao partido PSC, Diniz foi assessor da equipe de Eduardo Bolsonaro. Em 2018, foi eleito deputado estadual pelo PSL em São Paulo com 214.037 votos.

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