Coronavírus

Fake news: estudo não confirma relação entre vacina contra COVID-19 e queda da fertilidade masculina

Fake news: estudo não confirma relação entre vacina contra COVID-19 e queda da fertilidade masculina

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Sanar

6 min há 10 dias

“Universidade de Miami suspeita que vacina contra vírus chinês pode afetar a fertilidade masculina”, diz o texto do site Crítica Nacional que viraliza, desde janeiro, em diversas redes sociais.

A informação foi analisada pela agência de checagem de notícias Lupa e constatada como falsa, mais uma dentre muitas fake news que visam desmobilizar a campanha de vacinação contra a COVID-19, uma das únicas e mais eficazes medidas de conter a pandemia.

Não há, até o momento, nenhum estudo completo que relacione vacinas contra a COVID-19 e fertilidade masculina.

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O que existe é um estudo publicado em novembro de 2020 pela Universidade de Miami que aborda os efeitos da COVID-19 na fertilidade masculina, portanto analisa a doença e não a vacina.

Logo depois da conclusão de que o SARS-CoV-2 pode infectar o tecido testicular em alguns homens infectados, a Universidade de Miami iniciou uma nova pesquisa para estudar os efeitos da vacina diante desses casos específicos, mas os testes ainda estão em fase de recrutamento.

COVID-19 e fertilidade masculina

A COVID-19 é uma doença sistêmica que compromete não só o pulmão do infectado, mas também outros sistemas do corpo humano, como o cardiovascular, o neurológico e o intestinal. Alguns estudos indicam que o SARS-CoV-2 pode afetar também o desempenho sexual masculino.

Entre as causas possíveis estão a diminuição da testosterona em homens que tiveram a COVID-19 e a inflamação do tecido responsável por regular a contração e o relaxamento dos vasos sanguíneos, o endotélio, que, por interromper o fluxo sanguíneo, pode afetar a função erétil.

Isso é exclusividade do SARS-CoV-2. Outros vírus, como o da caxumba, podem infectar e causar inflamação nas células dos testículos. Porém, a maioria dos casos infectados não são levados à infertilidade.

Universidade de Miami estuda a COVID-19

O estudo da Miller School of Medicine, da Universidade de Miami, é mais um dos que avaliam os impactos da COVID-19 na fertilidade masculina. Em novembro de 2020, os pesquisadores publicaram resultados que indicaram que o vírus pode afetar o tecido testicular.

Porém, enfatizaram que outros estudos e aprofundamentos seriam necessários para avaliar se o vírus causaria infertilidade masculina, bem como entender se o SARS-CoV-2 pode ser transmitido sexualmente.

Vacinas contra a COVID-19 e fertilidade masculina

Em dezembro, os mesmos cientistas decidiram ampliar a investigação para avaliar possíveis impactos no esperma de homens que foram vacinados contra a COVID-19. No entanto, eles partem da premissa de que é improvável que as vacinas contra o SARS-CoV-2 tenham impacto negativo na fertilidade masculina.

Um dos coordenadores da pesquisa, o médico Ranjith Ramasamy, explicou isso no próprio site da instituição. “Baseado no mecanismo pelo qual o mRNA atua, é improvável que as vacinas da COVID-19 tenham impacto na fertilidade masculina”, disse, ao afirmar que um dos objetivos do estudo é “educar e, possivelmente, tranquilizar o público”.

Vale lembrar que os imunizantes que utilizam tecnologia de RNA mensageiro, como é o caso de Pfizer/BioNTech e Moderna, estão no centro de fake news com enredos dos mais absurdos, como nós já descrevemos aqui e aqui.

Pesquisa ainda em fase de recrutamento

Ao contrário do que a peça de fake news afirma, os cientistas não indicam que as vacinas contra a COVID-19 podem afetar a fertilidade masculina como recomendam que toda a população se vacine contra o SARS-CoV-2.

O urologista Daniel Nassau, que também integra o time de cientistas responsável pela pesquisa conduzida na Miller School of Medicine, afirma que a proposta do novo estudo é avaliar a produção e a qualidade dos espermatozoides para homens que estão fertilidade no presente e no futuro.

“Queremos ver se há alguma diminuição na produção ou qualidade do esperma. Vamos olhar uma amostra de sêmen antes de eles receberem a vacina e, em seguida, três e seis meses depois da imunização”, disse ele, pontuando que os testes ainda estavam em fase de recrutamento na época em que a fake news começou a viralizar.

Segundo os cientistas, os dados preliminares só serão possíveis no momento em que a maioria da população estudada estiver vacinada contra a COVID-19.

Especialistas descartam relação com infertilidade

Fake news que relacionam as vacinas contra a COVID-19 à infertilidade não são exclusividade do Brasil. Em vários países, surgiram notificas falsas que relacionavam os imunizantes à queda na fertilidade masculina e feminina, e até morte de fetos.

O Fundo de Emergência Internacional das Nações Unidas para a Infância – Unicef – publicou uma reportagem para desmistificar essa ideia, na qual ouviu diversos especialistas médicos que refutaram veementemente as afirmações.

“Vacinas não causam infertilidade. Esse boato impreciso foi iniciado por dois pseudocientistas alemães e se espalhou pela internet”, disse um dos entrevistados, o biólogo molecular e neurobiólogo Milos Babic.

“De acordo com dados verificados, a infecção com o vírus pode prejudicar a fertilidade masculina, e essa é outra razão pela qual a vacinação é necessária para proteger contra esses e outros efeitos do coronavírus”, disse.  

A médica Marija Božović, do Instituto de Saúde Pública de Montenegro, complementou: “Por outro lado, nas pesquisas clínicas das empresas Pfizer e Moderna, participaram 30 mulheres que permaneceram grávidas, o que indica que não há efeito direto das vacinas na fertilidade”.

“As vacinas contra a COVID-19 foram aprovadas em estudos clínicos que comprovaram que não são prejudiciais ao corpo humano. Por enquanto, não há nenhum estudo ou pesquisa que confirme que as vacinas em uso podem ter esse tipo de consequência em nossa saúde”, confirmou o especialista Djordje Krnievic, do Centro Clínico de Montenegro, que também foi ouvido pela Unicef.

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