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Fake news: máscaras de proteção contra COVID-19 não causam danos neurológicos irreversíveis

Fake news: máscaras de proteção contra COVID-19 não causam danos neurológicos irreversíveis

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Sanar

7 minhá 14 dias

Circula pelas redes sociais no Brasil e no mundo uma mensagem atribuída a uma neurologista alemã que diz que o uso de máscaras de proteção contra COVID-19 pode levar à privação de oxigenação do cérebro e, consequentemente, causar danos neurológicos irreversíveis.

Não, você não está lendo texto repetido, mas se ficou com essa impressão deve ser porque nós já desmentimos uma informação parecida que circulou nas redes sociais em maio de 2020 e que falava que o uso de máscaras poderia causar hipóxia.

A postagem recente traz o suposto relato de uma médica alemã chamada Margareta Griesz Brissom. Diz o texto atribuído a ela:

“A reinalação de nosso ar exalado sem dúvida criará deficiência de oxigênio e uma inundação de dióxido de carbono. Sabemos que o cérebro humano é muito sensível à privação de oxigênio. Existem células nervosas, por exemplo no hipocampo, que não podem durar mais de 3 minutos sem oxigênio – elas não podem sobreviver. Os sintomas agudos de alerta são dores de cabeça, sonolência, tontura, problemas de concentração, desaceleração do tempo de reação – reações do sistema cognitivo.”

Agências de checagem internacionais como AFP, Reuters e USA Today entraram em ação e prontamente detectaram a fake news, assim como o Boatos.org e uma reportagem realizada pelo G1, que ouviu alguns especialistas para conferir se havia alguma validade nas informações viralizadas.

Ainda sobre máscaras de proteção contra a COVID-19, veja o vídeo abaixo da importância de usar mesmo após receber a vacina:

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Confira a seguir alguns dos principais pontos que desmentem as informações de que as máscaras causam falta de oxigênio e danos neurológicos:  

1. Máscaras de proteção contra COVID-19 são feitas de material respirável

Segundo a infectologista e professora da Universidade de Campinas (Unicamp), Raquel Stucchi, o uso de máscara não nos priva de oxigenação, ou seja, o acessório não impede a liberação de dióxido de carbono e nem a entrada de oxigênio, como afirma a fake news.

“O ar que a gente expira passa pela máscara. A gente não está respirando em um saco plástico, por exemplo. As máscaras indicadas para conter a CCOVID-19 possuem material respirável”, explicou ao G1.

2. Não há estudos que acusem dados neurológicos

De acordo com Daniel Martins-de-Souza, professor e neurocientista da Unicamp, não existem estudos científicos que apontem danos causados pelo uso prolongado da proteção.

“Estudos realizados durante a pandemia de COVID-19 viram que não existe alteração significativa da absorção de oxigênio nem tampouco qualquer problema causado pela presença de mais CO2 entre a boca e o nariz. Realmente existe uma concentração maior de dióxido de carbono no espaço da máscara do que no ar. Mas isso não quer dizer que é uma quantidade que vai causar problemas”, disse ao G1.

3. Incômodo pode estar relacionado à falta de costume ou claustrofobia

Apesar de nós já estarmos há mais de um ano vivendo a pandemia, com a orientação de usar máscara sempre que for necessário sair de casa, algumas pessoas podem ter dificuldade de se acostumar ao acessório.

Isso pode gerar uma falsa sensação de dificuldade de respirar. Mas Martins garante que é apenas impressão e que a tendência é o corpo se adaptar à máscara.

“As moléculas de CO2 e de oxigênio são entes minúsculos, portanto o ar não fica preso e não encontra dificuldade de passar pela máscara. O vírus é uma partícula infinitamente maior do que uma molécula de oxigênio ou dióxido de carbono. Assim, ela é capaz de proteger”, explicou o neurocientista ao G1.

Como apontou o site Reuters, um estudo de pesquisadores norte-americanos realizado em julho de 2020 descobriu que uma máscara facial média não limita o fluxo de oxigênio para os pulmões – isso mesmo em indivíduos com doenças pulmonares graves que também participaram da pesquisa.

Os pesquisadores chegaram à conclusão de que qualquer desconforto inicial observado ao usar uma máscara ocorreu, na verdade, devido à irritação dos nervos faciais sensíveis, ao aquecimento do ar inalado ou à sensação de claustrofobia por parte dos indivíduos. Ou seja, nada a ver com privação do oxigênio (hipóxia) ou algo do tipo.

4. Conteúdo foi baseado em vídeo removido do YouTube

As informações falsas foram extraídas de um vídeo em que a médica aparece fazendo as afirmações falsas sobre o uso da máscara. O conteúdo, porém, foi removido do YouTube com a justificativa de “violar os termos de serviços” da plataforma.

Porém, a remoção não bastou para que a mensagem falsa deixasse de circular, já que internautas fizeram cópias do vídeo original e postaram no Facebook e em outras redes sociais, com legenda para vários idiomas, dentre eles o português.

Isso prova, na prática, aquilo que a Organização Mundial da Saúde classificou como infodemia, isto é, um fenômeno mundial que se vale de fake news, teorias da conspiração, rumores e outros conteúdos divulgados sobre a pandemia para confundir a população e que, consequentemente, contribui para aumentar o número de contaminados e mortes por COVID-19.

5. Os benefícios das máscaras de proteção contra COVID-19 são consenso

O uso de máscaras ainda é considerado um dos principais métodos para evitar o contágio da COVID-19 pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Segundo a organização, elas servem tanto para a proteção de pessoas saudáveis quanto para prevenir a transmissão por pessoas contaminadas.

O Ministério da Saúde no Brasil também recomenda que todas as pessoas se protejam com máscaras. “A utilização impede a disseminação de gotículas expelidas do nariz ou da boca do usuário no ambiente, garantindo uma barreira física que vem auxiliando na mudança de comportamento da população e na diminuição de casos”, diz o órgão.

6. Fake news sobre máscaras são comuns

Recentemente, nós também trouxemos outros dois boatos que envolvem as máscaras e que estavam viralizando pelas redes sociais. Esse aqui acusava o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla inglês) de ter afirmado que as máscaras não preveniam o contágio pelo SARS-CoV-2 e que, portanto, teriam impacto significante no número de casos de infectados.

Já o outro boato foi trazido pelo próprio presidente da República, Jair Bolsonaro, ao apontar em uma de suas lives um estudo que dizia que as máscaras eram prejudiciais à saúde das crianças, provocando sintomas como irritabilidade e dificuldade de concentração.

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