Coronavírus

Fake news: médica dos EUA não perdeu bebê após tomar vacina contra COVID-19

Fake news: médica dos EUA não perdeu bebê após tomar vacina contra COVID-19

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Sanar

6 minhá 5 dias

Circula nas redes sociais uma fotografia de uma mulher vestida com uniforme médico que recebe uma injeção enquanto segura uma ultrassonografia que indica que ela está grávida. As legendas que acompanham a imagem dão a entender que ela teria perdido o bebê depois de tomar a vacina contra COVID-19.

Algumas postagens identificam a médica como Sara Beltrán Ponce, que estaria grávida de 14 semanas e que “dias após a vacinação, ela abortou, perdendo Eva, sua futura filha”. Outras indicam que se trata de uma “pesquisadora norte-americana que teve um aborto espontâneo após tomar a vacina contra a COVID-19”. Alguns posts ainda indicam que a moça da imagem seria uma “enfermeira grávida”.

O trabalho de checagem da AFP Brasil provou que a notícia é mais uma das tantas fake news sobre vacina que circulam durante a pandemia da COVID-19. Publicações semelhantes também circularam em outros idiomas, como espanhol, inglês e francês.  

Mulher grávida passa bem

Uma busca reversa pela imagem revelou que a postagem original é de 7 de janeiro de 2021, feita pela usuária Amy Guy-Ulrich. Na legenda: “Toda decisão como pai é difícil, para mim, a vacina [contra a] COVID-19 foi a correta. #CRNA [Enfermeira Anestesista Certificada e Registrada] #frontlineworkers [#trabalhadoresdalinhadefrente] mantenham-se saudáveis amigos #28weekspregnant [#grávidade28semanas]”.

Nessa mesma postagem foi feito um comentário, em 6 de fevereiro, alertando sobre as versões que estavam circulando nas redes sociais sobre uma suposta perda do bebê após a vacinação.

Em resposta, Amy Guy-Ulrich escreveu: “Sigo feliz, saudável e grávida! 32 semanas com um meninão perfeitamente saudável!”. No mesmo dia, ela publicou uma fotografia e reiterou que estava bem de saúde.

Em 14 de março, Amy publicou outra foto em sua conta do Facebook rodeada por quatro crianças e com a seguinte legenda: “Ainda grávida de 37 semanas e 4 dias. Prestes a explodir!”.

Ela não mora onde indicam as fake news

O perfil de Amy no Facebook revela ainda que ela vive em Illinois, nos Estados Unidos, e não em Milwaukee, como afirmam algumas das publicações que viralizaram.  Uma busca no Google pelos termos “Amy Guy-Ulrich CRNA Illinois” leva a vários resultados (12) que corroboram que ela é enfermeira anestesista nesse estado.

A equipe de checagem da AFP tentou entrar em contato com ela, mas não obteve retorno até a data da publicação desta verificação. Uma porta-voz da OSF HealthCare, a rede de serviços de saúde onde a enfermeira trabalha, disse à AFP que a fotografia de Amy “foi retirada sem a sua permissão de um site de redes sociais e usada por terceiros de maneira inapropriada”.

Estamos tristes com a situação, mas felizes de informar que a pessoa que aparece na foto e seu filho que está para nascer estão saudáveis”, acrescentou, assegurando que a instituição está trabalhando para tentar retirar as imagens do ar.

“Alvo da comunidade antivacina”

Além da fotografia de Guy-Ulrich, muitas publicações viralizadas incluem capturas de tela dos tuítes da usuária do Twitter Sara Beltrán Ponce com mensagens em inglês que asseguram que ela se vacinou enquanto estava grávida de 14 semanas.

A checagem da AFP Brasil mostrou que os tuítes são verdadeiros, mas que Sara não deu detalhes sobre a causa do aborto.

Em 4 de fevereiro, ela anunciou no Twitter que sofreu um aborto espontâneo com 14 semanas e meia de gravidez e acrescentou que ela e seu esposo estavam devastados, mas que se sentiam abençoados por terem um ao outro e sua “doce Eva”, em alusão à filha.

Em 5 de fevereiro, Beltrán Ponce escreveu“Não me arrependo da minha franqueza sobre a vacinação nem sobre a trágica perda do meu bebê, mas isso, infelizmente, me tornou um alvo da comunidade antivacina. Se virem que a minha informação está sendo usada por alguém que não seja eu, por favor, me avisem e denunciem como assédio”.

Resumindo

As fake news que viralizaram nas redes sociais combinam informações de duas mulheres diferentes para associar aborto à vacina contra a COVID-19.

A mulher vista na fotografia viralizada não é a médica Sara Beltrán Ponce, de Milwaukee, que perdeu o bebê após se vacinar, como asseguram as publicações viralizadas.

A protagonista é, na realidade, a enfermeira anestesista Amy Guy-Ulrich, do estado de Illinois. A imagem foi feita no início de janeiro, quando ela era vacinada contra a covid-19 e grávida de 28 semanas de um menino. Segundo informações de seu perfil nas redes sociais, sua gravidez segue sem problemas.

Vacinação afeta a gravidez?

A Organização Mundial da Saúde assinala que as gestantes têm mais risco de sofrer um caso severo de COVID-19 se forem infectadas, mas destaca que há poucos dados sobre a segurança da vacinação.

Contudo, conclui que “as mulheres grávidas com alto risco de exposição ao SARS-CoV-2 (por exemplo, profissionais da saúde) ou que tenham comorbidades que aumentem o risco de enfermidade grave podem ser vacinadas em consulta com seu provedor de atendimento médico”.

Nos Estados Unidos três vacinas contra a COVID-19 têm autorização para aplicação: Pfizer-BioNTech, Moderna e Johnson & Johnson.

Os Centros para o Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos indicam em seu site que se vacinar é uma escolha pessoal” e que “qualquer uma das vacinas para COVID-19 atualmente autorizadas podem ser oferecidas às pessoas que estão grávidas ou amamentando”.

Os CDC ainda acrescentam que “com base na forma como essas vacinas funcionam no organismo, especialistas acreditam ser improvável que elas representem um risco específico para as pessoas que estão grávidas. Entretanto, atualmente existem dados limitados sobre a segurança das vacinas contra a covid-19 em gestantes”.

Aqui você encontra mais informações sobre gestação na pandemia da COVID-19.

Veja mais sobre a segurança das vacinas:

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