Coronavírus

Medicamento da Pfizer contra COVID-19 à base de hidroxicloroquina – Fake news

Medicamento da Pfizer contra COVID-19 à base de hidroxicloroquina – Fake news

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Sanar

6 min há 16 dias

O chamado “tratamento precoce” para COVID-19 é assunto que não saí dos holofotes, especialmente durante Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, que investiga ações e omissões da gestão governamental durante a pandemia.

As maiores autoridades sanitárias do Brasil e do mundo descartam, baseadas em evidências científicas, o uso de medicamentos como forte de tratamento preventivo ou precoce contra a COVID-19.

Apesar disso, eles são protagonistas de diversas fake news que atribuem efeitos curativos e até milagrosos contra a infecção.

Uma das notícias falsas que circulam por aí diz que a farmacêutica norte-americana Pfizer está produzindo uma nova droga para uso preventivo e precoce contra a COVID-19 que funciona como a hidroxicloroquina.

O texto afirma que, sob nova roupagem, o medicamento vai render bilhões à Pfizer e a hidroxicloroquina será “finalmente aceita”. O tom conspiratório da fake news indica que a droga é eficiente contra a COVID-19, o que não é verdade. Veja os detalhes a seguir:

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Pfizer não está fazendo remédio com hidroxicloroquina

Como apontou trabalho de checagem de notícias do G1, a Pfizer já esclareceu ao público que não realiza nenhum estudo clínico de medicamento oral à base de hidroxicloroquina.

A origem da fake news está baseada em um anúncio da farmacêutica de março de 2021, na qual a empresa diz que está progredindo em um estudo de fase 1 em adultos saudáveis para avaliar a segurança e a tolerabilidade de uma nova terapêutica antiviral oral experimental para SARS-CoV-2.

O estudo, que tem sido conduzido nos Estados Unidos, testa múltiplas doses ascendentes até que se alcance a dosagem para combater o vírus. “O potencial medicamento oral PF-07321332, um inibidor de protease SARS-CoV2-3CL, demonstrou potente atividade antiviral in vitro contra a SARS-CoV-2 e outros coronavírus, sugerindo uso no tratamento de Covid-19, além de ameaças futuras do vírus”, diz a Pfizer, em nota.

“Como o programa ainda está em fase de pesquisa e desenvolvimento, não se pode especular sobre qualquer potencial, cronograma ou resultado”, complementa a farmacêutica, que nega veementemente que o medicamento seja à base de hidroxicloroquina ou que funcione como ela.

Hidroxicloroquina não é recomendada por autoridades de saúde

Em março de 2021, a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou uma revisão de estudos com um parecer no qual diz que há “forte recomendação” contra o uso de hidroxicloroquina, cloroquina e ivermectina no tratamento da COVID-19.

Esses medicamentos fazem parte do que vem sendo chamado de ‘kit Covid’, que chegou a ser defendido como “tratamento precoce” para a COVID-19.

Vale dizer que atualmente o uso desses medicamentos contra a COVID-19 não é recomendado pelas principais entidades médicas e sanitárias do mundo.

Entre elas, a Sociedade de Doenças Infecciosas da América (IDSA, na sigla em inglês), a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), além da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Conselho Nacional de Saúde (CNS).

Em nota, a Associação Médica Brasileira, que reúne mais de 80 entidades médicas do Brasil, pediu que a utilização de qualquer um dos fármacos que integram o chamado “tratamento precoce” seja banida.

“Reafirmamos que, infelizmente, medicações como hidroxicloroquina/cloroquina, ivermectina, nitazoxanida, azitromicina e colchicina, entre outras drogas, não possuem eficácia científica comprovada de benefício no tratamento ou prevenção da COVID-19, quer seja na prevenção, na fase inicial ou nas fases avançadas dessa doença, sendo que, portanto, a utilização desses fármacos deve ser banida”, diz o texto da Associação Médica Brasileira (AMB).

Efeitos adversos podem ser graves

Hidroxicloroquina e cloroquina são medicamentos que utilizam a mesma substância, mas diferem na formulação. Ambos têm efeito imunomodulador e são usados para tratar doenças autoimunes, como lúpus e artrite reumatoide. E também usados no combate à malária.

Sucessivos estudos científicos descartam os efeitos desses medicamentos contra a COVID-19. Entre eles, o Recovery Trial, realizado no Reino Unido com pacientes hospitalizados, e a pesquisa da Coalizão Covid-19 Brasil, que avaliou cerca de 500 voluntários com infecção pelo coronavírus em estágios leves e moderados.

Os tratamentos testados não só tiveram sua eficácia contra o coronavírus descartada como foram associados a efeitos adversos mais frequentes, como arritmia e aumento de enzimas TGO/TGP no sangue (alteração que pode indicar lesão no fígado), retinopatias, hipoglicemia grave e toxidade cardíaca, além de diarreia, náusea, mudanças de humor e feridas na pele.

Médicos relataram casos de pacientes com COVID-19 que morreram depois de fazer nebulização com hidroxicloroquina.

Tratamento precoce e as fake news

Apesar dos riscos graves, os dois medicamentos continuam sendo defendidos por grupos chamados de negacionistas, justamente por negarem as evidências científicas por trás das ações tomadas pelas autoridades sanitárias no combate à pandemia.

Assim, os medicamentos do “kit Covid” figuram como protagonistas em diversas fake news que circulam nas redes sociais. Nós já desmentimos algumas delas aqui e aqui.

Aqui você confere mais informações sobre 5 medicamentos que não funcionam contra a COVID-19.

E abaixo você confere informações detalhadas sobre cloroquina e hidroxicloroquina:

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