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Fake news: não é verdade que variantes do novo coronavírus são criadas por governos

Fake news: não é verdade que variantes do novo coronavírus são criadas por governos

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Sanar

5 min há 42 dias

As variantes do novo coronavírus entraram no alvo das fake news. Está circulando nas redes sociais uma postagem que sugere que as variantes do SARS-CoV-2 não existem e que as nomenclaturas são criadas aleatoriamente por governos. 

A imagem viral exibe uma mulher ao lado de uma roleta que contém nomes de vários países. A legenda diz: “vamos brincar de girar a roda da variante”. Os textos que acompanham as postagens alegam que as variantes são invenções de países.

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A mensagem foi desmentida pelo trabalho de checagem de notícias Fato ou Fake, do G1. Na verdade, todos os vírus sofrem modificações genéticas com o tempo, e com o causador da COVID-19 não é diferente.

A seguir você confere os principais pontos que desmentem essa fake news que circula pelas redes sociais. Confira: 

Variantes não são criadas por governos

A Organização Mundial de Saúde (OMS) explica que todos os vírus, incluindo o SARS-CoV-2, que causa a COVID-19, mudam com o tempo. 

“A maioria das mudanças tem pouco ou nenhum impacto nas propriedades do vírus. No entanto, algumas alterações podem afetar as propriedades do vírus, como a facilidade com que ele se espalha, a gravidade da doença associada ou o desempenho de vacinas, ferramentas de diagnósticos ou outras medidas e de saúde pública”, diz a OMS. 

Neste post, nós explicamos que quando um vírus se replica ou faz cópias de si mesmo, às vezes muda um pouco. Essas mudanças são chamadas de “mutações”.

Um vírus com uma ou mais novas mutações é referido como uma “variante” do vírus original.

Quando um vírus está amplamente em circulação em uma população e causando muitas infecções como no caso do Sars-CoV-2, a probabilidade de que este sofra uma mutação aumenta. Então quanto mais ele se espalhar, mais vai se replicar e mais oportunidades ele tem de sofrer mudanças.

Nomenclatura das variantes não são aleatórias

Diferente do que as falsas publicações sugerem, os nomes das variantes do SARS-CoV-2 não são escolhidos aleatoriamente pelos países. Quem explica é a imunologista e ex-diretora do Instituto de Medicina Tropical da Universidade de São Paulo (USP), Ester Sabino. 

“A classificação das variantes é feita por sequenciamento e usa a mesma lógica que usamos para classificar e nomear espécies. Esta técnica se chama análise filogenética”, explicou a médica, que faz parte da equipe que sequenciou o genoma do coronavírus no Brasil no início da pandemia. 

“Existem três nomenclaturas diferentes e isso estava gerando confusão e a comunidade acabava por usar o nome do país onde a linhagem tinha sido encontrada pela primeira vez. Por este motivo, a OMS organizou uma nova nomenclatura para que todos usem a mesma”, explicou Sabino. 

Nome científico x nome popular 

Os nomes científicos existem porque fornecem dados úteis aos especialistas, mas a OMS trabalha com outras terminologias em suas comunicações utilizando dois critérios principais: nomes que sejam fáceis de pronunciar e lembrar e que evitem que o público e a imprensa usem termos que estigmatizem ou discriminem os locais onde as variantes são identificadas. 

Desta forma, a variante B.1.1.7, previamente identificada no Reino Unido, foi denominada Alpha. A B.1.351, identificada pela primeira vez na África do Sul, tornou-se Beta e a variante P.1, detectada no Brasil, Gamma.

A OMS também deu dois nomes diferentes às subvariantes de B.1.617 que devastaram a Índia e se espalharam para outros países: B.1.617.2 foi chamada de Delta e B.1.617.1, de Kappa.

Nós temos um post que detalha as características e os impactos das principais variantes do vírus causador da COVID-19. Não deixe de conferir! 

Variante de Interesse e de Preocupação

Vale mencionar também que no final de 2020, com o surgimento de variantes que representavam maior risco para a saúde pública global, foi solicitada a caracterização de Variantes de Interesse (VOIs) e Variantes de Preocupação (VOCs).

Essa caracterização teve com o objetivo de priorizar o monitoramento e a pesquisa global e, em última instância, informar a resposta em andamento à pandemia da COVID-19. Neste post, explicamos tudo sobre o assunto. 

Como frear o surgimento de novas variantes

As principais medidas para reduzir a transmissão do SARS-CoV-2 e, consequentemente, reduzir a chance de aparecimento de novas variantes incluem higienização frequente das mãos, uso de máscaras, distanciamento físico, boa ventilação em ambientes fechados e evitar locais com aglomeração

Além disso, é fundamental aumentar a fabricação de vacinas e garantir o acesso rápido e equitativo dos imunizantes contra a COVID-19 para todos os brasileiros e brasileiras. 

À medida que mais pessoas são vacinadas, se espera que a circulação do vírus diminua, o que levará a menos mutações.

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