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Fake news: não existe protocolo para baixar oxigênio de intubados por COVID-19 e aumentar mortes

Fake news: não existe protocolo para baixar oxigênio de intubados por COVID-19 e aumentar mortes

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Sanar

6 minhá 5 dias

Alguns grupos de WhatsApp estão compartilhando uma mensagem de uma enfermeira que teria denunciado uma suposta ordem para baixar o oxigênio de pacientes intubados por COVID-19. A medida seria para aumentar o número de mortos e justificar medidas mais restritivas de isolamento social.

Diz a mensagem: ENFERMEIRA indignada chama a imprensa e fala o que esta acontecendo nos hospitais (GRAVÍSSIMO). Ela disse que a ordem e entubar todos os pacientes e depois baixar o oxigênio, para aumentar os números de mortes e justificar o lockdown, para quebrar a economia e tentar desestabilizar o Governo Federal. É um denúncia muito GRAVE é um grande genocídio estão literalmente matando as pessoas, que Absurdo. Vamos ver se isso será noticiado na imprensa.”

O texto não tem a sua autoria revelada. No lugar da assinatura, há apenas as palavras “MISERICÓRDIA, Senhor! Amém”. Como demonstrou o trabalho de verificação de notícias da Lupa, a mensagem é fake news e está baseada em uma informação descontextualizada.

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Enfermeira indignada?

Segundo a Lupa, a mensagem falsa está embasada em uma entrevista concedida em janeiro por uma mulher que acompanhava um dos pacientes intubados por COVID-19 em um hospital de Manaus (AM).

Como noticiaram alguns portais na época, a acompanhante declarou a jornalistas que o nível de oxigênio das pessoas hospitalizadas com COVID-19 tinha sido reduzido no Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto.

“Sabe por que eles tiraram todo mundo daí? Porque eles não estão nem aí para ninguém. Essa é a realidade. De manhã, estavam todos os acompanhantes e eles chegaram lá igual um bando de cavalos abaixando o oxigênio de todo mundo”, denunciou Natálie Batista, que acompanhava um paciente de 81 anos.

A entrevistada, porém, não é enfermeira e tampouco falou sobre “lockdown”, “quebra da economia” e “desestabilização do Governo Federal”, como alega a mensagem falsa que viralizou no WhatsApp.

Crise de abastecimento de oxigênio para intubados por COVID-19

Na ocasião da denúncia, a Secretaria de Saúde do Amazonas comunicou, em nota, que a redução do oxigênio foi protocolo adotado porque o estado tinha registrado recordes de internação pela COVID-19 e enfrentava uma crise de abastecimento de oxigênio.

Assim, o racionamento teve o objetivo de economizar o insumo, e não se aumentar o número de mortes e, por consequência, desestabilizar o governo federal.

Como lembra a Lupa, em meados de janeiro, a  falta de oxigênio na rede pública e privada de saúde contribuiu para o colapso do sistema do Amazonas e provocou mortes por asfixia. A crise do abastecimento do gás medicinal provocou revolta e fez com que vários familiares de pessoas hospitalizadas denunciassem o problema.

Na ocasião, o Coronel Franco Duarte, representante do Ministério da Saúde (portanto do próprio governo federal) afirmou que uma das razões para a crise é o consumo de oxigênio por pacientes em leitos clínicos.

“Aquele paciente que não está no leito de UTI é o que consome mais, porque ele fica ao lado do regulador de oxigênio. A sensação é a falta de ar, e você abrindo o acesso ao oxigênio, você tem a sensação de bem estar, mas em contrapartida, aumenta muito essa demanda”, disse.

Caso com intubados por COVID-19 foi restrito ao Amazonas

Uma outra versão da mensagem falsa, também compartilhada no WhatsApp, exibe a foto de Natálie Batista acompanhada de uma legenda de que existe um suposto “modus operandi” de “intubar e baixar o oxigênio” em hospitais e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) em todo o Brasil.

Como explicado, a declaração da mulher refere-se ao colapso do sistema de saúde do Amazonas e à escassez de oxigênio registrados no estado em janeiro deste ano — e não a um protocolo adotado em todas as unidades hospitalares do país.

Procurada pela Lupa, a Secretaria de Saúde do Amazonas informou, por e-mail, que a pessoa que aparece nas imagens não é profissional do Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto. Também afirmou que, atualmente, o fornecimento de oxigênio no estado está estabilizado.

“A unidade ressalta que apesar da dificuldade enfrentada pela rede pública e privada com relação ao abastecimento do gás medicinal no pico da pandemia, o hospital nunca ficou desabastecido.” A nota também explica que “a rede hospitalar segue as orientações da Associação Brasileira de Medicina de Emergência (Abramede) sobre o uso racional do gás oxigênio em pacientes graves com suspeita de infecção por SARS-CoV-2.”

Porém, falta de oxigênio é geral

Enquanto o Amazonas conseguiu estabilizar o fornecimento do oxigênio necessário para atender os pacientes hospitalizados, vários outros municípios estão passando por situação parecida agora.

Como noticiou a Agência Brasil, uma pesquisa feita pela Confederação Nacional de Municípios (CNM) revela o risco de faltar oxigênio e medicamentos para intubação de pacientes com COVID-19 no país. Dos 2.553 municípios participantes do levantamento, 625 deles podem ficar sem oxigênio e, em 1.141 cidades, o risco é de escassez de medicamentos do chamado kit intubação.

Vale ressaltar que o Brasil enfrenta o pior momento desde o início da pandemia da COVID-19. Na última segunda-feira (05/04), o país superou a marca de 13 milhões de casos relatados e registrou 1.623 mortes pela doença nas últimas 24 horas, totalizando 333.153 vítimas fatais. A média móvel de mortes nos últimos 7 dias ficou em 2.698.

Enquanto o programa de vacinação do governo federal avança lentamente, especialistas estão alertando sobre a importância de se fazer medidas de isolamento social mais restritivas, como o lockdown.

Recentemente, fizemos outros posts com fake news que tinham o objetivo de criticar o isolamento social e o lockdown. Confira aqui, aqui e aqui.

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