Coronavírus

FAKE NEWS: Nitazoxanida (Annita) cura a COVID-19

FAKE NEWS: Nitazoxanida (Annita) cura a COVID-19

Compartilhar

Sanar Medicina

4 min há 465 dias

Novamente circulou nas redes sociais outra FAKE NEWS sobre um medicamento capaz de erradicar a infecção pelo SARS-CoV-2. Desta vez, o boato espalhado alega que a Nitazoxanida (Annita) cura a COVID-19.

A FAKE NEWS surgiu após o anúncio feito pelo ministro Marcos Pontes, afirmando que um remédio promissor entraria na fase de estudos clínicos. Segundo o ministro, a medicação mostrou eficácia de 94% nos testes in vitro contra o SARS-CoV-2.

O ministro não chegou a citar nomes, justamente por não haver conclusões, mas afirmou que o medicamento é amplamente acessível, tem formulação pediátrica e é muito disponível nas farmácias brasileiras.

Nitazoxanida na lista da Agência Nacional de Vigilância Sanitária

No mesmo dia, nitazoxanida foi incluída na lista de remédios controlados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Os boatos então surgiram de que o medicamento divulgado pelo ministro seria a Nitazoxanida, conhecido popularmente pelo seu nome comercial: Annita, e  este seria a cura contra a COVID-19.

Acontece que nem o Ministro Marcos Pontes, nem o Ministério da Saúde divulgou o nome do medicamento citado. Ainda que a substância fosse de fato a Nitazoxanida, os resultados encontrados in vitro nem sempre se repetem in vivo.

Aliás, este assunto já foi abordado aqui quando tratamos da Ivermectina, substância que também apresentou eficácia alta em eliminar o SARS-CoV-2 em células in vitro, porém ainda carece de testes in vivo. A própria Ivermectina já havia sido testada contra outros vírus in vitro, mas não mostrou eficácia nos ensaios clínicos in vivo.

Os testes in vitro são a etapa inicial e básica nas pesquisas em Saúde, e é preciso muita cautela ao criar expectativas para os resultados na prática clínica.

Para mais conteúdos sobre Medicina:

Inscreva-se na Sanar Newsletter

Participe do canal Sanar Medicina no Telegram

Inscreva-se no YouTube da Sanar

Siga no Instagram

Curta no Facebook

Testes clínicos da Nitazoxanida

O Medicamento informado pelo Ministro iniciará a fase de testes clínicos. Ele irá ser testado em 500 pacientes em 7 hospitais diferentes. Tudo isto começou em fevereiro. Uma equipe do laboratório Nacional de Biociências do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais, iniciou uma grande pesquisa sobre reposicionamento de fármacos para o tratamento da COVID-19.

O reposicionamento consiste em testar drogas já aprovadas e utilizadas para outras condições, para usá-la contra uma outra condição. A pesquisa incluiu inicialmente 2 mil medicamentos previamente aprovadas pela FDA para uso terapêutico em outras doenças.

Utilizando alta tecnologia de biologia molecular e estrutural, associada à computação científica, quimioinformática e inteligência artificial, os pesquisadores chegaram a 6 moléculas que mostraram-se promissoras para seguir com os testes in vitro.

Ao fim dos testes in vitro, duas destas moléculas mostraram redução significativa da replicação viral, sendo uma delas a citada pelo ministro, mostrando eficácia de 94% nos ensaios laboratoriais com células infectadas.

No dia 14 de Abril, o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) obteve autorização da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP) para prosseguir e realizar a última etapa dos testes, que consiste num ensaio clínico com pacientes infectados pelo SARS-CoV-2.

Para garantir a continuidade dos testes clínicos, e por questões de segurança, o nome do medicamento será mantido em sigilo até que os ensaios clínicos in vivo demonstrem eficácia.

Portanto, não se pode afirmar que a Nitazoxanida (Annita) cura a COVID-19, pois não se pode ter certeza de que este é realmente o medicamento que está sendo testado. Ainda que fosse, os resultados in vitro são totalmente insuficientes para afirmar qualquer possibilidade de cura.

Confira o vídeo:

Posts relacionados:

Compartilhe com seus amigos:
Política de Privacidade. © Copyright, Todos os direitos reservados.