Coronavírus

Fake news: notícia de que vacinas para COVID-19 provocam danos genéticos é falsa

Fake news: notícia de que vacinas para COVID-19 provocam danos genéticos é falsa

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Sanar

7 minhá 29 dias

Recentemente, fizemos um post desmentindo uma fake news que afirmava que as vacinas contra a COVID-19 de RNA mensageiro, como é o caso de Pfizer/BioNTech e Moderna, alteravam o DNA do imunizado. Mas por mais absurdo que pareça, o tema ainda tem fôlego com os disseminadores de notícias falsas. É o caso de um vídeo publicado em dezembro no Facebook pelo deputado federal Daniel Silveira (PSL) e que ainda viraliza nas redes sociais por afirmar que vacinas para COVID-19 provocam danos genéticos.

Atualmente, o político cumpre prisão domiciliar por divulgar ataques a ministros do STF. A medida foi determinada pelo STF durante a apuração do inquérito de fake news.

O vídeo compartilhado pelo deputado traz o médico do Espírito Santo Alessandro Loiola afirmando que as vacinas desenvolvidas para a COVID-19 que utilizam tecnologias de vetor viral (adenovírus), vacina de DNA e vacina de RNA mensageiro podem provocar danos genéticos potenciais nas pessoas imunizadas.

O médico alega também que para serem consideradas seguras, as vacinas teriam que ser testadas durante 20 ou 30 anos para que os cientistas tenham a certeza de que não causam câncer.

Ele também levanta outros questionamentos para tentar desqualificar as pesquisas e testes já realizados para a vacina contra a COVID-19, além de minimizar a gravidade da pandemia. Tudo isso num momento em que o Brasil vive a pior fase desde que o novo coronavírus começou a circular por aqui.

A tentativa é também evidente na legenda postada junto com o vídeo por Silveira: “A estratégia sempre foi muito clara: ‘vamos espalhar o medo em escala global, e assim, podemos emplacar nossos experimentos como cura’.

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Os vários tipos de vacinas contra a COVID-19

Todos os tipos de imunizantes desenvolvidos para combater o novo coronavírus têm o objetivo de expor o indivíduo a um antígeno. Embora o antígeno exposto não seja capaz de causar doença, provoca resposta imune que pode bloquear ou matar o vírus quando o indivíduo é exposto.

As vacinas de vírus inativado são as mais antigas e amplamente utilizadas, por exemplo, para combater a gripe e a poliomielite. No caso da COVID-19, quem utiliza essa tecnologia é a CoronaVac, desenvolvida pelo Instituto Butantan e pelo laboratório chinês Sinovac. É o imunizante mais aplicado na população brasileira e com eficácia geral que pode chegar a 62,3%.

Já as vacinas de RNA são uma tecnologia mais moderna e que ganhou destaque na pandemia. As representantes desse grupo são as vacinas norte-americanas Pfizer/BioNTech e Moderna.

A vacina Oxford/AstraZeneca, desenvolvida pela universidade britânica e produzida no Brasil pela Fiocruz, conta com a tecnologia de vetor viral não-replicante, assim como os imunizantes da farmacêutica norte-americana Jassen e Sputnik V, da Rússia.

Há ainda as vacinas proteínas sub-unitárias, que não utilizam vetores virais como intermediários. As proteínas, pequenos pedacinhos do vírus, são injetadas diretamente no organismo do paciente. O exemplo é a vacina da farmacêutica americana Novavax.

Não há evidências científicas de que vacinas para COVID-19 provocam danos genéticos

O Projeto Comprova conversou com especialistas médicos que reforçaram que não há estudos científicos catalogados que indicam que as vacinas para COVID provocam danos genéticos, alterações genéticas ou qualquer tipo de câncer nos vacinados, e nem que  precisem de um tempo mínimo para atestar a segurança.

O virologista Flávio Fonseca, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) explicou que “nosso organismo está acostumado a receber uma quantidade de material genético estrangeiro enorme e nossas células sabem como lidar com esses materiais genéticos”.

“No núcleo da célula tem várias enzimas que patrulham esse espaço corrigindo imperfeições no genoma e evitando que o material genético estrangeiro possa trazer algum problema. E isso é um resultado de milhões de anos de evolução para evitar que a gente seja sujeito a isso”, acrescentou.

A médica infectologista Gladys Prado, do Hospital Sírio Libanês, explica que a vacina traz proteínas que estimulam o sistema imunológico enquanto nossos anticorpos reconhecem essas proteínas.

Mas, quando uma pessoa é contaminada pelo coronavírus o processo é bem diferente: em vez de fortalecer o sistema imunológico, o vírus vindo da contaminação torna-se um “hospedeiro” e faz com que a célula trabalhe para ele.

Tecnologia das vacinas é segura

O especialista em desenvolvimento de vacinas de DNA vírus pela Fiocruz, Rafael Dhalia, explicou que as tecnologias utilizadas nos imunizantes citados no vídeo com conteúdo falso são eficazes no combate à COVID-19 e seguras para o organismo humano.

“Embora todas elas tenham como base o material genético do vírus, nas vacinas de vetor viral esse material é transportado para nossas células por um vírus deficiente, que não causa doença grave. Enquanto as vacinas de RNA são transportadas para as nossas células dentro de partículas lipídicas”, explicou.

O especialista da Fiocruz pontuou ainda que os resultados mais recentes divulgados das vacinas que utilizam as tecnologias adenovírus e RNA mensageiro, ambas citadas pelo médico no vídeo, demonstraram bons resultados de eficácia e que os “dados de segurança não demonstraram efeitos adversos graves”. Portanto, boatos que afirmam que vacinas para COVID-19 provocam danos genéticos são mentira.

Veja o vídeo sobre a segurança das vacinas:

Vacina de vetor viral não provoca câncer

Sem apresentar provas ou evidências, o médico no vídeo verificado diz ainda que “daqui há 30 anos poderemos ter uma epidemia de câncer”. Sobre isso, o Projeto Comprova entrevistou a microbiologista Jordana Coelho dos Reis, pesquisadora do Departamento de Microbiologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Ela reforçou que os RNAs que estão sendo utilizados nos testes para algumas vacinas não têm a capacidade de alterar nosso DNA e que, portanto, são seguros. “A gente pode confirmar com segurança, com pé no chão, tranquilamente que essas vacinas não representam um risco para câncer nesse sentido de alterar genoma, não tem a menor chance disso acontecer”.

Também vale lembrar que os imunizantes em desenvolvimento contra a COVID-19 estão sendo testados em conjunto por laboratórios e instituições de pesquisa de várias partes do mundo, com o aval de órgãos regulatórios de diferentes países.

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