Coronavírus

Fake news: pesquisa da USP não diz que pessoas confinadas são mais vulneráveis à COVID-19

Fake news: pesquisa da USP não diz que pessoas confinadas são mais vulneráveis à COVID-19

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Sanar

7 min há 16 dias

“Reviravolta: USP comprova que pessoas em confinamento são mais vulneráveis à contaminação por COVID”, diz uma notícia falsa que circula nas redes sociais. A postagem está baseada em uma notícia do site Terra Brasil Notícias. 

A mensagem, porém, é mais uma da série de fake news sobre COVID-19 que visa desmobilizar a população para uma das principais medidas de contenção da doença enquanto a maioria da população não está vacinada: o distanciamento social. 

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Quem revelou a farsa foi o trabalho de checagem de notícias do Aos Fatos. Além disso, a ferramenta de verificação do Facebook marcou a postagem com o selo de FALSO. Na ocasião, ela já somava mais de 5 mil compartilhamentos. 

Estudo não avaliou medidas de distanciamento social

Segundo a própria empresa responsável pelo estudo, o título da peça de fake news não corresponde ao resultado da pesquisa. 

“A pesquisa realizada pela Omni-electronica no Hospital das Clínicas, em São Paulo (SP), não avaliou o efeito de medidas de distanciamento e/ou isolamento social. Ressaltamos também que, em nenhum momento, citamos o termo ‘confinamento’ em nenhum de nossos materiais de divulgação, pois a pesquisa não fala [sobre] este tema”, esclareceu Arthur Aikawa, CEO da Omni-eletronica. 

Em e-mail enviado para o Aos Fatos, ele disse ainda que seu estudo se limitou a “evidenciar a presença de material viral suspenso no ar em ambientes interiores ocupados”; e a “correlacionar a quantidade de material viral amostrado com parâmetros físico-químicos da Qualidade do Ar Interior (QAI), como: temperatura, umidade relativa, concentração de dióxido de carbono, compostos orgânicos voláteis e material particulado suspenso”.

O que o estudo da USP diz sobre a COVID-19

Segundo a empresa, a pesquisa foi realizada por meses no Hospital das Clínicas. Os pesquisadores afirmam ter conseguido capturar o SARS-CoV-2 suspenso no ar em ambiente hospitalar e demonstrar que, mesmo em hospitais, a renovação adequada do ar tem capacidade para reduzir o risco de contaminação.

“O único objetivo foi identificar formas que possam auxiliar uma retomada mais segura do trabalho presencial, por meio do monitoramento, em tempo real, da QAI como forma de viabilizar a gestão de risco de contaminação por bioaerossóis [partículas expelidas por tosse, espirro ou até mesmo pela fala ou expiração do ar], já que a transparência sobre níveis de ventilação e condicionamento do ar interior permitem uma gestão eficaz e a tranquilidade do público ocupante”, afirmou a companhia.

“Portanto, o estudo vinculou um maior risco de contaminação pelo novo coronavírus em ambientes com baixos índices de Qualidade do Ar Interior (QAI), em caso de locais fechados, em que haja uma ou mais pessoas infectadas pelo vírus. Ou seja, o uso do dispositivo é mais uma ferramenta para auxiliar a redução do risco de contágio, que deve ser usado em conjunto com as outras medidas de segurança indicadas pela OMS, como: uso de máscara, higienização regular das mãos e evitar aglomerações, para retomar as atividades do trabalho presencial com segurança”, diz a nota da Omni-electronica.

Título da notícia é enganoso

O texto que alimenta a peça de fake news veio do site Terra Brasil Notícias e, segundo o Aos Fatos, é constituído por uma reprodução de trechos de uma reportagem do Estadão Conteúdo que foi publicada por vários veículos de imprensa. 

No entanto, a reportagem original não faz a afirmação do título usado na mensagem falsa e nem fala em “confinamento”. 

Em nota, o Terra Brasil Notícias reafirmou a alegação de que “a pesquisa faz menção a que pessoas em ambientes fechados são mais vulneráveis à transmissão do vírus” e defendeu que o título publicado “está totalmente de acordo com o estudo feito”. 

O site também disse que “não fala em confinamento residencial, apesar do estudo não descartar essa hipótese”.

Após a resposta do Terra Brasil Notícias, o Aos Fatos procurou novamente a Omni-eletronica, que afastou qualquer relação entre os resultados de sua pesquisa e uma suposta comprovação da relação entre confinamento e vulnerabilidade à contaminação por Covid-19.

O CEO da empresa, Arthur Aikawa, afirmou que “em nenhum momento” citou o termo “confinamento” em materiais de divulgação, “pois a pesquisa não fala sobre este tema”.

Segundo Aikawa, o título usado pelo Terra Brasil Notícias não corresponde ao resultado da pesquisa.

“O título não está em conformidade com o resultado da pesquisa, pois nosso estudo não avaliou o efeito de medidas de distanciamento e/ou isolamento social”, disse. Ele afirma ainda que a matéria é uma réplica distorcida de uma entrevista que ele concedeu ao jornal Estadão. 

Distanciamento social na COVID-19 


Faz mais de um ano que o Brasil vive a realidade do distanciamento social, que consiste na diminuição de interação entre as pessoas de uma comunidade para amenizar a velocidade de transmissão da COVID-19. 

Já a quarentena, às vezes utilizada como sinônimo, acontece quando as pessoas são expostas à doenças contagiosas, mas não estão necessariamente doentes, pois pode se tratar de um período de incubação. No caso da COVID-19, a quarentena dura, no máximo, 14 dias, que é o tempo que o vírus leva para deixar o organismo humano. 

O lockdown, por sua vez, é tido como uma estratégia mais extrema, adotada apenas em situação de grave ameaça ao sistema de saúde. Isso porque a medida isola um determinado perímetro, com bloqueio de todas as entradas por profissionais de segurança. 

A medida custa alto para a economia. Em contrapartida, é eficaz para reduzir a curva de casos e dar tempo para o sistema de saúde se reorganizar em caso de aceleração descontrolada de casos confirmados e óbitos.

Relatório do Ministério da Saúde brasileiro aponta que os países que o implementaram num momento crítico conseguiram sair mais rápido daquele cenário.

De qualquer forma, as três medidas de isolamento social foram as principais estratégias adotadas ao redor do mundo para contenção da pandemia do novo coronavírus. 

Aliada ao uso de máscaras e a higienização constante das mãos, a medida continua sendo essencial enquanto houver pandemia e a vacinação da população ainda caminhar em passos lentos. 

No vídeo abaixo, você confere mais informações sobre isolamento social para COVID-19. Confira: 

Aqui você confere informações sobre os impactos psicológicos do isolamento social e como diminuí-los. 

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