Coronavírus

Fake news: Pfizer não diz que sua vacina contra COVID-19 causa má-formação fetal

Fake news: Pfizer não diz que sua vacina contra COVID-19 causa má-formação fetal

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Sanar

6 min há 12 dias

Circula nas redes sociais um vídeo em que um homem lê um trecho de um documento da Pfizer que diz que seja evitado o sexo sem proteção para não haver chance de ocorrer uma gravidez.

Ele alega que o alerta da farmacêutica estadunidense é destinado a todos que tomam a Pfizer/BioNTech, vacina contra a COVID-19 desenvolvida pela farmacêutica em parceria com o laboratório de biotecnologia BioNTech. O homem do vídeo diz ainda que o alerta foi feito para que a população saiba dos riscos do imunizante para má-formação fetal.

A informação, no entanto, é falsa, como revelou o trabalho de checagem de notícias Fato ou Fake, do G1. Na verdade, a publicação faz as alegações falsas com base num trecho do documento verdadeiro, mas destinado aos voluntários que participaram dos testes clínicos do imunizante, antes que ele fosse sequer aprovado pelas agências sanitárias mundo afora.

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O documento da Pfizer pede que os participantes evitem relações sexuais desprotegidas, mas a exigência é usualmente feita em pesquisas científicas. Com a vacina aprovada, a recomendação deixa de existir, uma vez que os imunizantes foram amplamente testados e aprovados em relação à eficácia e segurança.

Recomendação está relacionada à falta de grávidas nos estudos clínicos

O manual da Pfizer destinado aos voluntários que participaram de estudos clínicos já foi protagonista de outra fake news, que relaciona a imunização com o risco de alteração genética, como descrevemos neste post.

Isso porque os critérios do estudo exigiram que os voluntários se abstivessem de relações sexuais por um período de 28 dias, assim como da doação de esperma. No caso de relação sexual, o uso do preservativo seria indispensável por causa de possíveis riscos de segurança reprodutiva.

A Pfizer, porém, garantiu que as recomendações foram feitas não por apresentar risco de fertilidade ou má-formação fetal, mas porque o estudo não teve a participação de mulheres grávidas.

“Em qualquer estudo clínico que não prevê a participação de população grávida, há recomendações para prevenção e sexo seguro. Estudos de vacinas e medicamentos, geralmente, não incluem grávidas, o que foi o caso da vacina da Pfizer e Biontech contra a COVID-19”, disse a fabricante, enfatizando ainda que caso ocorra gravidez durante o período de testes, a gestante é acompanhada pelos cientistas até o nascimento do bebê.

Protocolo é padrão em estudos clínicos

A recomendação de usar proteção durante o sexo trata-se, na verdade, de uma exigência feita aos voluntários no período de testes de vacinas e medicamentos. O procedimento é considerado usual, ditado por normas internacionais e publicamente conhecido.

“Isto é uma recomendação genérica para quaisquer estudos de vacinação, que são regulados pelas agências (como a FDA e a Anvisa, por exemplo), tomando-se como base diretrizes internacionais, baseadas nas Boas Práticas de Pesquisa Clínica”, disse ao G1 o doutor em biologia molecular e especialista em desenvolvimento de vacinas de DNA pela Fiocruz, Rafael Dhalia.

O especialista reforça que depois da aprovação da vacina essa recomendação de risco de segurança reprodutiva deixa de existir, já que, em etapas posteriores de estudos, as vacinas passam a ser testadas em gestantes e lactantes.

Vale destacar que, no caso das vacinas contra a COVID-19, não houve qualquer registro de infertilidade, nascimento de crianças com alguma doença ou de problemas relacionados à reprodução entre os voluntários que participaram dos estudos.

Gestantes e vacinação contra a COVID-19

Ao contrário do que indicam as fakes news anti-vacina que tomam conta das redes sociais, as vacinas contra a COVID-19 não são prejudiciais às gestantes e aos bebês. Já desmentimos algumas delas aqui e aqui.

Em abril desse ano, o Ministério da Saúde estabeleceu uma nova portaria recomendando a vacinação contra a COVID-19 para gestantes brasileiras, uma vez que não há contraindicações para esse grupo com as vacinas em uso no Brasil.

Neste post, você encontra mais informações sobre a COVID-19 em gestantes. E aqui reunimos algumas dicas do que mulheres grávidas devem fazer em relação à prevenção do novo coronavírus.

Bebês de vacinados nascem com anticorpos

Já há alguns casos no mundo de bebês que já nasceram com anticorpos para a COVID-19 após as mães, quando grávidas, serem vacinadas contra o SARS-CoV-2. Um dos primeiros foi registrado em fevereiro, nos Estados Unidos. A mãe havia sido vacinada com o imunizante da Moderna, que utiliza a mesma tecnologia da Pfizer/BioNTech, de RNA mensageiro.

No Brasil, que começou a vacinar a população em janeiro deste ano, já há registro de vários bebês que nasceram com anticorpos contra a COVID-19. O primeiro deles foi noticiado pela imprensa em maio e aconteceu na cidade de Tubarão, em Santa Catarina. A mãe de Enrico havia sido vacinada com a CoronaVac.

Em Salvador, Mateus também nasceu com anticorpos após a mãe, Patrícia, ter sido vacinada com as duas doses do imunizante Oxford/AstraZeneca. Já em Minas Geras, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) conduziu um estudo que concluiu que pelo menos 68 bebês nasceram com anticorpos para a COVID-19 no estado.

E se você ainda tem dúvidas sobre a segurança das vacinas contra a COVID-19, assista ao vídeo abaixo:

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