Coronavírus

Fake news: post que atribui morte de idoso à CoronaVac é enganoso

Fake news: post que atribui morte de idoso à CoronaVac é enganoso

Compartilhar

Sanar

7 min há 47 dias

Está viralizando no Facebook uma postagem de um usuário que alega que a vacina contra a COVID-19 CoronaVac, produzida pelo Instituto Butantan, foi a responsável pela morte de seu pai.

A postagem foi compartilhada mais de 25 mil vezes na rede social até ser removida. Ela também viralizou em grupos do WhatsApp.

O trabalho de checagem de notícias do Projeto Comprova descobriu que a publicação se refere ao óbito de um idoso de 76 anos na cidade de Guaratinguetá, no interior de São Paulo.

O autor do post é Samuel Abreu Batista, que, por telefone, contou ao Comprova que seu pai recebeu a primeira dose da vacina em 25 de janeiro, mas apresentou sintomas que indicavam COVID-19 e faleceu em 6 de fevereiro.

Segundo ele, na certidão de óbito consta morte por choque séptico com suspeita de COVID-19. A prefeitura de Guaratinguetá confirmou ao Comprova as datas de vacinação e falecimento do idoso, mas negou a relação com a vacina.

Especialistas ouvidos pela reportagem confirmaram que a CoronaVac não causa COVID-19, já que é feita com o vírus inativo. Depois de apurar o caso, o Comprova classificou a postagem que viralizou como “enganosa”, uma vez que o conteúdo “usa dados imprecisos ou que confunde, com ou sem a intenção deliberada de causar dano”.

O G1 também apurou o caso e chegou ao mesmo resultado. A seguir, veja os detalhes que comprovam a fake news.


Instituição onde idoso morava teve surto de COVID-19

Após a repercussão do caso, a prefeitura de Guaratinguetá se pronunciou confirmando que um exame do tipo RT-PCR coletado no dia 5 de fevereiro, um dia antes do falecimento do idoso, confirmou que o paciente estava realmente infectado pela doença quando morreu.

Segundo informação fornecida ao Comprova por Bastista, o idoso era residente da entidade estadual Lar Velinhos São Francisco de Assis de Guaratinguetá. E foi lá mesmo que ele recebeu a primeira dose da CoronaVac, em 25 de janeiro.

No dia 10 de fevereiro, a prefeitura municipal soltou com comunicado oficial que afirmava que a apuração da equipe técnica da secretaria do município constatou que  alguns idosos da instituição, dentre eles o pai de Batista, foram hospitalizados com sintomas de COVID-19.

O comunicado também destaca que alguns funcionários da instituição foram afastados por suspeita de infecção pelo SARS-CoV-2. “(…) foi possível constatar que três dos funcionários afastados testaram positivo recentemente, o que possibilitou estabelecer uma linha do tempo de contágio e vínculo epidemiológico e consequentemente resultou na abertura de um registro de surto por COVID-19 na referida instituição”, diz a nota.

Para mais conteúdos sobre Medicina:

Inscreva-se na Sanar Newsletter

Participe do canal Sanar Medicina no Telegram

Inscreva-se no YouTube da Sanar

Siga no Instagram

Curta no Facebook


CoronaVac não causa COVID-19

Além de confirmar um surto provocado pelo novo coronavírus na instituição onde o idoso residia, o comunicado da prefeitura descartou as hipóteses de um evento adverso da vacina, “pois caso fosse reação vacinal não haveria presença de vírus na amostra coletada, uma vez que a vacina CoronaVac é inativada e não pode causar a doença”.

O Comprova pediu ao virologista Flávio Fonseca, do Centro de Tecnologia de Vacinas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), analisasse o caso. O especialista confirmou que a nota da prefeitura foi “precisa”.

Segundo o especialista, o teste RT-PCR detecta o RNA do vírus na amostra do paciente. Porém, o vírus inativo que é utilizado na fabricação da CoronaVac não contém RNA viral.

Isso quer dizer que se o idoso vacinado não estivesse contaminado pelo SARS-CoV-2, o RT-PCR não positivaria para a COVID-19.


Imunidade da CoronaVac não é imediata

O estudo do Instituto Butantan mais recente confirmou que a eficácia da CoronaVac contra a COVID-19 pode chegar a 62,3%, quando as duas doses são espaçadas com um intervalo de mais de 21 dias.

Ou seja, as reações do imunizante no corpo não são imediatas. Além disso, para que a proteção aconteça, é fundamental tomar as duas doses da vacina. Mesmo após a vacinação completa, os médicos indicam seguir com as regras de prevenção contra a COVID-19, como uso de máscaras, distanciamento social e higienização constante das mãos.

O site do Instituto Butantan também enfatiza que a imunidade contra o SARS-CoV-2 não é desencadeada imediatamente. “Caso uma pessoa tenha COVID-19 logo após se imunizar, isso não significa que a vacina não funcionou, mas que seu sistema imunológico ainda não teve tempo para criar uma resposta imune”.

O Instituto Butantan também se pronunciou sobre o caso do idoso citado na postagem, afirmando que “são falsas as mensagens associando a morte de um idoso em Guaratinguetá à aplicação da vacina” e que “se solidariza com a dor da família e esclarece: a morte ocorreu antes que o organismo dele criasse resposta imune para ficar protegido”.

Fake news e vacina

Desde o início da pandemia da COVID-19, as notícias falsas que relacionam mortes aos imunizantes são recorrentes. Em geral, esse tipo de fake news visa descredibilizar os imunizantes em relação a eficácia e segurança.

Porém, os ensaios clínicos dos imunizantes contra o SARS-CoV-2 foram realizados rigorosamente por cientistas de todo o mundo, com testes com ampla amostragem de pessoas.

“Uma das maiores preocupações de todas as etapas dos estudos clínicos de vacinas é exatamente a avaliação minuciosa de segurança e eficácia”, disse em entrevista ao programa Roda Vida, da TV Cultura, a infectologista Cristiana Toscano, única integrante sul-americana da Iniciativa Global pelas Vacinas da OMS.

“Esses processos não foram ultrapassados, foram seguidos à risca. A gente tem etapas de avaliação de fase 1, fase 2 e fase 3 com um número muito grande de participantes e a gente avalia com muito detalhe todos esses dados. As vacinas só são registradas e recomendadas para uso quando a gente tem segurança de que não há eventos graves relacionados à vacina que sejam relevantes e importantes. Então a gente pode sim ter essa tranquilidade”, enfatizou Toscano.

Veja o vídeo abaixo sobre a CoronaVac:

Sobre COVID-19, leia também:

Compartilhe com seus amigos:
Política de Privacidade. © Copyright, Todos os direitos reservados.