Coronavírus

Fake news: risco de trombose em avião não é maior para passageiros vacinados contra COVID-19

Fake news: risco de trombose em avião não é maior para passageiros vacinados contra COVID-19

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Desde o início de junho, circulam nas redes sociais e sites em vários idiomas postagens alegando que companhias aéreas do mundo estariam discutindo se recomendariam ou não aceitar passageiros vacinados contra a COVID-19 por causa de “alto risco de formação de coágulos sanguíneos”. 

Grande parte das publicações é acompanhada por um link de um artigo em alemão cujo título é: “Você tem uma vacinação? Não há mais voos!”. O texto afirma ainda que “as discussões estão apenas começando, mas parece que ninguém que for vacinado poderá voar”. 

O trabalho de checagem de notícias da AFP entrou em contato com as associações de companhias aéreas, que negaram a existência dessas discussões. Além disso, especialistas médicos explicaram que a trombose provocada por viagem longa de avião não tem relação com casos pontuais associados aos imunizantes. 

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Trata-se, portanto, de mais uma fake news, parte do que a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou como “infodemia”, ou seja, teorias da conspiração, informações falsas, rumores e outros conteúdos divulgados sobre a pandemia que contribuem para aumentar casos e as mortes pela infecção. 

Veja os detalhes a seguir: 

Companhias aéreas negam alegações

Procurada pela AFP, a Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata), representante de 290 companhias aéreas em 120 países, disse que “não tinha conhecimento de nenhuma empresa” que estivesse considerando negar o embarque de passageiros vacinados devido ao risco de coágulos no sangue. 

Quem também negou a alegação foi Airlines for Europe (A4E). “Você pode ter certeza de que não haverá tais discussões entre as companhias aéreas sobre a proibição de voar, nem para os passageiros vacinados nem para os não vacinados”, disse a porta-voz Jennifer Janzen, à AFP. 

A Lufthansa assegurou que a companhia “sempre transporta passageiros vacinados e não vacinados sob os mais rígidos padrões de segurança e higiene, e levando em consideração a situação geral da pandemia”. 

Por fim, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) também afirmou desconhecer tal informação. 

Relação entre coágulos e vacinas contra COVID-19

O tromboembolismo pulmonar (TEP), mais conhecido como embolia pulmonar, traz quadro clínico caracterizado por coágulos de sangue que obstruem vasos sanguíneos do pulmão, impedindo o fluxo de sangue no corpo.

Em abril, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) anunciou que coágulos no sangue deveriam ser listados como efeitos colaterais “muito raros” nas bulas das vacinas contra a COVID-19 baseadas em vetores virais. 

É o caso dos imunizantes Oxford/AstraZeneca e Johnson & Johnson

Já a MHRA (Medicine and Healthcare Regulatory Authority), do Reino Unido, considera que as evidências não sugerem que coágulos são causados pelas vacinas de Oxford/AstraZeneca, visto que eventos causados por essas estruturas sanguíneas foram relatados em menos de um em cada um milhão de britânicos. 

Benefícios superam os riscos

Apesar das divergências em suas conclusões, ambas as agências de regulação de medicamentos e vacinas concordam que os benefícios das vacinas contra COVID-19 superam em muito os raros riscos de eventos tromboembólicos

A OMS também se manifestou nesse sentido e reforçou que a vacinação contra o SARS-CoV-2 não reduzirá doenças ou mortes por outras causas. 

“Sabe-se que eventos tromboembólicos ocorrem com frequência. O tromboembolismo venoso é a terceira doença cardiovascular mais comum em todo o mundo”, disse a OMS. 

Vacinas de mRNA não são relacionadas a coágulos

Outra versão das postagens falsas que circulam pelas redes sociais diz que pessoas vacinadas com imunizantes com tecnologia mRNA para COVID-19 não poderão andar de avião por causa do risco de coágulos sanguíneos.

A Agência Europeia de Medicamentos também analisou a relação e não detectou indícios de vínculo entre coágulos sanguíneos e as vacinas de mRNA, como a da Pfizer/BioNTech e da Moderna

Vacinas contra COVID-19 são seguras

A maioria das fake news que envolvem vacinas contra COVID-19 questionam a segurança e a eficácia dos imunizantes. No entanto, todos as vacinas que estão sendo aplicadas na população mundial passaram por testes rigorosos e foram aprovadas por agências sanitárias mundo afora. 

Confira detalhes sobre a segurança das vacinas no vídeo abaixo:

E não deixe de acompanhar nosso observatório de fake news para ficar bem informado sobre as notícias falsas relacionadas à pandemia que estão circulando pelas redes sociais. 

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