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Fake news sobre as vacinas para Covid-19 podem atrapalhar imunização

Fake news sobre as vacinas para Covid-19 podem atrapalhar imunização

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Sanar Medicina

5 minhá 100 dias

Ainda não existem vacinas para covid-19 com eficácia cientificamente comprovada. Entretanto, a resistência diante da possibilidade de ser vacinado, muitas vezes motivada por desinformações, já é um problema real que preocupa médicos e pesquisadores. 

No Brasil, uma pesquisa realizada pelo Datafolha revelou que 9% da população não quer se vacinar contra a Covid-19. E essa, acredite, não é uma tendência exclusiva de parte dos brasileiros.

No Reino Unido, o instituto Ipsos Mori revelou que 16% dos britânicos não tomariam a vacina se ela estivesse disponível atualmente. Já nos Estados Unidos o número é ainda maior, de acordo com o instituto Gallup: um em cada três pessoas afirmaram a mesma coisa. 

Agora, pesquisadores e autoridades de saúde temem que os ataques às vacinas e o aumento da circulação de fake news relacionada comprometa, em certa medida, os esforços para imunizar a população e conter o avanço da pandemia.

Principais tipos de fake news sobre as vacinas para covid-19

Com a crescente expansão de grupos antivacina nas redes sociais, uma parte deles no Brasil, informações falsas sobre vacinas para o combate à Covid-19 começam a ser fortemente divulgadas.

Entre os principais temas das fakes news estão:

  1. A vacina irá modificar o DNA dos seres humanos.
  2. A vacina contém na sua composição células de fetos abortados.
  3. As vacinas são parte de uma conspiração de Bill Gates para implantar microchips em seres humanos.
  4. Voluntários dos testes já morreram por terem se submetido ao uso das vacinas.

Recentemente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou instituições e autoridades sobre o que chamou de “infodemia”. Elas consistem em teorias da conspiração, fake news, rumores e outros conteúdos divulgados em torno da pandemia, que contribuem para aumentar os casos e as mortes por Covid-19.

A fake news: “ingerir álcool com uma alta concentração pode desinfetar o corpo e matar o vírus”, uma das mais veiculadas, fez cientistas estimarem que 5.876 pessoas foram hospitalizadas, 800 mortas e 60 ficaram cegas.

Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, afirmou que a desinformação sobre as vacinas é uma grande ameaça à saúde global e pediu, ainda, ajuda do Facebook, Google e Twitter nesse combate.

“As principais organizações digitais têm uma responsabilidade: garantir que seus usuários possam acessar informações sobre vacinas e saúde. Queremos que os atores digitais façam mais para tornar conhecido em todo o mundo que vacinas funcionam”, disse Adhanom. 

O temor da opinião pública pela segurança das vacinas contra covid-19

O estudo intitulado “Postmarketing Safety of Vaccines Approved by the U.S. Food and Drug Administration” analisou a segurança das vacinas através de mudanças feitas nas bulas de delas 57 que foram aprovadas ao longo de 20 anos pela Food and Drug Administration (FDA), o órgão americano de vigilância.

Os pesquisadores indicaram que o problema de segurança mais frequente que desencadeou mudanças nos rótulos das vacinas foi a expansão das restrições populacionais (36%), seguida das alergias (22%). 

De todas as vacinas, somente uma foi retirada do mercado por motivos de segurança. A RotaShield, usada contra o rotavírus, parou de ser comercializada por poder levar a uma obstrução intestinal em bebês, potencialmente fatal. 

Ao longo de um período de 20 anos, o estudo revelou que as vacinas podem ser consideradas extremamente seguras. Os resultados confirmaram a robustez do sistema de aprovação de vacinas e vigilância pós-comercialização das mesmas.

As campanhas antivacina têm mesmo impactos?

O estudo “The real-world effects of fake news”, feito pela FTI Consulting, uma empresa de inteligência de mercado, mensurou o impacto das informações falsas nas redes sociais sobre as vacinas.

A pesquisa tomou como base as postagens sobre a vacina tríplice viral (para sarampo, caxumba e rubéola) no Twitter, entre os anos de 2012 a 2018. Durante o período, houve uma redução na Inglaterra e País de Gales de 3% na cobertura da vacina. 

O estudo, feito por meio de um sistema de inteligência artificial, concluiu que a cada aumento de 100% no volume de desinformação sobre a tríplice viral somente no Twitter, existiu uma queda de 0,2% na cobertura vacinal. 

Como houve no período analisado um aumento de 800% da desinformação na rede social, isso gerou uma redução de 1,6% na cobertura vacinal.

“Outros estudos já haviam demonstrado uma associação entre o aumento da desinformação e a queda da cobertura vacinal”, afirmou a coautora do estudo, Meloria Meschi, em entrevista à BBC News Brasil. 

O desafio agora – quanto mais tempo leva para a produzir uma vacina eficaz contra a Covid-19 e disponibilizar para toda população – é evitar que as pessoas consumam o grande número de notícias falsas e teorias da conspiração que estão presentes e ainda deverão surgir.

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