Coronavírus

Fake news: vacina contra COVID-19 não provoca reação letal em 30% dos imunizados

Fake news: vacina contra COVID-19 não provoca reação letal em 30% dos imunizados

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Sanar

7 minhá 16 dias

Desde que as vacinas contra COVID-19 começaram a ser aplicadas como medida de contenção da pandemia, uma enxurrada de fake news que questionam a segurança dos imunizantes tomaram conta das redes sociais.  Desde março, circula pelas redes sociais mais uma dessas notícias falsas alegando que 30% dos que tomam vacina contra COVID-19 com tecnologia de RNA mensageiro morrem graças a uma reação inflamatória no corpo chamada “tempestade de ocitocinas”. 

Porém, desde que os imunizantes contra a COVID-19, de todos os tipos, começaram a ser testados em seres humanos, em maio de 2020, nenhuma morte atribuída a eles foi registrada.

Além disso, o trabalho de checagem do Aos Fatos ouviu especialistas que explicaram que a “tempestade de citocinas” só ocorre quando há contato com o vírus vivo. Não é o caso das vacinas contra a COVID-19, que usam apenas parte do material genético do SARS-CoV-2.  

O conteúdo falso circulou principalmente pelo WhatsApp e pelo Facebook, onde foi marcado como FALSO pela ferramenta de checagem da rede social. 

Vacina contra COVID-19 não gera “tempestade de citocinas”

As postagens falsas compartilham um texto de um site chamado Tierra Pura, que atribui 30% de mortes de vacinados com os imunizantes que utilizam a tecnologia de RNA mensageiro, como é o caso das vacinas Pfizer/BioNTech e Moderna

O motivo seria a tal “tempestade de citocinas” provocada porque a proteína spike (elemento pelo qual o vírus se conecta às células do corpo humano) se replica indefinidamente e em grande quantidade. 

De fato, estudos já mostraram que essa intensa atividade inflamatória causada por uma resposta imune excessiva do corpo está associada à maior mortalidade por COVID-19. Só que essa inflamação exacerbada não é desencadeada pela vacina. 

“Diferentemente da infecção viral, que gera tal tempestade, as vacinas não provocam essa reação. Quem gera a tempestade é o vírus vivo, não qualquer vacina”, disse, em entrevista ao Aos Fatos, Rodolfo Bacelar, pneumologista e médico do sono pelo HCFMUSP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo).

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Como é feita a vacina contra COVID-19 com RNA mensageiro

Para entender como esse tipo de vacina funciona, é preciso saber que o SARS-CoV-2 é composto por espículas em sua superfície, que é a porta de entrada para as células do corpo humano.

A fabricação dessas espículas é feita por proteínas. No caso de vacinas de RNA mensageiro, a mensagem para a fabricação dessas proteínas é codificada em uma molécula de RNA que é encapsulada em uma membrana lipídica para que ela possa entrar nas células.

Quando a vacina é injetada no paciente, o RNA então entra nas células fazendo com que elas produzam as proteínas da espícula do coronavírus. A presença dessas proteínas desencadeia a produção de anticorpos.  

Tecnologia é segura

Os imunizantes da Pfizer/BioNTech e Moderna foram considerados pelo Departamento de Saúde dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês) como altamente eficazes, com 80% de eficácia já na aplicação da 1ª dose.

O biólogo molecular e membro do Observatório COVID-19 BR Raphael Parmigiani reforçou, também em entrevista ao Aos Fatos, que o mRNA é introduzido de maneira limitada no corpo por meio da vacina. 

“Não tem como o corpo sair produzindo mais resposta contra o vírus do que o desejado. A dose da vacina foi calculada justamente para evitar uma super resposta imune”, disse.

Para a microbiologista e pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP), Laura de Freitas, se existisse qualquer possibilidade de uma vacina de mRNA causar a reação citada nas fake news isso teria sido observado nas fases de testes do imunizante, que começaram em maio de 2020 em humanos.

“Juntando todas as pessoas envolvidas nos testes da Pfizer e Moderna dá mais de 100 mil pessoas, e não tem um caso sequer desses problemas relatados. Apenas alguns poucos casos de reação alérgica, que foi uma reação ao polietilenoglicol, um conservante, e não à vacina em si”.

RNA mensageiro e o tratamento para o câncer

A tecnologia de RNA Mensageiro não é nova e já é usada em outras vacinas, mas há duas diferenças na atualização dos cientistas que criaram os imunizantes contra a COVID-19: a nova fabricação conta com uma embalagem biodegradável, vegana e de simples concepção, o que aumenta a segurança e diminui os efeitos colaterais da vacina.

Além disso, a rapidez das autorizações e a disponibilidade dos voluntários para testar os novos produtos aceleraram o processo de fabricação das novas vacinas e o lançamento no mercado.

Isso acelerou os testes que já vinham sendo realizados por cientistas há mais de uma década, que utilizam a tecnologia de RNA mensageiro em tratamentos inovadores que combatem células tumorais de forma mais eficiente e personalizada.

Os resultados são promissores e podem significar uma revolução no tratamento contra o câncer, como contamos em detalhes neste post.

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Na mira das fake news

As vacinas com RNA mensageiro estão ganhando a atenção de grupos especializados em produzir notícias falsas. Nas últimas semanas, elas foram acusadas nas redes sociais de alterar propositalmente o DNA do vacinado e de causar câncer ou outros danos genéticos.

Outras fake news sobre vacinas que costumam circular nas redes sociais dizem que os imunizantes contra a COVID-19 causaram mortes de pacientes nos Estados Unidos.

Outra notícia falsa recente comparava os imunizantes ao medicamento talidomida, conhecido por ter provocado, entre os anos 50 e 60, defeitos congênitos graves em milhares de bebês, cujas mães fizeram uso da droga.

Por isso, quando você se deparar com alguma notícia sobre vacina nas suas redes sociais, é importante checar a fonte da informação, além de sites de agência de checagem de notícia, como o próprio Aos Fatos, Agência Lupa e o Projeto Comprova.

Veja no vídeo abaixo mais informações sobre COVID-19 e vacinas:

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