Coronavírus

Fake news: vacinas contra COVID-19 não contêm ímãs e não deixam vacinados magnetizados

Fake news: vacinas contra COVID-19 não contêm ímãs e não deixam vacinados magnetizados

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Sanar

6 min há 42 dias

Estão circulando pelas redes sociais diferentes vídeos que alegam que algumas pessoas que receberam as vacinas contra COVID-19 teriam desenvolvido como efeito colateral uma “reação magnética” que faz com que ímãs ou metais grudem em diferentes partes do corpo.

Com isso, diversas teorias surgiram nas redes sociais que explicam o motivo desse magnetismo. Alguns alegam que a reação acontece porque alguns imunizantes contra a COVID-19 contêm materiais pesados. 

Outras postagens vão além na fantasia e dizem que as reações magnéticas são prova de que a Microsoft está implantando, por meio dos imunizantes, um chip para controlar as pessoas. 

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Trata-se, é claro, de fake news. Fabricantes e especialistas que trabalharam no desenvolvimento de vacinas desmentiram os boatos e garantem que nenhum dos imunizantes contra o coronavírus produzem magnetismo e muito menos contêm ímãs. 

Além do Brasil, o conteúdo está circulando em diversos países e também foi checado por agências de verificação de notícias em vários idiomas, todas concluíram que os vídeos são falsos. 

Confira a seguir alguns fatos que contrariam as publicações falsas, de acordo com o trabalho de checagem do Fato ou Fake, do G1.

Vacinas contra COVID-19 não contêm ímãs

“Nenhuma vacina tem ímã na sua composição. Vacinas usam apenas os componentes necessários para gerar a resposta imune desejada, além de componentes para estabilizar e manter a qualidade da vacina”, explicou ao G1 Lázaro Moreira Marques Neto, doutor em biotecnologia de desenvolvimento de vacinas. 

Ele esclarece que um ímã é um objeto feito de material capaz de gerar campo magnético. “Utilizar ímãs em vacinas não é necessário para nenhum dos dois objetivos: nem gerar resposta imune nem estabilizar e manter a vacina”. 

Seres humanos não magnetizam metais

A pesquisadora Ana Paula Junqueira Kipnis, doutora em imunologia e coordenadora da área de vacinas da Rede Brasileira de Pesquisa em Tuberculose, também garante que nenhuma das vacinas desenvolvidas e em uso para a COVID-19 tem componentes magnéticos na composição. 

“A resposta imune para a vacina também não gera metais magnetizados, pois o ser humano não consegue magnetizar metais”, explica. 

Mas e os vídeos? Especialistas indicam que, em primeiro lugar, não é possível saber em que condições eles foram gravados. Advertem também que moedas e outros objetos metálicos podem prender-se ao corpo por resquícios de cola de curativos, por exemplo os usados após a vacinação, ou por efeito da umidade da pele. 

“O que faz grudar na pele é sua umidade natural, não tem relação com magnetismo”, disse o professor e doutor em física Fernando Kokubun, da Universidade Federal do Rio Grande. “É possível, por exemplo, grudar uma tampa de plástico. Eu já fiz isso em casa”, garante. 

Fabricantes desmentem os boatos 

Os fabricantes dos imunizantes aplicados no Brasil também reforçam que as mensagens são falsas.

“Com relação às informações que têm circulado em redes sociais e aplicativos de mensagens sobre a vacina ComiRNAty, contra a Covid-19, produzida pela Pfizer e BioNTech, esclarecemos: é falsa a informação de que a vacina da Pfizer contra a COVID-19 causa algum tipo de magnetismo no local da aplicação”, diz a Pfizer.

O Instituto Butantan também reforça que a CoronaVac não causa magnetismo e que todos os possíveis efeitos colaterais do imunizante estão descritos em bula

“O hidróxido de alumínio é um adjuvante usado na composição da vacina para auxiliar a proteção (produção de anticorpos) e não altera a proporção de alumínio no organismo de uma pessoa. Ressaltamos que materiais paramagnéticos como o alumínio fazem parte da composição do corpo humano e só podem ser influenciados magneticamente sob a influência de forças magnéticas muito potentes, como as usadas nos aparelhos de Ressonância Magnética Nuclear. Em situações cotidianas, as pessoas não se expõem a essas grandes forças magnéticas”, disse o Butantan.

Cloreto de Magnésio não tem propriedades magnéticas

A Fiocruz também se pronunciou sobre o assunto e reafirmou a segurança do imunizante produzido por ela, a vacina contra a COVID-19 Oxford/AstraZeneca

“A vacina produzida pela Fiocruz não possui ingredientes em sua composição capazes de provocar efeito magnético no organismo. A lista de substâncias acrescidas à formulação das vacinas é pública e consta de suas respectivas bulas”, disse. 

“No caso da vacina COVID-19 Fiocruz/AstraZeneca, mesmo a adição do cloreto de magnésio à formulação da vacina também não é capaz de gerar qualquer magnetismo. Embora o magnésio seja um metal, é um elemento não magnético, ou seja, sem propriedades magnéticas. Trata-se de uma vacina segura e amplamente testada, não havendo qualquer evidência científica que relacione a vacina a efeitos dessa natureza”, finaliza a Fiocruz.

Os impactos da infodemia na vacinação contra COVID-19


Espalhar notícias falsas nas redes sociais sobre vacinas ou outros assuntos que atrapalhem o combate à pandemia da COVID-19 traz impactos negativos para a saúde de brasileiros e brasileiras. 

Essa epidemia de notícias falsas, teorias da conspiração e rumores sobre o novo coronavírus tem sido chamada pela Organização Mundial da Saúde de infodemia e é extremamente perigosa porque compromete os esforços para a imunização da população, uma das únicas maneiras de conter o avanço da pandemia. 

Neste post, falamos sobre os riscos da infodemia e como combater as notícias falsas. Não deixe também de acompanhar nosso observatório de fake news sobre COVID-19 para se informar sobre as últimas notícias falsas que circulam pelas redes sociais. 

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