Coronavírus

Fake news: vídeo de 2018 é usado para dizer que idosa morreu após receber vacina contra COVID-19

Fake news: vídeo de 2018 é usado para dizer que idosa morreu após receber vacina contra COVID-19

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Sanar

6 minhá 6 dias

Diariamente surgem notícias falsas que relacionam as vacinas contra a COVID-19 a um aumento no número de mortes. Algumas das mais recentes, abordavam a morte de um médico após ser vacinado, o aumento da taxa de mortalidade em Israel após a adoção da vacina da Pfizer e a confirmação de óbitos de vacinados pela Anvisa e pelo Departamento de Saúde dos Estados Unidos. Agora a estratégia envolve um trecho de um vídeo de uma reportagem da TV Record de Goiás que mostra uma idosa de 71 anos que supostamente morreu após receber vacina.

Apesar de não especificar qual foi o imunizante utilizado, as postagens que circulam nas redes sociais sugerem que o fato ocorreu por causa de uma vacina contra a COVID-19.

“Mulher morre imediatamente depois da vacina”, diz a legenda do post publicado originalmente no Facebook e que alcançou quase 50 mil compartilhamentos. O material circulou também no Whatsapp e em outras redes sociais afirmando que a idosa morreu após receber vacina contra COVID-19.

Em algumas versões da fake news, a legenda acrescenta que a vacina utilizada na idosa veio da China, uma referência à CoronaVac. A vacina desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan é o principal imunizante contra a COVID-19 usado hoje na população brasileira.

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Idosa não idosa morreu após receber vacina contra COVID-19

O projeto de verificação de notificas da Lupa descobriu que a reportagem veiculada pela TV Record de Goiás foi exibida em abril de 2018. O fato ocorreu em Goiânia (GO), após a idosa ser vacinada contra a gripe H1N1.

De acordo com a secretaria de Saúde do município, o laudo médico informa que a idosa morreu devido a um infarto, não relacionado com a vacina. A reportagem relata que Maria Batista da Silva, de 71 anos, passou por atendimento médico no posto de saúde, tomou a vacina contra a gripe H1N1 e, ao sair, percorreu 100 metros até passar mal.

Ela foi socorrida e recebeu atendimento imediato da equipe médica do posto de saúde, mas não resistiu. A família disse que Maria era hipertensa e que ela se vacinava todos os anos sem nunca ter apresentado reação.

Na mesma reportagem, a então diretora de imunização da Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia, Grécia Pessoni, informa que o laudo do Serviço de Verificação de Óbito indicou que Maria teve um infarto agudo do miocárdio.

Vacina da gripe não traz risco de infarto

Muito antes da pandemia da COVID-19, o mundo enfrentou a pandemia causada pelo vírus Influenza A (H1N1), detectado pela primeira vez em 2009.

O vírus emergente, decorrente de uma recombinação genética dos vírus influenza suíno, aviário e humano, alastrou-se rapidamente por todo o mundo fazendo com que fossem necessários esforços conjuntos de todos os centros de pesquisas e laboratórios do mundo para a produção de uma vacina para a prevenção do vírus.

Ainda em 2009, a empresa suíça Novartis anunciou a criação de um imunizante com reforço anual. No Brasil, a vacina contra a gripe faz parte do calendário nacional de vacinação desde 2011 e, embora toda a população deva se vacinar, os idosos são o grupo-alvo, já que é a população mais afetada pela gripe.

Instituições como a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Ministério da Saúde não elencam ataques cardíacos entre os possíveis efeitos adversos da vacina contra a gripe.

As principais manifestações são dor, vermelhidão e endurecimento da pele, que acometem de 15% a 20% dos vacinados. Febre, mal-estar e dor muscular podem ocorrer entre 1% e 2% dos imunizados.

Vacinas são aliadas

A maioria das fake news que envolvem vacinas visam descredibilizar os imunizantes em relação a eficácia e segurança. No entanto, as evidências científicas de especialistas de todo o mundo garantem que as vacinas que estão sendo aplicadas na população são aliadas fundamentais no combate à pandemia.

CoronaVac tem eficácia geral de 50,3% . Já a Oxford/AstraZeneca, também utilizada na população brasileira, tem eficácia de 79% contra casos sintomáticos de COVID-19, e 100% contra casos graves e que exigem hospitalização.

Os ensaios clínicos indicam também que os dois imunizantes são eficazes contra a variante P.1, originada em Manaus e classificada por especialistas como potencialmente mais transmissível.

A vacina da Pfizer, desenvolvida pela farmacêutica estadunidense em parceria com a empresa de biotecnologia alemã BioNTech, também foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária para uso no Brasil. Os estudos indicam que a eficácia é de 80% já na primeira dose, chegando a 90% com a aplicação das duas doses.

Segurança comprovada

Em relação à segurança, em entrevista para o Roda Vida, da TV Cultura, a médica infectologista Cristiana Toscano garantiu o rigor dos testes antes da liberação dos imunizantes. A especialista é a única integrante sul-americana da Iniciativa Global pelas Vacinas da OMS.

“Uma das maiores preocupações de todas as etapas dos estudos clínicos de vacinas é exatamente a avaliação minuciosa de segurança e eficácia. Esses processos não foram ultrapassados, foram seguidos à risca. A gente tem etapas de avaliação de fase 1, fase 2 e fase 3 com um número muito grande de participantes e a gente avalia com muito detalhe todos esses dados. ”, disse.

 “As vacinas só são registradas e recomendadas para uso quando a gente tem segurança de que não há eventos graves relacionados à vacina que sejam relevantes e importantes. Então a gente pode sim ter essa tranquilidade”, enfatizou Toscano.

O vídeo abaixo fala mais sobre a segurança das vacinas:

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