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Genética influencia a ação da covid-19? | Colunistas

Genética influencia a ação da covid-19? | Colunistas

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Flavia Sena

7 min há 7 dias

O COVID-19 é uma doença causada pela variação do Vírus da família CORONAVÍRUS, relatado pela primeira vez em Wuhan, na China, em meados de 2019, denominado SARS-CoV-2. O primeiro caso de CORONAVÍRUS foi identificado pela primeira vez na década de 1960 e desde então, o mesmo vem apresentando variantes como a SARS-CoV e MERS-CoV e com sintomas cada vez mais peculiares.

Alguns temas relacionados ao assunto já foram elucidados, como os mecanismos de transmissão, prevenção e atuação do vírus no corpo humano, porém ainda há muitos estudos em andamento, dentre eles, a correlação da Genética com a doença. Seria esse o principal motivo para que cada pessoa manifeste os sintomas desta patologia de formas diferentes?

A correlação da genética com a COVID-19

Alguns fatores de riscos para o agravamento da COVID-19 já foram aclarados, como Obesidade, Diabetes, Distúrbios de coagulação. O que de fato ainda instiga os pesquisadores é que nem todos indivíduos que desenvolveram as formas graves ou letais da doença apresentaram fatores de risco reconhecíveis. Isso acionou o estado de alerta da Engenharia Genética que segue realizando pesquisas relacionadas ao tema para justificar algumas indagações que surgiram com o avanço dos casos. Se o indivíduo que desenvolveu a forma grave da doença, mas não apresentava nenhuma comorbidade, teria alguma alteração relacionada a algum gene específico?

Visto que, os fatores de riscos não foram suficientes para justificar o agravamento dos casos relacionados ao Covid-19, algumas pesquisas buscaram mostrar que, a doença vai muito além do comprometimento fenotípico isolado, abrangendo também a parte genotípica, imunitária, celular, fisiológica, e que essas estão integradas, sendo que, se uma apresenta em desequilíbrio, já colabora para deterioramento dos indivíduos acometidos.

Principais teorias relacionadas a genética  

Herança genética associadas ao sistema imune de Células T

Uma Pesquisa feita pela equipe da Faculdade de Biologia e Biotecnologia de Higher School of Economics University, na Rússia, desenvolveu um estudo que revelou casos graves de Covid-19 relacionados a uma diminuição das moléculas de antígenos de Leucócitos humanos classe I, conhecida como HLA-I, responsáveis por detectar o vírus para sinalização e posteriormente, destruição. Os pesquisadores descobriram que, quanto menos HLA-I o indivíduo infectado possuía, maiores as chances de agravamento da doença, visto que menor seria sua sinalização e mais lenta a destruição, correlacionando o genótipo a gravidade da doença.

Ausência de um receptor no sistema imunológico

Ocorre em 4% da população. O indivíduo apresenta uma ausência parcial ou total do receptor NKG2C, o que faz a pessoa apresentar casos mais avançados da doença. Esses receptores ativam as células Natural Killer (NK), que são linfócitos presentes na resposta imunológica, agindo como mecanismo de defesa do corpo humano. Se tem menos receptor para esses linfócitos, consequentemente, menor será a resposta imune, fazendo com que o vírus se propague mais rapidamente, agravando o estado de saúde do portador dessa variação genética.

Genes alterados

Em um estudo feito pela revista Nature, pesquisadores compararam o gene de pessoas saudáveis com indivíduos que estavam internados em UTI e detectaram alteração em 5 genes IFNAR2, TYK2, OAS1, DPP9 e CCR2, esses genes estão associados a parte imunológica e anti-inflamatória do corpo. Se os mesmos se encontrarem em desequilíbrio, pode corroborar para piora da enfermidade, como ocorre no IFNAR2 quando apresenta baixa expressão e TYK2 quando apresenta alta expressão e estão relacionados a pacientes com quadros severos.

A correlação do sistema ABO com risco de infecção pelo COVID-19 e sua suscetibilidade a infecção grave

Nesse estudo, realizado pela Faculdade de Harvard e Emory (EUA), através de dados observacionais, pode-se concluir que, o grupo sanguíneo A foi associado a um maior risco de infecção, visto que SARS-Cov tem a mesma preferência por células respiratórias presentes em pessoas do tipo sanguíneo A. O grupo AB foram os que apresentaram um menor risco associado.

A importância de se conhecer a genética relacionada a doença

As pesquisas na área da Engenharia Genética são de fundamental importância no contexto do Coronavírus, visto que através desses estudos:

  •  se pode desenvolver medicamentos mais eficazes que atuam diretamente no RNA do vírus;
  • no desenvolvimento de vacinas;
  •  serve para explicar como ocorrem as mutações que se apresentaram no decorrer da Pandemia (como as novas variantes);
  • para entender se a gravidade da enfermidade está relacionada somente com fenótipo ou se vai além apresentando ao indivíduo genótipos específicos para o desenvolvimento da doença;
  • Conhecer os genes relacionados ao COVID-19.

Conclusão

Outros estudos sobre a Genética e o COVID-19 ainda estão em andamento, mas já é comprovado que há uma certa relação entre o aumento da gravidade do Coronavírus associado às variações genotípicas e fenotípicas desses indivíduos. Os pacientes estudados, internados em UTI, apresentaram uma variação genética específica, comparada aos pacientes pouco sintomáticos, como citado em um estudo, realizado por uma Equipe de Cientistas da Áustria.

Ainda a muito a se descobrir, visto que essa variante é muito nova e os estudos na área são muito recentes e ainda limitados, mas já se pode concluir que as características relacionadas aos genes apresentam uma grande influência nessa enfermidade.

Autora: Flavia Cristina Rodrigues de Sena

Instagram: @flaviasena87

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto

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Referências Bibliográficas

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