Coronavírus

HC da Unicamp confirma 1º caso de hepatite medicamentosa relacionada ao uso do ‘kit COVID’

HC da Unicamp confirma 1º caso de hepatite medicamentosa relacionada ao uso do ‘kit COVID’

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Sanar

4 min há 179 dias

O Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) confirmou o primeiro caso de paciente diagnosticado com hepatite tóxico-medicamentosa relacionada ao uso de remédios que compõe o chamado “kit Covid”, como azitromicina, hidroxicloroquina e ivermectina.

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Apesar de terem a eficácia contra o coronavírus descartada por evidências científicas robustas, o “kit Covid” chegou a ser indicado como “tratamento precoce” pelo Ministério da Saúde e defendido pelo presidente Jair Bolsonaro e por alguns de seus ministros.

Em entrevista ao G1, a professora e média da unidade de transplante hepático do HC, Ilka Boin, disse que o paciente é morador de Indaiatuba (SP), tem cerca de 50 anos, é atleta e não possui histórico de outras doenças.

Ele foi diagnosticado com COVID-19 há cerca de três meses. Um mês depois de tomar, sob prescrição médica, ivermectina, hidroxicloroquina, azitromicina, zinco e vitamina D, o paciente começou a apresentar peles e olhos amarelados.

“Ele chegou com uma síndrome de doença hepática pós-COVID, mas quando analisamos, vimos que não se enquadrava muito bem na síndrome. Tinha alterações específicas e analisamos a biópsia. Era, na verdade, uma hepatite medicamentosa que causou a destruição dos dutos biliares, e o paciente tinha usado somente, nos últimos quatro meses, remédios do ‘kit Covid'”, relata Boin.

Transplante de fígado

O paciente está internado e deverá integrar a lista de espera para transplante de fígado, após a realização de exames. Segundo a médica, as lesões hepáticas foram tão sérias que os especialistas cogitaram a indicação de um transplante de urgência, o que só não aconteceu porque seu quadro respondeu bem ao tratamento.

A médica relata também o paciente foi inicialmente tratado na cidade de São Paulo, onde existiam duas outras pessoas com quadros clínicos semelhantes, mas que faleceram antes de entrar na lista para um transplante. Ela afirma também que já tem notícias de mais quatro casos parecidos.

Kit COVID é motivo de preocupação

O combo farmacológico é contraindicado pelas autoridades sanitárias de todo o mundo, como a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).

Na última terça-feira (23), a Associação Médica Brasileira (AMB) publicou um documento, assinado por mais de 80 entidades de saúde do país, no qual pede a suspensão do uso de medicamentos para a COVID-19.

“Reafirmamos que, infelizmente, medicações como hidroxicloroquina/cloroquina, ivermectina, nitazoxanida, azitromicina e colchicina, entre outras drogas, não possuem eficácia científica comprovada de benefício no tratamento ou prevenção da COVID-19, quer seja na prevenção, na fase inicial ou nas fases avançadas dessa doença, sendo que, portanto, a utilização desses fármacos deve ser banida”, diz o texto da AMB.

Para Ilka Boin, a insistência no uso desses fármacos sem comprovação científica é motivo de preocupação, já que os componentes podem se tornar tóxicos para os pacientes após o uso contínuo.

“Estamos perdendo 80% dos pacientes internados na UTI, quando o usual é de 20 a 50%, dependendo da faixa etária. Será que nossa mortalidade não está associada ao uso de remédios que têm sua hora de serem usados? Essa é a pergunta que temos feito”, disse a médica.

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