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Hemangioma de fígado | Colunistas

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Ana Lara Viana

5 minhá 15 dias

O que é?

Os hemangiomas constituem os tumores benignos mais frequentes no fígado. Outros tumores benignos que podem ocorrer nesse órgão são os adenomas e hiperplasia nodular focal (HNF).

Podem ser descritos como nódulos, compostos de múltiplos vasos sanguíneos revestidos por uma única camada de células endoteliais dentro de um estroma fibroso fino. São considerados mal formações vasculares ou hamartomas de origem congênita, com crescimento por ectasia vascular, e não por hiperplasia ou hipertrofia, não tendo associação maligna. Quanto à apresentação, podem ser de diferentes tamanhos, únicos ou múltiplos.

As causas para desenvolvimento ainda não são bem esclarecidas.

Classificação

Os hemangiomas hepáticos podem ser divididos em dois grupos principais: capilares ou cavernosos.

O tipo mais comum são os hemangiomas capilares, que integram o primeiro grupo. Esses tumores são mais comumente periféricos e pequenos (1 a 4 cm), podendo ser múltiplos. O segundo grupo é composto pelos hemangiomas cavernosos, mais raramente encontrados e maiores que os capilares. Antigamente, quando os cavernosos possuíam mais de 4 cm eram denominados hemangiomas gigantes, mas esse termo é atribuído atualmente para aqueles com tamanho igual ou maior do que 10 cm.

Epidemiologia

Aproximadamente 20% da população geral apresenta hemangiomas hepáticos. Dentre as pessoas afetadas, a maioria é do sexo feminino, podendo chegar até 80% dos casos. Com relação a faixa etária, adultos na quarta e quinta décadas de vida são os mais frequentemente acometidos.

Clínica e Complicações

Na maioria dos casos o indivíduo é assintomático, e o que geralmente causa sintomas é a expansão do tumor inicial.

Dentre as complicações, podemos incluir dor no epigástrio ou quadrante direito, massa abdominal, febre ou compressão de estruturas vizinhas, como o sistema biliar e o estômago. A síndrome de Kasabach-Merritt também pode ocorrer, apesar de ser rara, sendo essa uma associação de hemangioma capilar e coagulopatia de consumo. A complicação mais grave é a ruptura espontânea ou traumática do hemangioma, a qual também ocorre raramente. Tal situação é elencada como uma das indicações para intervenção cirúrgica.

Diagnóstico

É detectado através de exames de imagem do abdome, como ultrassom, tomografia computadorizada ou ressonância magnética. Comumente são descobertos de forma incidental, enquanto se investigam outras condições clínicas, ou durante a realização de exames de rotina.

O achado de nódulo hepático que seja compatível com hemangioma ao ultrassom deve ser confirmado por exame de imagem contrastado (TC ou RNM), exceto nos casos em que o paciente não apresenta fator de risco para neoplasia e o exame ultrassonográfico tenha sido realizado por profissional experiente, além do nódulo ter características típicas de hemangioma.

Os testes de função hepática costumam ser normais, a menos que haja uma complicação como trombose, hemorragia ou compressão da árvore biliar.

Diagnósticos diferenciais

Devem ser excluídos a possibilidade de tumores malignos ou cistos do fígado através dos exames de imagem. Ademais, hipóteses de dispepsia e dor abdominal de origem funcional devem ser afastadas.

Tratamento

Todos os pacientes devem ser informados acerca do caráter benigno do tumor, ressaltando que esse raramente pode aumentar de tamanho ou apresentar complicações, porém sem evolução para malignidade, e que dessa forma, a maioria dos pacientes não necessita de tratamento cirúrgico para retirada do hemangioma.

Deve ser feito acompanhamento semestral ou anual com o hepatologista, desde que o tumor seja maior do que 5 cm. Nos casos de tumores ≤ 5 cm não há um consenso na literatura a respeito da necessidade de acompanhamento contínuo.

O tratamento cirúrgico é reservado para os casos de ruptura do tumor, com sangramento intraperitoneal; diagnóstico incerto, restando dúvida de que o hemangioma possa ser um tumor maligno; e sintomas incapacitantes relacionados a grandes hemangiomas. Importante ressaltar que devem ser excluídas outras etiologias para a dor ou sintomas sugestivos de compressão extrínseca de estruturas adjacentes previamente à ressecção cirúrgica.

Estão disponíveis quatro métodos cirúrgicos para o tratamento de hemangiomas, sendo eles a ressecção hepática, enucleação, ligadura da artéria hepática e transplante de fígado. Considerando que os hemangiomas são compostos por uma cápsula fibrosa, isso pode facilitar a enucleação, além de tal abordagem ter a vantagem de preservação do tecido parenquimatoso hepático. Entretanto, deve-se ressaltar que a enucleação é desencorajada no caso de lesões intra-hepáticas, pois causa sangramento em grande escala. Dentre as técnicas não cirúrgicas inclui-se a embolização da artéria hepática e a radioterapia.

Durante a gravidez, é aconselhável o monitoramento conservador dos hemangiomas hepáticos, mesmo se esses forem grandes. No caso de tumores pequenos, é pouco provável que eles causem complicações.

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Referências

Diagnóstico e tratamento de nódulos hepáticos benignos / Recomendações da Sociedade Brasileira de Hepatologia – SBH

https://sbhepatologia.org.br/pdf/recomendacoes_nodulos_hepaticos_2.pdf

Hemangiomas hepáticos: aspectos ultra-sonográficos e clínicos.

https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-39842006000600013

Surgical treatment of painful hepatic hemangioma. https://cirurgiadefigadoembrasilia.com.br/artigos/surgical-treatment-of-painful-hepatic-hemangioma.pdf

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