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Hidroxicloroquina é ineficaz contra Covid-19 leve, aponta estudo

Hidroxicloroquina é ineficaz contra Covid-19 leve, aponta estudo

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Sanar Medicina

5 min há 444 dias

Um estudo randomizado indicou que a Hidroxicloroquina não melhorou os sintomas dos pacientes com Covid-19 e ainda contou com efeitos adversos considerados significativos pelos pesquisadores. 

As informações foram reveladas pelo redator do New England Journal of Medicine, Daniel Dressler, professor e co-diretor da Sociedade Semmelweis da Escola de Medicina da Universidade Emory, em Atlanta, com base em produções científicas. 

De acordo com o artigo publicado no American College of Physicians, intitulado “Hidroxicloroquina em adultos não hospitalizados com Covid-19 precoce”, nenhuma terapia com o uso do medicamento demonstrou ser eficaz inicialmente em pacientes com Covid-19 em estado leve. 

Investigação científica com a hidroxicloroquina

Para obter os resultados, os investigadores randomizaram 423 pacientes não hospitalizados com aproximadamente quatro dias de sintomas típicos da doença para receber, durante cinco dias, hidroxicloroquina ou placebo.

Do total de 423 pacientes, 341 (81%) tiveram infecção confirmada em laboratório com o novo Coronavírus ou exposição epidemiologicamente vinculada a uma pessoa com infecção confirmada em laboratório.  

Ainda sobre o estudo, 56% dos pacientes (236 de 423) foram inscritos no prazo de um dia após o início dos sintomas. A mudança na gravidade dos sintomas ao longo de 14 dias não apresentou diferença entre os grupos com medicação da hidroxicloroquina e ou placebo.

Sem contar que os pacientes receptores de hidroxicloroquina tiveram significativamente mais efeitos adversos (sintomas predominantemente gastrointestinais) do que os que receberam placebo: 43% contra 22%.

Aos 14 dias, 24% (49 de 201) dos participantes que receberam hidroxicloroquina apresentaram sintomas em curso, em comparação com 30% (59 de 194) que receberam placebo. 

Os efeitos adversos da medicação ocorreram em 43% (92 de 212) dos participantes que receberam hidroxicloroquina versus 22% (46 de 211) que receberam placebo.

Vale destacar ainda que com o uso do placebo ocorreram 10 hospitalizações (2 não relacionadas ao Covid-19) e um óbito de paciente hospitalizado. Já com a hidroxicloroquina, ocorreram quatro internações e mais um óbito não hospitalizado.

Segundo informações do NEJM, os resultados deste estudo são consistentes com outros relatórios de ensaios clínicos randomizados de hidroxicloroquina em pacientes com Covid-19. Ambas as pesquisas desenvolvidas não mostraram benefícios e possíveis danos a este medicamento.

A conclusão da pesquisa é que a hidroxicloroquina não reduziu substancialmente a gravidade dos sintomas em pacientes ambulatoriais com Covid-19 em casos leve ou precoce.

Saga da hidroxicloroquina deve servir de alerta, dizem pesquisadores

Um artigo publicado na American College of Physicians, chamado de “A saga da hidroxicloroquina e Covid-19: um conto preventivo”, alerta para a pressão para identificar terapias eficazes no combate ao novo Coronavírus.

Entretanto, o que a publicação chama de a “saga da hidroxicloroquina” serve de advertência para a precoce avaliação e promulgação de tratamentos em situações de urgência.

Segundo o Dr. Neil W. Schluger, especialista em doenças pulmonares e responsável por publicar o artigo, logo no início da pandemia a hidroxicloroquina passou a ser amplamente utilizada com base em evidências científicas muito reduzidas.

E, até o momento atual, poucos ensaios clínicos randomizados adequadamente acionados foram publicados na literatura revisada por pares abordando da eficácia e segurança da hidroxicloroquina no tratamento da Covid-19.

Por fim, faz um relevante alerta científico: os padrões de pesquisa não devem ser reduzidos durante uma pandemia. 

No entanto, Schluger reconhece que existem enormes desafios para serem conduzidos nesse momento. Como, por exemplo: hospitais sobrecarregados com os cuidados clínicos aos altos números de pacientes e sem nenhuma ou com pouca capacidade disponível para realizar pesquisas rigorosas. 

Nesse contexto, grupos individuais e hospitais lançaram dezenas de ensaios que nunca atingiram suas metas de inscrição devido à falta de coordenação e cooperação entre pesquisadores concorrentes e sistemas de saúde.

Confira o vídeo:

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