Coronavírus

Hidroxicloroquina em pacientes com Covid-19 leve a moderada: ensaio clínico aberto, randomizado.

Hidroxicloroquina em pacientes com Covid-19 leve a moderada: ensaio clínico aberto, randomizado.

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Sanar Medicina

7 minhá 328 dias

O surgimento da Hidroxicloroquina como opção terapêutica na Covid-19

Desde do início da pandemia do novo coronavírus diversos métodos terapêuticos e preventivos têm sido testados, entre eles os principais são:  remdesivir, favipiravir, ribavirina, lopinavir-ritonavir (usado em combinação) e cloroquina ou hidroxicloroquina. 

A hidroxicloroquina (HCQ) uma versão menos tóxica da cloroquina, é uma droga antimalárica e imunomoduladora que tem sido testada de forma extensiva desde do começo da pandemia.

Parte desse interesse na droga foi devido aos promissores estudos iniciais que apontavam a sua grande atividade antiviral quando testada in vitro, porém, quando novos estudos foram realizados o resultado inicial da droga foi posto em dúvida, sendo que atualmente não existem evidências convincentes  oriundas de ensaios clínicos bem projetados para apoiar o uso de cloroquina ou hidroxicloroquina com boa eficácia e segurança no tratamento da covid-19.

Metodologia do estudo

O presente estudo foi um ensaio multicêntrico, randomizado, paralelo, aberto, de hidroxicloroquina em pacientes internados no hospital com covid-19.

Os pacientes foram registrados pelos investigadores do local em 16 centros de tratamento covid-19 designados pelo governo em três províncias da China (Hubei, Henan e Anhui).

Não foi utilizado placebo e os medicamentos não foram mascarados. Foi utilizada uma amostragem aleatória para estratificar todos os pacientes elegíveis de acordo com a gravidade da doença (leve / moderada ou grave), seguida de atribuição aleatória (na proporção de 1:1) em cada estrato para garantir uma distribuição equilibrada da gravidade da doença entre o tratamento e o controle.

Foram incluídos pacientes com idade superior a 18 anos, com infecção pelo Sars-Cov-2 confirmada através de RT-PCR e que consentiram em participar do estudo. Foram excluídos os pacientes que tivessem idade abaixo dos 18 anos e que possuíssem comorbidades como: doença cardíaca, doença hepática, doenças metabólicas não controlada, gravidez, alergia, incapacidade cognitiva etc.

Os pacientes do grupo de tratamento receberam hidroxicloroquina dentro de 24 horas após a randomização, com uma dose inicial de 1200 mg por dia durante três dias, seguida de uma dose de manutenção de 800 mg por dia nos dias restantes, sendo a duração total do tratamento igual a 2 semanas.

Os participantes foram avaliados ao longo da pesquisa quanto a presença do vírus nas amostras, sinais vitais, proteína C reativa, VHS, fator de necrose tumoral α, interleucina, contagem completa de células sanguíneas com diferencial, painel de coagulação, oximetria de pulso e sintomas respiratórios. 

A tomografia computorizada de tórax foi realizada na admissão e no fim do estudo.

Resultados Hidroxicloroquina

O desfecho primário desse estudo foi em relação a conversão negativa da infecção (o desaparecimento do vírus) nos testes realizados em até 28 dias, de forma secundária os pesquisadores analisaram a conversão da infecção com 4,7,10,14 e 21 dias, além de avaliarem o aparecimento de efeitos adversos durante o uso da HCQ, desaparecimento dos sintomas respiratórios e melhora clínica, laboratorial e de imagem.

Dos 191 pacientes internados no hospital com covid-19 entre 11 e 29 de fevereiro de 2020, 41 não atenderam aos critérios de elegibilidade. Os 150 pacientes restantes foram randomizados: 75 pacientes foram designados para tratamento padrão e 75 pacientes para tratamento padrão mais HCQ. A idade média dos pacientes foi de 46 anos e 82 (55%) eram do sexo masculino.

A duração média desde o início dos sintomas até a randomização foi de 16,6 (DP 10,5; variação de 3-41) dias, e 90 (60%) pacientes receberam tratamento medicamentoso concomitante antes da randomização. Entre esses, 52 (35%) pacientes receberam tratamento antiviral. Quase todos (148; 99%) pacientes tinham covid-19 leve a moderado, e apenas 2 (1%) pacientes apresentavam doença grave na triagem. 

Um total de 109 (73%) pacientes (56 terapia padrão; 53 terapia padrão+HCQ) tiveram uma conversão negativa bem antes de 28 dias, e os restantes 41 (27%) pacientes (19 terapia padrão; 22 terapia padrão+HCQ) foram afastados por não atingirem a conversão negativa do vírus.

A duração máxima para um paciente com SARS-CoV-2 detectável foi de 23 dias até a data limite de nossa análise.

No geral, a probabilidade de conversão negativa de SARS-CoV-2 entre os pacientes designados para receber terapia padrão + HCQ foi de 85,4% (IC de 95%, 73,8% a 93,8%) em 28 dias, semelhante à do grupo padrão/ sem HCQ (81,3%, 71,2% a 89,6%).

Análise do desfecho

Na análise do desfecho secundário, não houve diferença entre os grupos quando foram analisados: tempo de detecção do vírus, melhora dos sintomas e tempo necessário de cuidados médicos.

O evento adverso mais comum no grupo com tratamento padrão+HCQ foi a diarréia, relatada em 7 (10%) pacientes, o que não foi relatado no grupo sem HCQ. A HCQ foi descontinuada em um paciente devido à visão turva.

Por fim, os autores concluíram que os resultados do estudo não mostraram benefícios adicionais da eliminação do vírus mediante adição de HCQ ao padrão atual de tratamento em pacientes com covid-19 leve a moderada.

Eventos adversos, particularmente eventos gastrointestinais, foram relatados com mais frequência em pacientes que receberam HCQ, aos quais foi administrada uma dose inicial de 1200 mg por dia durante três dias, seguida por uma dose de manutenção de 800 mg por dia nos dias restantes, durante um período total de tratamento de duas semanas em pacientes com doença leve a moderada e três semanas naqueles com doença grave.

No geral, esses dados não suportam a adição de HCQ ao padrão atual de atendimento em pacientes com covid-19 persistente leve a moderado para eliminar o vírus.

SUMÁRIO DAS RECOMENDAÇÕES E DOS SEUS JULGAMENTOS

Diretrizes para o Tratamento Farmacológico da COVID-19: AMIB, SBI e SBPT.
 Elaboração: 18 de maio de 2020

Diretrizes para o Tratamento Farmacológico da COVID-19: AMIB, SBI e SBPT

Elaboração: 18 de maio de 2020

  1. Benefício clínico – o: pequeno ou negligenciável; +: moderado; ++: importante
  2. Risco – o: pequeno ou negligenciável; +: moderado; ++: importante
  3. Custos diretos – $: custos baixos; $$: custos moderados; $$$: custos elevados. Avaliação qualitativa, considerando sistema público e saúde suplementar, com base em preços aferidos pelo Painel de Preços do Ministério da Economia, Banco de Preços em Saúde, tabela CMED e preços habituais praticados em mercado.
  4. Acesso – : indisponível; ✓: disponibilidade limitada no contexto brasileiro, seja do insumo, seja de profissionais com experiência no seu uso; ✓✓: boa disponibilidade no contexto brasileiro.
  5. Evidência avaliada de acordo com o GRADE. Níveis de confiança na evidência: ++++ alto; +++o moderado; ++oo baixo; +ooo muito baixo
  6. Para custos, considerada anticoagulação terapêutica com heparina de baixo peso molecular, implicando em maiores custos

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