Anatomia de órgãos e sistemas

Hipertensão Arterial na Infância: um problema atual | Colunistas

Hipertensão Arterial na Infância: um problema atual | Colunistas

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Milena Abra

7 min há 154 dias

Definição

Hipertensão arterial é definida como, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, “uma condição clínica multifatorial caracterizada por elevação sustentada dos níveis pressóricos”.

É indiscutível que a obesidade infantil sofreu um aumento nos últimos anos, com isso, houve também o aumento da hipertensão arterial (HAS) nesta faixa etária. Antes os médicos mal aferiam a pressão nesta idade, tanto pela dificuldade quanto por outros fatores, porém acabou se tornando algo cada vez mais necessário, uma vez que, os enlatados e industrializados estão ganhando cada vez mais espaço no mundo, e, com isso, o aumento de doenças crônicas também cresceu. A obesidade é por si só um grande fator de risco, ainda mais se associada a outros, como, por exemplo, a genética.

O estudo sobre HAS infantil ainda é algo recente, porém hoje sabemos que a hipertensão detectada em algumas crianças pode ser secundária, mas também pode representar o início precoce da hipertensão arterial essencial observada nos adultos.

Fisiopatologia:

Na maioria dos casos idiopáticos, em que não se consegue identificar uma causa específica para o problema, sendo assim, uma patologia multifatorial, o indivíduo pode possuir diversos fatores que o levaram a ter tal doença. Há também aqueles que possuem uma doença de base prévia, como doença renal crônica, porém isso corresponde a um percentual mais baixo da população.

Em quem e quando medir?

Pelo menos uma vez ao ano, em crianças maiores ou iguais a 3 anos.

EXCETO para aquelas que possuem fatores de risco – nestas deve-se aferir a PA em todas as consultas.

E quais seriam os fatores de risco?

-> Obesidade

-> Uso de medicamentos que elevam a PA

-> Doenças renais

-> Diabetes

-> Obstrução do arco aórtico

-> Prematuros < 32 semanas

-> Muito baixo peso ao nascer

-> Cardiopatia congênita

-> Complicações neonatais

-> Transplantados

Classificação da aferição de PA em crianças:

Vale ressaltar que a interpretação é feita de acordo com sexo, idade e percentil de estatura!

Em crianças de 1 a 13 anos

Normotensão: PA

PA elevada: ≥p90 até

HAS estágio 1: ≥p95 até

HAS estágio 2: ≥p95 + 12mmHg

Para aquelas maiores de 13 anos e os que estão na puberdade, pode-se usar a mesma classificação que a tabela adulta, sendo assim:

Normotensão: PA <120/ <80mmHg

PA elevada: 120-129/ <80mmHg

HAS estágio 1: 130-139/ 80-89 mmHg

HAS estágio 2: ≥140/90 mmHg

Como aferir?

Primeiramente deve-se escolher o manguito adequado para cada indivíduo, usa-se o seguinte padrão:

-> Largura: 40% da circunferência

-> comprimento: 80-100% circunferência

Vale lembrar que medidores de punho NÃO são aceitos para crianças.

Fonte: https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/21635c-MO_-_Hipertensao_Arterial_Infanc_e_Adolesc.pdf página 4

Posição:

  • Criança sentada ou deitada por pelo menos 5 minutos
  • Bexiga vazia
  • Sem exercícios há 60 minutos
  • Braço direito ao nível do coração

Diagnóstico

→ Clínicos: HAS ≥ 3 medidas e PA ≥ percentil 95

→ Investigação da causa

→ Avaliação de lesões órgão-alvo

As causas podem ser tanto primárias quanto secundárias. Nas causas primárias, temos, geralmente, crianças acima de 6 anos com sobrepeso/obesidade, além de histórico familiar para hipertensão – esta seria a causa mais comum; já na causa secundária, temos, normalmente, crianças menores de 6 anos e com alguma doença de base, como doença renal e coarctação de aorta.

Tratamento:

Há dois tipos de tratamento, tanto o farmacológico quanto a não farmacologia, sendo este, sempre que possível, o de primeira escolha.

Não farmacológico: se baseia no controle do peso do paciente. Uma dieta balanceada com uma redução de sal, incentivo à prática de atividade física, porém sempre tendo cuidado com o impacto articular.

Farmacológico: apenas quando há falha na terapêutica não medicamentosa, quando a hipertensão já é sintomática, além do paciente possuir lesão de órgão-alvo, diabetes (1 ou 2), doença renal crônica ou um comprometimento vascular maior. Os de primeira escolha geralmente são os IECA OU BRA. Há uma gama de drogas hipertensivas, sendo assim, o médico deve avaliar o paciente para decidir a melhor droga e dose.

O primeiro passo é o anti-hipertensivo. Caso não se tenha melhora, há o ajuste da dose ou até mesmo a possibilidade de inserir uma outra droga associada, até que o especialista chegue na melhor escolha.

Conclusão:

A hipertensão infantil é uma realidade atual. Há a necessidade de estudos, apesar dos hábitos de vida serem até então os maiores causadores.

Vale ressaltar que tal realidade pode ser revertida, pois, tal patologia pode levar a inúmeros outros problemas, além de ser uma doença crônica e impactar extremamente na qualidade de vida, tanto do adulto quanto da criança e adolescente.

Ainda se tem um déficit muito grande para aferição de pressão em crianças no consultório, isso ocorre devido à dificuldade do médico em deixar o paciente apto para a aferição, como, por exemplo, quieto e na posição certa. Porém, cabe aos especialistas cada vez mais ter tal técnica, visto que, além do aumento exponencial, se diagnosticada cedo, pode ser tratada apenas com mudanças no estilo de vida.

A implementação de medidas na prevenção primária é de extrema importância, com foco na educação e no conhecimento, tanto dos pais quanto dos filhos. Ainda há muitas pessoas que acreditam que o leite materno não é suficiente para o bebê, implementando, assim, fórmulas e leites com altas taxas de açúcar. Esses pequenos detalhes que fazem a diferença.

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto

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Referências:

http://bvsms.saude.gov.br/bvs/is_digital/is_0403/pdf/IS23%284%29103.pdf

https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/21635c-MO_-_Hipertensao_Arterial_Infanc_e_Adolesc.pdf

https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0021-75572003000700013

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