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Hipoglicemia Neonatal: epidemiologia, fisiopatologia, diagnóstico e tratamento | Colunistas

Hipoglicemia Neonatal: epidemiologia, fisiopatologia, diagnóstico e tratamento | Colunistas

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A Hipoglicemia Neonatal e um dos principais problemas metabólicos nos recém-nascidos na atualidade, por isso o controle de gestantes com Diabetes mellitus prévio ou gestacional devem ser bem manejados assim evitando possíveis complicações como a prematuridade, macrossomia fetal, prematuridade e síndrome do desconforto respiratório.

Definição

E um distúrbio  do metabolismo da glicose caracterizado pela diminuição dos valores de glicose no sangue do bebe que pode ser percebido entre o período de 24 a 72 horas posterior ao nascimento  e um dos grandes problemas na definição deste distúrbio e definir um valor limite para a glicemia nos neonatos pois há muitas divergência nas literaturas , e uma condição mais comum em filhos de mães diabéticas ou com níveis alterados de glicemia e nos bebes pré- termo ( ou seja aqueles que nasceram antes das 37 semanas de gestação ), e um transtorno que muitas vezes pode passar despercebido clinicamente Estima-se uma incidência de 5-15% entre todos os bebês, podendo chegar até metade dos recém-nascidos de risco.

Fisiopatologia

Após o nascimento com Clampeamento do cordão umbilical o recém-nascido precisa ativar a gliconeogênese utilizando os aminoácidos dos músculos como os principais substratos para a produção de glicose no fígado. Hormônios contra reguladores ação da insulina (adrenalina, cortisol, hormônio do crescimento e glucagon) que vão estimula a glicogenólise e a gliconeogenese liberando ácidos graxos livres na circulação no fígado esses serão oxidados em corpos cetônicos que poderão ser usados como fonte energética pelos neurônios durante essa adaptação a imaturidade pode ocasionar a hipoglicemia. Em resumo vamos ter primeiro uma hiperglicemia Materna que, por conseguinte levara a uma hiperglicemia Neonatal através da placenta provocando uma produção exuberante de insulina pelo pâncreas do neonato posterior ao nascimento e o complemento do cordão umbilical não haverá mais passagem de glicose materna ao neonato porem o neonato continuará com níveis elevados de insulina o que consumira a glicose provocando um descenso da glicemia.

O desejável é que os níveis glicêmicos do RN sejam mantidos entre 50 e 60 mg/dL. Acredita-se que glicemia abaixo de 40 mg/dL pode estar associada a sequelas neurológicas. Considera-se hipoglicemia quando a glicemia em sangue total é menor do que 45 mg/dL nas primeiras 24 horas de vida e menor do que 50 mg/dL após 24 horas de vida.

Quadro clínico da Hipoglicemia Neonatal

Os sinais e sintomas são inespecíficos por isso e muito importante o controle laboratorial são eles abalos, reflexo de moro exacerbado, letargia, Recusa Alimentar, choro estridente, cianose, apneia, Hipotermia, convulsões e raramente coma. Por isso devemos estar muito atentos aos fatores de risco pois assim podemos prevenir de uma forma mais adequada.

Diagnóstico

A hiperglicemia materna é um estímulo potente para a produção fetal de eritropoietina, com subsequente aumento da concentração de hemoglobina. A hiperviscosidade do sangue fetal pode resultar em tamponamentos, isquemias locorregionais e hipoxemia – síndrome de hiperviscosidade. A hipomagnesemia fetal está relacionada a mães muito jovens, severidade do diabetes materno e prematuridade. Contudo, seu significado clínico permanece incerto. A hiperbilirrubinemia é muito mais comum em filhos de mães diabéticas do que na população em geral. Os principais fatores etiológicos envolvidos incluem prematuridade, imaturidade hepática, policitemia com hiperviscosidade e menor tempo de vida útil dos eritrócitos. Além desses exames laboratoriais, devemos investigar nesses RNs as possíveis malformações presentes. Dessa forma, é indicada a realização precoce de ecocardiograma, ultrassonografia transfontanela, de abdome e rins/vias urinárias e avaliação da região lombossacra.

A terapêutica varia de acordo com o achado em cada caso e diferentes protocolos institucionais. Os níveis séricos de glicose diminuem depois do nascimento até 1 a 3 horas de vida, quando sobem espontaneamente nas crianças normais. Em RNs a termo, saudáveis, raramente serão menores do que 35 mg/dL entre 1 e 3 horas de vida, menores do que 40 mg/dL entre 3 e 4 horas de vida e menores do que 45 mg/dL depois de 24 horas de vida. Glicemia sintomática abaixo de 40 mg/dL requer intervenção, em qualquer idade de vida. Deve-se programar dosagem da glicemia com 1, 3, 6 e 12 horas de vida. Após pode-se manter de 8/8h ou em intervalores maiores a depender da evolução. Os RNs a termo e prematuros correm sérios riscos de déficit do neurodesenvolvimento relacionados a níveis baixos de glicose.

Fatores de risco

Vamos separar alguns fatores de risco por grupos para melhor entender

Maternos:    

Diabetes gestacional ou previa, algumas drogas (terbutalina, diuréticos tiazidicos, e beta- bloqueadores), hipertensão arterial ou pre- eclampsia.

Neonatais:

 Prematuridade, restrição do crescimento  intrauterino, hipóxia e isquemia, sepse, hipotermia, policitemia ou tumores produtores de insulina (nesidioblastose,adenoma).

Tratamento da Hipoglicemia neonatal

Devemos primeiramente iniciar uma alimentação enteral (de preferencia com leite materno ou do banco de leite) já que é recomendado a lactancia exclusiva ate os 6 meses de idade de acordo com a tolerância do recém-nascido. Nos assintomáticos se deve fazer o uso de glicose intravenosa com infusão continua de 4 -6 G/KG/minuto e não se recomenda mais fazer bolus de glicose em crianças assintomáticas pois aumenta o risco de alterações neurológicas em RN com mais de 35 semanas.

Menor 4 horas de vida com glicemia < 25 mg/dL: devemos alimentar a criança e repetir a dosagem se houver manutenção se deve iniciar glicose endovenosa e manter controle da glicemia.

Entre 4 – 24 horas de vida e glicemia < 35 mg/dL:  devemos alimentar a criança e repetir a dosagem se houver manutenção se deve fazer glicose endovenosa se posterior a 3 dietas orais seguida ele tiver sintomático ou manter glicemia <45 se deve manter a infusão continua de glicose.

Sintomáticos: nos sintomáticos devemos usar SG 10% 2 mL/Kg Endovenoso a 1 ml/minuto (corresponde a 200 mg /kg de glicose) após a infusão devemos manter a glicose endovenosa continua de 6-8 mg/kg e avaliar a glicemia em 20 minutos. E naqueles que não se pode ter o valor da glicemia, mas há suspeita clinica o tratamento deve ser instituído rapidamente.

Autor: Francisco Fernando Silva Lucas – @fernando00785

Referências:

Rozance PJ, Hay WW. New approaches to management of neonatal hypoglycemia. Maternal Health, Neonatology and Perinatology. 2016

Weston PJ, Harris D, Battin M, Brown J, Hegarty JE, Harding JE. Gel de dextrose oral para o tratamento da hipoglicemia em recém-nascidos. Banco de Dados Cochrane de Revisões Sistemáticas de 2016 , Edição 5.

Thompson-Branch A, Havranek T. Neonatal Hypoglycemia. Pediatr Rev.

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto

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