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Horário dos atendimentos ao longo do dia influencia a qualidade de decisões clínicas?| Colunistas

Olá, amigos!

            Hoje eu vim bater um papo com vocês sobre qualidade das decisões clínicas. Será que o horário dos atendimentos influencia mais que o número de horas seguidas trabalhadas? Ou não há diferença? Antes de começarmos a conversar, gostaria de adiantar que o assunto é amplo e aqui farei um breve recorte; outro ponto importante que quero salientar é que minhas impressões são provenientes da minha ainda breve experiência profissional. Dito isto, vamos começar?

            Quando a Medicina escolhe o médico, este entende que, a partir de então, dedicação será uma constante em sua vida. Com o contato com o paciente iniciando de forma cada vez mais precoce durante a graduação, somos habituados a estarmos prontos para realizarmos atendimentos sempre cedo. Durante o internato, esse contato se intensifica, principalmente através dos plantões (diurnos e noturnos) e passagens de enfermaria que se estendem aos finais de semana e feriados.

            Vocês não concordam comigo, então, que trabalhar diuturnamente não é lá um grande problema para o médico, uma vez que isso faz parte da profissão e que somos gradualmente habituados a isto?

            Com a conquista, no entanto, do tão sonhado CRM, muitos de nós, ávidos por, finalmente, iniciar a carreira, caímos na tentação dos infindáveis plantões. Quer seja de 12, 24, 36 horas ou mais, as jornadas se acumulam e se sobrepõem, nos levando a correr um risco totalmente humano, mas potencialmente fatal para os pacientes: o erro na tomada de decisões. O verdadeiro risco para o médico não está no horário em que ele atende o seu paciente, mas o quão bem física e emocionalmente ele está para atender este paciente.

            Se você ainda não se graduou, peça a qualquer veterano seu que já está no mercado de trabalho, para comparar o atendimento dele após 24 horas de trabalho numa emergência e após um day-off às 3 horas da manhã. É óbvio que dormindo pouco, muitas vezes em instalações ruins, e nos alimentando mal, o nosso raciocínio não será igual, e por consequência, nossa decisão clínica tampouco será.

            A gana por crescer profissionalmente e as múltiplas oportunidades de trabalho e remuneração são tentações principalmente para o recém-formado, percebem? 

            Assim, na luta diária para satisfazer as nossas expectativas, as dos nossos colegas e de toda uma sociedade, vamos esquecendo que somos pessoas que cuidam de pessoas, e que o nosso bem-estar emocional, espiritual e físico é um forte preditor de qualidade dos atendimentos, esta que tem como objetivo final a boa assistência e segurança do paciente. Pouco adianta trabalharmos tantas horas seguidas, ainda que em serviços distintos, se não pudermos ser para aquele que busca nosso serviço a nossa melhor versão – aquela para qual nós nos preparamos durante toda a faculdade e continuamos a lapidar após o fim dela.

            Acredito, então, que a questão a ser pensada não é quando somos médicos (cedo pela manhã ou tarde da noite), mas como somos médicos – se atenciosos, claros, assertivos e resolutivos ou cansados, irritados, impacientes e imprudentes.

            O médico capaz de fazer boas escolhas para os seus pacientes deve começar a questionar quais os pilares que sustentam suas próprias escolhas. O que sustenta a medicina que você pratica?

            Pense nisso e me conta depois!

            Até a próxima, queridos!

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