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Humaniza(ação): importância e oferecimento do atendimento humanizado | Colunistas

J.M.O.(nome fictício), chega ao consultório para consulta ginecológica. Está visivelmente constrangida, pois sabe que será submetida ao exame ginecológico completo. Limita-se a responder as perguntas feitas na anamnese, sem fornecer quaisquer dados adicionais. Quem, na área médica/da saúde nunca passou por uma situação dessas? Quem nunca se constrangeu com o constrangimento do paciente?

Essa é uma situação que muitos de nós, ouso dizer todos, passamos/passaremos durante a carreira e com o tempo talvez possa não causar tanto impacto quanto da primeira vez. Contudo, os ensinamentos adquiridos na graduação e os conselhos dos professores “veja seu paciente como um todo”, “veja além da doença”, não podem ser esquecidos.
Em outras palavras, esses ensinamentos traduzem o significado de atendimento humanizado, num âmbito mais restrito: o paciente. A rigor, atendimento humanizado é mais amplo na medida em que considera a integralidade do tratamento e a qualidade do relacionamento, que se desenvolve entre paciente, familiares e equipe de saúde.

Embora pareça redundante um ser humano precisar humanizar-se, a importância/necessidade da humanização dos atendimentos é tamanha que em 2003 o Ministério da Saúde criou a Política Nacional de Humanização (PNH), a fim de interferir na qualificação da atenção e gestão do SUS, além de atuar transversalmente às políticas de saúde já existentes.Essa política se baseia no tripé:
(1) atenção-gestão de processos e produção de saúde;
(2) transversalidade e;
(3) autonomia /protagonismo dos sujeitos.

Sob essa ótica, é facilmente perceptível que esses três pilares de enfoque da PNH promovem melhoras no relacionamento médico-paciente, além da personalização do atendimento, dando autonomia aos sujeitos tornando-os coparticipantes e corresponsáveis em seus planos terapêuticos e às condutas a serem delineadas, aumentando assim a receptividade e a adesão aos tratamentos. Diante do exposto, a grande questão que vem à luz dos holofotes é como oferecer um atendimento humanizado dentro de um sistema com poucos minutos para as consultas e vários indivíduos a serem contemplados.

Apesar de parecer um cenário complexo, o atendimento humanizado pode ser oferecido de modo efetivo por meio do acolhimento, da ambiência e da clínica ampliada, basicamente. Esses três itens referem-se respectivamente à realização de uma escuta qualificada, sem julgamentos, à criação de espaços acolhedores, que promovam a privacidade do sujeito e à abordagem clínica que considere a singularidade do indivíduo no que se refere ao seu entendimento do processo saúde/doença, aos seus anseios, medos e dúvidas.

Em resumo, oferecer atendimento humanizado é demonstrar interesse pelo outro de forma integral, é construir relações que afirmem os valores de equidade, universalidade e integralidade.

Referências:
http://abrale.org.br/atendimento-humanizado-a-saude

https://pensesus.fiocruz.br/humanizacao

http://portalms.saude.gov.br/acoes-e-programas/humanizasus/diretrizes
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/politica_nacional_humanizacao_pnh_folheto.pdf

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