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Impactos psíquicos de uma quarentena | Colunistas

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Barbara Figueiredo

5 min há 477 dias

Números

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o país mais ansioso do mundo, onde 18,6 milhões de brasileiros (9,3% da população) convivem com o transtorno. Paralelamente à pandemia do COVID-19, no mundo hodierno, vive-se uma outra pandemia silenciosa, que é entendida pela OMS como o “mal do século”, que é a depressão e as ideações suicidas.

Estima-se que, atualmente, 322 milhões de pessoas no mundo tenham depressão. No Brasil, os números são alarmantes: dados da OMS mostram que taxas de suicídio foram 7% maiores no Brasil em 2016, último ano da pesquisa, do que em 2010. A cada 100 mil habitantes, aumentou-se 7% no Brasil, ao contrário do índice mundial, que caiu 9,8%, alerta a OMS. Embora os números mundiais estejam em queda, os índices ainda são preocupantes: cerca de 800 mil pessoas acabam com suas vidas todos os anos no mundo, o que equivale a uma morte a cada 40 segundos.

Breve abordagem pretérita: a crise e o desespero

Durante o período conhecido como a Grande Depressão, em 1929, em que milhões em títulos foram colocados à venda sem que aparecessem compradores e os preços dos títulos desabaram e fortunas desapareceram em poucas horas, ocorreram numerosos casos de suicídio no fatídico dia chamado de “Quinta-Feira Negra”. Bancos e empresas foram à falência e milhões de trabalhadores perderam seus empregos.

Incerteza econômica e medo antecipado do futuro

Sob o atual cenário de isolamento social horizontal, é notório que a maioria das pessoas estão inerentes a maiores probabilidades de se tornarem ansiosas, irritadas, estressadas e agitadas, principalmente as com declínio cognitivo e demência. Isso porque a falta de hábitos, estudos, trabalhos e demais atividades causam um eco singular durante o período de quarentena, haja vista que o prazer pela rotina é tido como algo estruturante para muitos brasileiros. A falta de socializações, visitas parentais e coleguismos também corrobora um sentimento existencial lacunar.

Além disso, empreendedores, comerciantes e pessoas economicamente ativas, no geral, estão sofrendo grandes impactos psíquicos referentes ao medo antecipado do futuro, pois fatores desconhecidos e incertos fazem com que todos se sintam inseguros, principalmente em casos como esse, de nível mundial. O medo do endividamento, da falência e do desemprego se configuram como empíricos e fundados, infelizmente, mesmo diante de todas as medidas pautadas pelo governo a fim de minimizar esses potenciais impactos.

Guilherme Benchimol, presidente da XP Investimentos Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliário, disse que vê a possibilidade de crescimento do desemprego para mais de 40 milhões de brasileiros em decorrência da pandemia do coronavírus.

“No Brasil, onde há mais de 10 milhões de desempregados, acredito que o impacto será muito maior”, disse Benchimol.

Além disso, o empresário defendeu a criação de um Plano Marshall – pacote de reconstrução da Europa depois da Segunda Guerra Mundial.

“O que temos até agora é uma gota no oceano. Tem de ser um plano de verdade, os números são assustadores, o buraco é muito mais embaixo”, reforçou.

Em resposta, o presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, afirmou que mais de 20 a 30 milhões de brasileiros serão impactados com as medidas atuais.

“Provavelmente vai se precisar de mais e vamos ajudar. Já estamos postergando os pagamentos, reduzindo a taxas de juros. Isso nos preocupa e está sendo liderado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes”, disse Guimarães.

Outrossim, de acordo com o médico, presidente da True Health Initiative e diretor fundador do Yale-Griffin Prevention Research Center, David Katz:

“Estou profundamente preocupado que as consequências sociais, econômicas e de saúde pública desse colapso quase total da vida normal – escolas e empresas fechadas, reuniões proibidas – sejam duradouras e calamitosas, possivelmente mais graves do que o número direto do próprio vírus. O mercado de ações voltará no tempo, mas muitas empresas nunca o farão. O desemprego, o empobrecimento e o desespero que provavelmente resultarão serão flagelos de saúde pública de primeira ordem.”

Grande fluxo de informações

Conforme proferido pelo pensador Zygmunt Bauman, “somos inundados de informação e famintos de sabedoria”. Tal afirmação é tangível, principalmente diante do cenário pandêmico atual, visto que há uma gama de informações que se atualizam a todo instante, aliada e mitigada por alguns veículos midiáticos a sensacionalismos, bem como, na maioria das vezes, a propagação de notícias fundamentadas em números alarmantes que não consideram as alternativas resolutivas. Um bom exemplo são os testes com a cloroquina, deixando este cenário, em uma visão nietzschiana, pessimista e estagnado.

Assim, o constante fluxo informativo presente em grande parte das programações televisivas é matriz para estresse, preocupação e ansiedade dentro dos lares, ilustrando que o fenômeno da globalização está contribuindo para uma pandemia de pânico, gerando medo excessivo na sociedade.

Nesse sentido, é de suma importância a busca de informação, sob fontes confiáveis, em momentos específicos, como, por exemplo, duas vezes ao dia, visto que essa população tende a já saber a situação real, sintomas, forma de prevenção e o que fazer no momento, sempre focando naquilo que os ajudarão a tomar atitudes práticas e gerenciamento de emoções.

Conclusão

Dicas para manutenção da saúde mental perante a quarentena, de acordo com orientações da OMS:

  1. Evitar bombardeio de informações;
  2. Estabelecer uma rotina;
  3. Procurar terapias online;
  4. Utilizar a tecnologia para se aproximar das pessoas;
  5. Praticar atividades que gosta e meditação.
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