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Imunização contra a Covid-19 em crianças | Colunistas

Imunização contra a Covid-19 em crianças | Colunistas

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Lanna Carvalho

9 min há 82 dias

Grupos prioritários para vacinação

No Plano Nacional de vacinação contra a Covid-19, o governo federal impõe a ordem de imunização dos grupos da população julgadas preferencialmente. Além de apresentar critérios de priorização dentro de cada um desses grupos, para vacinação escalonada por idade ou por condição de saúde, essas medidas se devem pelo número de pessoas serem muito desproporcionais as doses da vacina, sendo assim não dá pra vacinar todos de uma vez só.

O grupo de prioridades é composto por:

• Pessoas com ou acima de 60 anos de idade.

• Os trabalhadores da área da saúde.

• Os povos indígenas, quilombolas e ribeirinhos.

• Portadores de comorbidades. Os grupos de comorbidades abordam a diabetes mellitus, hipertensão arterial grave, doença pulmonar obstrutiva crônica, doença renal, doenças cardiovasculares e cerebrovasculares, indivíduos transplantados de órgão sólido, anemia falciforme, câncer e obesidade mórbida.

• Gestantes e puérperas.

• Pessoas com deficiência permanente.

• População privada de liberdade.

• Funcionários do Sistema de Privação de liberdade.

• Trabalhadores da educação do Ensino básico (creche, pré-escolas, ensino fundamental e médio, profissionalizantes e EJA).

• Trabalhadores de educação do ensino superior.

• Forças de segurança e salvamento.

• Forças armadas.

• Trabalhadores de transporte metroviário e ferroviário.

• Trabalhadores de transporte aéreo.

• Trabalhadores de transporte aquaviário.

• Caminhoneiros.

• Trabalhadores portuários.

• Trabalhadores industriais.

Crianças x Vacina Covid-19

A vacinação das crianças é algo rotineiro e obrigatório. Devido ao fato de estarem mais suscetíveis às diversas doenças e a imunização promover o desenvolvimento de um adulto saudável.

A atual pandemia teve um marco de esperança ao liberar as vacinas. Mas, o grupo pediátrico e os adolescentes não são prioridade para esse evento. Alguns estudiosos ainda estão a analisar se essa conduta é correta ou não, devido ao sistema imune ainda não estar totalmente desenvolvido e em contraste as células imunes de crianças reagem aos patógenos de modo distinto aos adultos,

A escassez de informações e evidências faz as medidas sanitárias se voltarem para a análise social, ou seja são relatados que a maioria das crianças tem evolução assintomática ou leve da doença e não são potenciais disseminadores do novo coronavirus.

A questão ética, caracterizada pelo fato de grupos mais vulneráveis deixarem de receber a vacina quando a mesma é aplicada em crianças, sendo imoral priorizar as crianças, pois a imunidade parece ser menos eficaz com o avanço etário. A Organização Mundial de Saúde (OMS) indica que os países desenvolvidos deveriam adiar seus planos de imunizar crianças e doar as vacinas para o resto do mundo.

A falsa idéia de proteção indireta das crianças, por meio da vacinação coletiva dos adultos. Em alguns países que possuem o número de adultos muito superior ao de crianças e jovens, essa via é favorável. No entanto, a maioria não se enquadra nessa categoria e ainda parte considerável dos adultos não deseja se submeter a imunização.

A falta de conhecimento dos efeitos e se realmente é segura e benéfica a aplicação da vacinas nas crianças. Em razão de os estudos sobre ação das vacinas contra o coronavírus forem feitas só em adultos, sendo algo problemático o uso sem adaptações de uma vacina para adulto em crianças. Portanto, é imprescindível uma pesquisa detalhada sobre a dosagem segura e eficaz da respectiva vacina.

Alguns países relatam contar com imunidade suficiente para impedir a propagação viral sem a necessidade de vacinar crianças. O legado da imunidade se deve em grande parte a taxas superiores a um quarto dos jovens de 16 e 17 anos na Inglaterra possuírem anticorpos contra o novo coronavirus no sangue, embora proporção quase nula ter sido vacinada, a ocorrência de grandes surtos e uma alta cobertura de adultos imunizados.

Embora as crianças ainda não possam ser vacinadas contra a covid-19 há muitas outras vacinas que elas não devem deixar de tomar. Os vilões da comunidade pediátrica continuam sendo os outros agentes infecciosos como o vírus sincicial respiratório, sarampo, difteria, coqueluche, tétano e meningite. Sendo oferecidas imunizações gratuitas pelo Programa Nacional de Imunização.

As vacinas contra covid 19

• Pfizer. Através da engenharia genética, utiliza -se a tecnologia do RNA-mensageiro, ou seja a replicação de sequências de RNA a qual mimetiza a proteína spike, específica do vírus Sars-Cov-2 (invasor das células humanas) criando várias cópias inofensivas, mas capazes de gerar reação celular do sistema imune, que origina uma defesa forte no organismo. Até o momento, registe-se uma taxa de 95% de eficácia e segurança.

• Moderna. A única vacina que pode ser dada a indivíduos com 16 anos ou mais. Atua através da tecnologia de RNA mensageiro. Possui eficácia de 94,1% na prevenção da doença, além de proteger os vacinados contra as novas variantes.

• Janssen. Vacina feita pela farmacêutica Janssen, da companhia Johnson e Johnson, necessitando de dosagem única. A pessoa ao receber a vacina feita de adenovírus não replicante, que leva informação genética do novo coronavirus, o organismo começa um processo de defesa e síntese de anticorpos contra aquele invasor, criando uma memória no corpo contra o coronavirus.  

Sputnik. Vacina desenvolvida pelo Instituto Gamaleya de Pesquisa da Rússia, adota o método de “vetor viral”, ou seja a manipulação de outros vírus inofensivos e ao memso tempo combatem a covid-19. A eficácia é em torno de 91,6% contra a covid-19 em suas manifestações sintomáticas

• CoronaVac. A vacina oriunda da China é composta pelo vírus inativado, este é cultivado e multiplicado numa cultura de células e posteriormente inativado através de calor ou substâncias químicas. O organismo ao receber a vacina inicia a geração de anticorpos necessários no combate da doença. A real eficácia dessa vem sendo analisada em muitos estudos abordando as novas variantes.

• AstraZeneca. A vacina sintetizada pela Universidade de Oxford (Reino Unido) conta com uma tecnologia conhecida como vetor viral não replicante. O uso de um “vírus vivo”, como um adenovírus não apto a prejudicar o organismo é alterado por meio da engenharia genética para carregar em si as instruções para a produção protéica típica do coronavirus, denominada espicula. O contato com as células provoca o estímulo na produção dessa proteína na superfície, o que é identificado no sistema imune, que cria formas de combater o coronavirus e uma reação de defesa contra a infecção.  

Dentre as vacinas já aprovadas pelas agências reguladoras, quatro estão testando em menores de idade: Oxford/AstraZeneca, Sinovac/Butantan, Pfizer/Biontech e Moderna.

O grupo da Moderna e a Pfizer já iniciaram os testes em crianças de 12 anos ou mais, apesar de os resultados ainda estarem pendentes.

A AstraZeneca já anunciou o seu primeiro teste em crianças.

A Johnson e Johnson se pronunciou sobre a testagem da vacina em bebês e crianças, mas não divulgou uma data de início.

Fatores a favor da vacinação das crianças

A patogenicidade do coronavírus no grupo mais jovem é mais baixa e menos agravante, em comparação aos mais velhos, no entanto a infectividade é proporcional.

As crianças e os jovens compõe porcentagem significativa da população, logo seria uma forma de imunidade coletiva (rebanho) ou seja, a quantidade de pessoas imunizadas é tão elevada a ponto de conter a pandemia.

Quantidade considerável de crianças possuem comorbidades, logo não deveriam ser excluídas da imunização pela questão etária.

A avaliação do risco e benefício e aos direitos fundamentais. Devido ao fato de não estarem fora de perigo e possuem chance de atingir a gravidade e até o óbito. De acordo com a Academia Americana de Pediatria 3,85 milhões de crianças testaram positivo para a covid-19 desde o início da pandemia nos EUA. Destas, uma parcela de cerca de 0,1% a 1,9%  teve que ser tratada em hospital e cerca de 0,3% das crianças infectadas morreu. Assim, mesmo que a porcentagem seja baixa, é necessário receber atenção adequada.

Países que imunizaram crianças

A agência europeia de medicamentos deu abertura para a imunização de crianças a partir dos 12 anos com produto da Pfizer.

Nos EUA e Canadá, a vacina fabricada pelas empresas Pfizer e Biontech tem sido empregadas em crianças mais velhas e adolescentes. Nesses países, milhares de jovens de 12 a 15 anos já foram vacinados com o imunizante.

O governo alemão já manifestou a intenção de vacinar crianças e adolescentes.

O Japão planeja aprovar em breve a vacina da Pfizer-Biontech para menores a partir dos 12 anos.

O Brasil em relação à vacinação de crianças contra a covid-19 depende não só da aprovação da vacina pelos fabricantes, mas também pelos órgãos reguladores, a Anvisa no caso. Logo, as crianças não têm previsão para serem imunizadas.

Autor(a): Lanna do Carmo Carvalho

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto

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Autor(a): Lanna do Carmo Carvalho

Referências

Grupos prioritários para vacinação https://www.google.com/url?sa=t&source=web&rct=j&url=https://saude.abril.com.br/medicina/a-ordem-de-vacinacao-contra-covid-19-no-brasil-e-os-grupos-prioritarios/amp/&ved=2ahUKEwjgn-qR0qrxAhWhlJUCHUp1DHcQFnoECB4QAQ&usg=AOvVaw0O-jsKijwF9s4LozuR1aNH&cf=1

Crianças x Vacina covid-19 https://www.google.com/amp/s/amp.dw.com/pt-br/o-que-se-sabe-sobre-o-papel-da-vacina%25C3%25A7%25C3%25A3o-infantil-no-combate-%25C3%25A0-pandemia/a-57723051

As vacinas contra a covid-19 https://www.google.com/amp/s/www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2021/02/03/vacinas-contra-covid-19-entenda-a-diferenca-entre-elas.amp.htm

Fatores a favor da  vacinação das crianças https://www.google.com/url?sa=t&source=web&rct=j&url=https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/bbc/2021/05/28/vacinas-contra-covid-criancas-deveriam-ou-nao-ser-imunizadas.amp.htm&ved=2ahUKEwia38eP4arxAhVBr5UCHRShCf8QFjABegQIBBAG&usg=AOvVaw2B8Z0GqvCmFCxoSrwWF6W2&cf=1

Países que imunizaram as crianças

https://www.google.com/amp/s/amp.dw.com/pt-br/o-que-se-sabe-sobre-o-papel-da-vacina%25C3%25A7%25C3%25A3o-infantil-no-combate-%25C3%25A0-pandemia/a-57723051

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